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1 de 1: o único Tucker conversível está à venda – mas há um mistério

Uma das mais notáveis fabricantes de automóveis do século passado foi a Tucker. Tanto pelos seus carros inovadores, avançados e à frente de seu tempo, quanto, por uma série de motivos, pelo seu fracasso e colapso da empresa. O legado de Preston Tucker, o fundador da companhia, materializa-se no Tucker 48, também conhecido como Tucker Torpedo – um belo sedã de luxo com três faróis, um motor boxer de seis cilindros na traseira, design marcante e diversos elementos técnicos que prometiam mudar o futuro da indústria automotiva norte-americana, como um farol direcional ou zonas de absorção de impacto. Mas… acabou não dando certo.

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Como contamos nesta matéria, o Tucker 48 era um carro extremamente ousado, custava caro (quatro vezes mais que o valor previsto) e teve uma história marcada por controvérsias e mudanças de planos. Preston Turcker acreditava com todas as forças que tinha um produto revolucionário nas mãos, e não se importou em fazer uma campanha de marketing extremamente agressiva: ele chamava o 48 de “carro do ano” quando ele sequer havia começado a sair da fábrica, e oferecia acessórios originais de fábrica, como malas feitas sob medida, rádio, rodas e outros itens, prometendo prioridade na fila de espera aos clientes que os comprassem. Centenas de clientes o fizeram, mas não receberam seus carros, e Tucker foi processado por isto.

O processo acabou arquivado, mas a reputação da Tucker já estava manchada de forma irreversível – a empresa fechou as portas já em 1949, deixando apenas 51 carros prontos, mais oito exemplares inacabados. Há quem diga que a derrocada da Tucker, na verdade, foi arquitetada pelas três grandes de Detroit – GM, Chrysler e Ford – ao se sentirem ameaçadas por uma fabricante tão pequena fazendo um carro tão impressionante.

Sendo um carro tão raro, e dono de uma história tão tortuosa, é natural que cada unidade do Tucker 48 seja emblemática e conte uma história por si só – ainda que algumas delas sejam ainda mais icônicas do que outras, dependendo do contexto. Um excelente exemplo é o Tucker 48 de Roberto Lee, o 35º carro dos 51 produzidos, que foi comprado pelo lendário colecionador em algum momento da década de 1960. Na época, não se sabia muita coisa a respeito da origem do carro, que era chamado de “patinho feio” pelo próprio Lee, que a princípio o adquiriu com o fim de obter a mecânica Cadillac que tinha sido adaptada nele. Só na década de 1970 o Tucker brasileiro foi reconhecido e colocado no acervo do Museu Roberto Lee, onde está até hoje. Mesmo com chassi e V8 Cadillac (sim, Lee acabou optando por não o remover) sob o capô, o carro ainda é uma valiosa peça histórica.

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O carro sobre o qual viemos falar hoje, porém, é um Tucker de corpo e alma – um exemplar restaurado que, segundo seu proprietário, é a unidade nº 57. Ou seja, supostamente, ele é um dos oito carros que Preston Tucker deixou para trás sem tê-lo finalizado. Qual é a deste carro, afinal?

O proprietário é um homem chamado Justin Cole. Ele comprou o carro em 2008 das mãos de seu segundo proprietário, um colecionador norte-americano que, por sua vez, adquiriu o Tucker 48 em 1981, com a intenção de restaurá-lo.

Justin é dono de uma loja e oficina de restauração de antigos nos EUA chamada Benchmark Classics. De acordo com ele, Preston Tucker tinha um Tucker 48 conversível como projeto pessoal, e levou um de seus carros para uma empresa chamada Lenki Engineering – a mesma que havia construído seu primeiro protótipo – e trabalhou junto deles na conversão. O teto foi cortado e, para evitar perda de rigidez, a estrutura do carro recebeu reforços em aço. Além disso, as portas foram alongadas, e um para-brisa mais baixo foi instalado.

No entanto, com o escândalo envolvendo Preston Tucker e o fechamento de sua empresa, a empreitada morreu. O carro ficou com a Lenki até 1981, quando Al Reinert o comprou e iniciou a restauração – um processo lento e trabalhoso, que não estava nem perto da conclusão em 2008, quando Reinert vendeu o Tucker conversível a Justin.

Na época, o carro estava assim

Depois de anunciar o carro pela primeira vez em 2009, ainda sem restaurá-lo, Justin decidiu completar o serviço. Munido de uma experiência razoável com restauração, e com acesso a uma boa oficina, uma boa equipe e contatos para conseguir peças difíceis, ele conseguiu terminar a restauração completa em dois anos – e chegou a fabricar alguns painéis da carroceria, como as soleiras das portas e os para-lamas traseiros. Por sorte, o carro já havia sido entregue com a mecânica em dia, recuperada por Al Reinert, e só precisou de uma revisão.

Depois de restaurar o carro, Justin o deixou em exibição no showroom da Benchmark Classics, em Middleton, Wisconsin, por algum tempo antes de colocá-lo à venda novamente, em 2010, em um leilão da Barrett-Jackson Scottsdale. Os lances chegaram a US$ 1,4 milhão – valor insuficiente para atingir a reserva estipulada por Justin. Depois, em 2013, o Tucker estava prestes a ser leiloado novamente (também pela Barrett-Jackson), mas Justin desistiu da ideia dias antes do evento.

De lá para cá, o Tucker 48 conversível apareceu algumas vezes anunciado no eBay. E é lá que ele está hoje – com um preço de US$ 2,2 milhões (cerca de R$ 8,3 milhões em conversão direta). Justin acredita que é isto que o carro vale, por se tratar do único Tucker conversível que existe no mundo. Um exemplar de teto rígido em perfeito estado custa, em média, US$ 1,5 milhão. Isto quando encontra-se um à venda.

No entanto, há quem conteste esta afirmação. Segundo o Tucker Automobile Club of America – que mantém um registro de todos os exemplares de que se tem conhecimento –, não há evidência documental de que Preston Tucker tenha feito um 48 conversível em algum momento e, por isto, não há como confirmar a autenticidade do carro de Justin. Isto posto, eles já reconheceram publicamente que o carro se trata de um Tucker legítimo, no qual se encontram inúmeras peças originais.Disseram até que, caso Preston Tucker tenha realmente criado um conversível, provavelmente seria um carro muito parecido com o que Justin tem nas mãos. No entanto, a conversão provavelmente foi feita anos depois que a Tucker encerrou as atividades.

Justin já rebateu este parecer algumas vezes em diferentes veículos, incluindo seu próprio site. Ele afirma que o Tucker 48 conversível era um projeto secreto e assim, obviamente Preston Tucker não deixou qualquer registro oficial de sua existência. Em sua defesa, apresenta uma série de documentos, incluindo depoimentos juramentados de testemunhas oculares que comprovam a autenticidade do carro. Estes documentos podem ser vistos aqui.

Este nos parece um daqueles casos em que a verdade não pode mais ser revelada – ela foi enterrada junto com Preston Tucker, que morreu em 1956 em decorrência de um câncer de pulmão. De todo modo, certamente este é um dos exemplares mais interessantes de um dos carros mais icônicos (e misteriosos) de todos os tempos.

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