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Car Culture Sessão da manhã

11.000 rpm: o som e a fúria de um Alpine A110 com motor Kawasaki na subida de montanha

Como se sua beleza não bastasse, o Alpine A110 ainda é uma lenda do automobilismo. Em 1973, o esportivo francês tornou-se o primeiro vencedor do WRC, o Campeonato Mundial de Rali, ficando na história para sempre. Claro, ele pode não ter o mesmo reconhecimento de ícones que vieram depois, como o Lancia Stratos, mas há um lugar para ele no panteão dos pioneiros.

De acordo com a própria Alpine, 7.500 exemplares do A110 foram fabricados entre 1961 e 1975, equipados com motores Renault de 1,1 a 1,6 litro. Especialistas na história do esportivo acreditam que o número foi inflado, e que a produção do A110 nunca chegou a tantos carros. De qualquer forma, hoje em dia ele é um carro bastante raro e cobiçado na Europa, dono de um belo legado. Tanto que há quem faça questão de mantê-lo fazendo aquilo que foi criado para fazer.

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É o caso de Javi Graña, piloto de hillclimb na Europa. Você sabe do que se trata: no Velho Continente, especialmente no interior, onde há sinuosas estradas nas montanhas, são muito comuns os campeonatos regionais de hillclimb. Já falamos deles inúmeras vezes aqui, normalmente por causa da variedade de carros envolvidos na modalidade: hatchbacks turbinados, super sedãs preparados e protótipos feitos especialmente para isto.

Javi pilota um Alpine A110 com motor de 1,2 litro, mas não um dos antigos motores preparados por Amedeé Gordini, e sim um motor de 185 cv vindo de uma Kawasaki Ninja ZX12R. Trata-se de um quatro-cilindros com comando duplo no cabeçote que é capaz de girar a até 11.000 rpm e, acoplado a uma caixa sequencial de seis marchas, leva a moto esportiva aos 100 km/h em apenas 2,6 segundos, enquanto a velocidade máxima é limitada eletronicamente 301 km/h.

Sem o limitador a moto é capaz de chegar a 350 km/h. É desempenho de LaFerrari!

Claro, a moto pesa no máximo 250 kg, mas o A110 de Javi também não é dos carros mais pesados: com estrutura tubular, interior de carro de corrida e componentes de fibra de vidro na carroceria, como os para-lamas alargados, o esportivo francês pesa cerca de 600 kg, e é leve o bastante para ser movido com desenvoltura pelo quatro-cilindros. Olha só:

A prova aconteceu na 43ª edição da Subida a Chantada, que fez parte do Campionato Galego de Montaña (assim mesmo, com “i”) em 2016, realizado na região da Galícia, no noroeste da Espanha. Mais de 70 carros foram inscritos, entre modelos de rua preparados, protótipos e monopostos.

Aliás, o próprio Alpine A110 de Javi tem muito de monoposto. Ele é um dos pilotos da Outeda Racing, equipe galega fundada em 2000 que há dezesseis anos constrói monopostos para subidas de montanha. Os carros, conhecidos como barquetas, costumam ter motor de supermoto, câmbio sequencial e suspensão inboard, como os fórmula mais conhecidos, e são bastante populares entre as equipes de hillclimb – bastam alguns minutos de pesquisa no Google para ver que o mercado de compra e venda das barquetas é bastante movimentado.

A estrutura tubular do Alpine A110 de Javi é bastante semelhante à dos monopostos, e utiliza o mesmo arranjo de suspensão (braços sobrepostos e amortecedores inboard), porém pode levar duas pessoas.

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A consequência da configuração foi um aumento considerável das bitolas dianteira e traseira – como acontece com todo carro de subida de montanha, na verdade. E não dissemos que foi uma consequência ruim, dissemos?

Agora só falta alguém fazer o mesmo com um Willys Interlagos aqui no Brasil. Quem se habilita?

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