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2.400 km, impecável e todo original: conheça o Mazda RX-7 de Cody Walker, o irmão de Paul Walker

Paul Walker morreu em novembro de 2013, em um acidente com um Porsche Carrera GT, enquanto as gravações de Velozes e Furiosos 7 (Furious 7, 2015) ainda estavam rolando. Apesar do trauma, a produção do filme seguiu e o enredo foi adaptado para incluir a saída de Brian O’Conner do time. Algumas das cenas que Paul já havia gravado foram aproveitadas, outras usaram efeitos especiais computadorizados para incluí-lo, e houve até algumas tomadas gravadas com Cody Walker, irmão de Paul, que é 15 anos mais novo e assustadoramente parecido com ele.

Tão parecido que, assim como Paul, Cody Walker também é entusiasta. E ele também é fã dos esportivos JDM – tanto que sua mais recente compra foi o carro que aparece nestas imagens: um Mazda RX-7 1988 com apenas 1.500 milhas (cerca de 2.414 km) marcadas no hodômetro. E o carro tem uma bela história.

Trata-se de um Mazda RX-7 10th Anniversary Edition, lançado em 1988 para comemorar os dez anos de lançamento do primeiro RX-7 – cuja história contamos neste post. O RX-7 de segunda geração, FC, foi lançado em 1985 e foi o primeiro a usar uma versão turbinada do motor Wankel 13B, de dois rotores e 1,3 litro. Seu visual era bastante parecido com o do Porsche 924, em uma inspiração assumida pela Mazda, visto que o carro foi feito pensando no mercado norte-americano. Por esta razão, aliás, o RX-7 FC é um carro relativamente comum nos EUA – para um esportivo japonês, ao menos.

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Incomuns foram as condições nas quais Cody comprou o RX-7. No vídeo acima, feito pelo GTChannel (os caras que às vezes legendam vídeos antigos da Best Motoring), ele conta que o Mazda pertencia a seus sogros, que o compraram zero-quilômetro. Não era a intenção: o pai de sua esposa foi à concessionária para comprar uma caminhonete nova. “Eles deviam ter um baita vendedor trabalhando naquele dia”, Cody brinca, “porque no fim das contas o meu sogro saiu de lá dirigindo isto aqui”, apontando para o carro.

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Ele diz também que seus sogros continuaram usando a caminhonete antiga na maior parte do tempo, enquanto o RX-7 rodava muito pouco e passava a maioria do tempo na garagem, sob uma capa. Por isso está novo e totalmente original, com baixíssima quilometragem e funcionando perfeitamente. “Ele só não tem marcha lenta”, Diz Cody, brincando.

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Isto tem a ver com a natureza do motor Wankel. Como você pode até já saber (especialmente se leu o post no qual explicamos o funcionamento do motor rotativo da Mazda), em vez de pistões o motor Wankel tem rotores dentro de uma câmara de combustão. Não há válvulas, e sim janelas de admissão e escape, e estas ficam nas laterais da câmara. Por conta do formato da câmara de combustão, há quase sempre um pouco de combustível depositado em sua base. Em marcha lenta, com o motor frio, este combustível extra acaba deixando a mistura “rica” e tornando a queima mais irregular, o que provoca alguns pipocos e rotações oscilantes até que a temperatura ideal de funcionamento seja atingida.

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O Mazda RX-7 de Cody pertence à primeira fase da segunda geração, conhecida como S4, que foi fabricada entre 1985 e 1988 – mais do que isto, é um exemplar do último ano de fabricação. O motor é o Wankel 13B com turbo e 185 cv, acoplado a uma caixa manual de cinco marchas. O conjunto mecânico é suficiente para ir de zero a 100 km/h em 6,7 segundos, com máxima de 209 km/h. E como estamos falando de um carro voltado ao público norte-americano, a Mazda também divulgou o tempo no quarto-de-milha: 15,2 segundos.

A Mazda também fazia questão de enfatizar o emprego de buchas especiais na suspensão traseira que ajudavam as rodas a “esterçar” automaticamente nas curvas. Na verdade elas só causavam pequenas variações nos ângulos de cáster e convergência das rodas de trás para, de fato, dar mais agilidade nas curvas.

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O que a edição especial de 10 anos tinha de diferente? Limitada em 1.500 unidades, a série tinha acabamento externo monocomático, com carroceria, rodas, frisos e até emblemas pintados de branco Crystal White. As rodas eram da Momo e tinham 16 polegadas. O carro também tinha um spoiler e uma asa traseira exclusivos, além de emblemas dourados alusivos à versão.

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O interior era sempre revestido de couro preto e tinha uma lista generosa de equipamentos, incluindo teto solar, ar-condiconado, toca-fitas com equalizador, vilante e alavanca de câmbio Momo, alarme e chave codificada (que também tinha um emblema dourado comemorativo, e hoje é item de colecionador por si só). Cody fica satisfeito em afirmar que todos os recursos do carro funcionam perfeitamente.

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O RX- 7 é a mais recente adição de Cody Walker a seu acerto – sua garagem também abriga um Porsche 911 modificado pela RAUH-Welt Begriff e um Honda S2000, ambos devidamente registrados no Instagram.

Cody faz parte de uma organização chamada Reaching Out World Wide, fundada por Paul Walker, que presta assistência a vítimas de desastres naturais no mundo todo. Além de arrecadar matimentos, roupas e brinquedos eles também ajudam as comunidades atingidas por catástrofes a se reerguer, por exemplo, limpando estradas e construindo casas. Eles também organizam encontros automotivos em memória a Paul, geralmente com a presença de outros membros do elenco da franquia “Velozes e Furiosos” e alguns carros usados nos filmes. Reconhece o Eclipse aí embaixo?

O RX-7 certamente será usado neste tipo de ação, também. Só esperamos que Cody Walker coloque mais algumas centenas de milhas neste hodômetro!

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