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30 anos de BMW M3: os protótipos e conceitos do esportivo que jamais viraram realidade

Em março de 1986, a BMW começou a fabricar aquele que seria, para a maioria dos entusiastas, seu maior ícone: o M3 de primeira geração, a E30. É uma história que, se nos lê, você já conhece de cor: para homologar a versão de competição para o Campeonato Alemão de Turismo, a fabricante precisava construir esportivo de rua baseado no Série 3.

O resto é uma história que dura até hoje: o M3 se tornou referência entre os cupês esportivos e, nas gerações seguintes, ganhou versões sedã e perua, além de modelos especiais como o incrível M3 CSL E46 ou o M3 GTS E92. Hoje em dia a versão cupê se chama M4 (um erro do qual a BMW deve se arrepender até hoje), mas sua reputação ainda é a mesma.

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No embalo das comemorações, a BMW acaba de lançar o M3 30 Jahre (que significa “30 anos” em alemão”). A versão especial do BMW M3 vem de série com o Competition Package, o que significa que ele tem rodas de 20 polegadas e suspensão com amortecedores magnéticos ativos. Além disso, o seis-em-linha biturbo de três litros entrega 450 cv – 20 cv a mais que o modelo comum.

A cor, Azul Macao, é um aceno para o BMW M3 Sport Evo da geração E30, lançado em 1990, que foi o primeiro carro M a receber esta tonalidade. No total, 500 exemplares serão feitos.

Só que esta não é a parte mais bacana da comemoração, ao menos para nós. O mais bacana é que a BMW decidiu também mostrar alguns conceitos do BMW M3 que nunca viraram realidade. Alguns são incríveis, enquanto outros são simplesmente bizarros, mas todos são para lá de interessantes. Duvida?

 

BMW M3 Compact: nada mau, nada mau mesmo

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O BMW Série 3 Compact da geração E36 é um dos mais populares no Brasil. Suas menores dimensões são práticas na cidade, ele é mais barato, o visual continua atraente e ele ainda tem tração traseira e, com sorte, câmbio manual. É uma pena que tantos exemplares estejam sucateados. Na Europa, o Série 3 Compact também fez bastante sucesso, o que não aconteceu nos EUA.

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O caso é que, em 1996, quatro anos depois do lançamento do M3 E36, a BMW brincou com a ideia de criar um modelo M de entrada, a fim de atrair o público mais jovem. Como conta  Jakob Polschak, chefe do departamento de protótipos da divisão M, o conceito tinha o mesmo seis-em-linha de 3,2 litros usado no cupê, com todos os seus 321 cv a 7.400 rpm e 35,6 mkgf de torque a 3.250 rpm.

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Jakob diz que, caso viesse a ser produzido, o M3 Compact seria menos potente, pois seria um modelo de entrada. Para ele, o conceito é o precursor do atual BMW M2 – que também usa uma versão menos potente do seis-em-linha biturbo do M3/M4, com 370 cv. Sem problemas: o M3 Compact é 150 kg mais leve do que o cupê. Seria um baita hot hatch.

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Apesar de jamais ter ganho as ruas, o M3 Compact teve sua importância na época: ele foi construído por estagiários e engenheiros em treinamento que, de acordo com Polschak, adquiriram conhecimento e experiência prática de valor inestimável. O mesmo vale para os outros protótipos aqui mostrados.

 

M3 picape: bizarro, mas nem tanto

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Com o lançamento do BMW M3 de primeira geração, não foi apenas o público quem se impressionou com o desempenho: os responsáveis por seu desenvolvimento também curtiram muito o resultado do próprio trabalho (isto é essencial, não é?). Então, aproveitando seu tempo livre, eles tiveram uma ideia genial: transformar um M3 em picape e utilizá-lo para transportar peças na sede da divisão M, que fica em Garching, perto de Munique.

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Como base, eles utilizaram um M3 conversível, cujos reforços estruturais o tornavam ideal para a empreitada. Além disso, eles tinham um exemplar sobrando, o que facilitava bastante as coisas.

O carro perdeu a capota e ganhou uma caçamba revestida com o famoso “chão de ônibus”, que pode não ser o acabamento mais bonito mas garante melhor aderência. Os para-lamas alargados foram substituídos por componentes da versão comum, para despistar os incautos.

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Uma curiosidade: de início, o carro recebeu o motor do BMW 320i, também conhecido como “M3 italiano”. Esta versão era exclusiva da Itália e de Portugal, e usava uma versão de dois litros do motor S14 de 2,3 litros do M3 E30, de 192 cv. Este carro só existia porque os impostos para carros com motor acima de dois litros eram mais altas nestes países.

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De qualquer forma, pouco depois, o M3 picape recebeu um legítimo S14 do M3, com todos os 200 cv a que tem direito. A caminhonete continuou sendo usada dentro da divisão M até 2012, quando foi aposentada… e substituída por outra.

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Em 2011, assim que a picape original começou a demonstrar sinais mais sérios de cansaço, os engenheiros da divisão M começaram a trabalhar em sua substituta – desta vez, com base no M3 E92. Que tal uma picape BMW com motor V8 de 420 cv?

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Praticamente uma Ute alemã

Novamente, a base foi um conversível. E, como conta Polschak, a ideia era fazer tudo de forma discreta, internamente. No entanto, como tudo foi feito em meados de março, alguém na equipe sugeriu que o projeto fosse transformado em uma pegadinha de 1º de Abril. Eles até fizeram algumas fotos no Nürburgring Nordschleife, convencendo parte da imprensa especializada de que, em breve, o mundo ganharia uma versão picape do M3. Até mesmo um press release exaltando o teto targa e a capacidade de carga de 450 kg foi divulgado, mas o final do texto revelava que tudo não passar de uma brincadeira.

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A gente não sofreu tanto com a notícia. Mas em compensação…

 

M3 E46 Touring: um sonho que nos foi arrancado

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A paixão dos entusiastas por peruas esportivas é daquelas coisas que a gente já decidiu de tentar explicar. O que importa é que há algo de mágico em um veículo feito para a família, porém transformado em um devorador de asfalto. E a BMW chegou a construir uma versão perua do M3 E46, que para muita gente é a melhor geração do esportivo.

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O motivo é simples de entender: além do belíssimo visual, o M3 E46 foi o último a ter um seis-em-linha naturalmente aspirado, que muitos consideram a configuração “certa” para um BMW. E a gente está falando de um motor de 3,2 litros e 343 cv, capaz de levar o cupê até os 100 km/h em 5,1 segundos.

Uma perua baseada no M3 E46 seria, então, o Santo Graal para muita gente (nós inclusive). Diferentemente do M3 Compact, que chegou a ser avaliado pela imprensa (com ótimas impressões, diga-se), o M3 E46 Touring servia apenas para provar que era possível fazê-lo sem maiores complicações.

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“Uma coisa importante que precisávamos demonstrar, por exemplo, era que as portas traseiras do modelo comum poderiam ser refeitas para encaixar nos para-lamas alargados do M3 sem a necessidade de ferramentas novas e caras”.

A BMW não deixa claro se uma versão de produção chegou a estar nos planos, ou se era apenas uma questão de princípios. O que a gente sabe é que não se brinca com os sentimentos dos outros desse jeito.

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Nos resta admirar estas imagens, e parabenizar o M3 mais uma vez por seus 30 anos!

 

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