30 anos de STI: a história e os carros da Subaru Tecnica International

Dalmo Hernandes 6 abril, 2018 0
30 anos de STI: a história e os carros da Subaru Tecnica International

No dia 2 de abril de 1988, há exatos trinta anos… e quatro dias, foi fundada a Subaru Tecnica International, divisão de competição de uma das fabricantes japonesas mais populares do planeta. Na verdade, podemos dizer que a Subaru deve boa parte de sua reputação justamente à STI, que nestas três décadas esteve envolvida em todas as atividades de competição da fabricante e também no desenvolvimento do carro mais importante da Subaru para seu público entusiasta, o WRX STI – tanto o carro de rali quanto a versão de rua têm muito mais do que um dedo da Subaru Tecnica International.

A divisão foi criada pela Fuji Heavy Industries em 1988 com dois objetivos principais: desenvolver os carros de competição da Subaru, especialmente para o Campeonato Mundial de Rali (World Rally Championship, o WRC), e também cuidar da criação e da venda de componentes de alto desempenho para carros de rua. No fim das contas uma coisa dependia da outra.

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É estranho pensar que há 30 anos não existiam o Subaru Legacy e nem o Impreza, certamente os dois carros mais populares da marca até hoje. Mas é isto aí: quando a STI começou a trabalhar em modificações no Legacy para chegar a uma receita para os ralis, o sedã ainda era novidade. Ele foi criado como um rival para caras como o Honda Accord e o Toyota Camry nas ruas do Japão. Para isto, a Subaru deu a ele um novo motor boxer, mais silencioso, potente e econômico – o motor EJ, utilizado pela Subaru até hoje – e um estilo mais comportado e convencional que os outros Subaru lançados até então, que tinham visual mais ousado e “esquisito” em comparação aos carros de outras companhias.

Acontece que a Subaru também foi a única companhia a apostar em seu sedã “careta” para triunfar nos estágios de rali. Mas antes eles tiveram de provar que o Legacy tinha calibre para isto. As evidências estavam ali: seu tamanho relativamente compacto, a força do novo boxer de quatro cilindros e o comportamento dinâmico acima da média graças à adoção da suspensão independente nas quatro rodas (McPherson na dianteira e Chapman struts na traseira) e da tração integral faziam dele naturalmente adequado às competições em estradas de terra.

Então, em janeiro 1989, às vésperas do lançamento do Legacy a STI pegou três exemplar da versão mais potente do sedã, o Legacy RS, que era equipado com uma versão com turbo e comando duplo no cabeçote do motor EJ20, e deu um “trato” neles. O flat-4 de dois litros entregava 220 cv e era acoplado exclusivamente a uma caixa manual de cinco marchas (havia versões com motor naturalmente aspirado de 150 cv e câmbio automático), e nas mãos dos engenheiros da STI recebeu um novo turbo e componentes internos mais resistentes. Os três carros, todos com tração nas quatro rodas também foram equipados com tanques de combustível maiores.

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Depois eles foram levados para uma pista de testes da FIA em Phoenix, no Arizona, como parte de uma estratégia para gerar buzz nos EUA, onde o Legacy começaria a ser vendido em breve. Resultado: do dia 2 ao dia 21 de janeiro de 1989, um dos carros foi guiado por 100.000 km, durante 447 horas, 44 minutos e 9,9 segundos sem parar – a uma velocidade média de 223,345 km/h. Um recorde que foi oficializado e permaneceu de pé até abril de 2005.

Como contamos recentemente, foi com um Legacy que a STI estreou no WRC. O Legacy RS preparado para ralis era equipado com uma de 290 cv e 40 mkgf de torque do motor EJ20 turbo de dois litros. A força era moderada por uma caixa manual da X-Trac e enviada para as quatro rodas através de um diferencial central com acoplamento viscoso, além de um diferencial de deslizamento limitado em cada eixo. O Legacy estreou no WRC em 1990 e, de início, pintura branca e rosa. Em 1992 ela foi substituída pela clássica combinação de azul e amarelo da marca de cigarros 555.

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O Legacy foi o carro que iniciou a parceria entre a STI e a equipe/preparadora britânica Prodrive. A STI trabalhava no conjunto de motor e câmbio e no acerto dinâmico do carro, equanto a Prodrive ficava responsável pela execução do projeto e pela montagem e manutenção dos carros.

Naquele mesmo 1992 a Subaru lançou o Impreza, um carro mais compacto, leve e moderno, que gradualmente substituiu o Legacy no posto de carro de rali da Subaru. Ao longo de 16 anos a Subaru conquistou três títulos de construtores e três títulos de pilotos no WRC. O primeiro título foi conquistado em 1995 com o lendário Colin McRae, que na época era a revelação da categoria.

Já o último foi conquistado em 2003. A Subaru ainda levou cinco anos para retirar-se do WRC, em 2008, preferindo concentrar-se em categorias japonesas de turismo e modalidades “alternativas” de automobilismo, como o Rallycross. A STI continuou (e continua) responsável pela mecânica destes carros, mas passou a dar mais atenção aos carros de rua. Nas décadas de 1990 e 2000 eles eram especiais de homologação os carros de rali, mas nos últimos anos eles se tornaram esportivos de rua por excelência.

A geração mais recente do WRX, lançada em 2015, é um exemplo: além de ser separado do restante da família Impreza, o carro assumiu a personalidade de um rival de três volumes para hot hatches como o Ford Focus RS, o Volkswagen Golf R e o Honda Civic Type R.  Há especulações a respeito de um WRX STI híbrido baseado na atual geração do Impreza, o que será uma evolução radical no perfil do modelo e da própria STI.

Para marcar o aniversário, selecionamos alguns dos carros mais interessantes que a STI fez em seus trinta anos. Confira agora!

Subaru Impreza WRX 22B

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Claro que existiram outros WRX mais potentes e velozes que 0 22B, mas só poderíamos começar com ele. Depois de seis anos recebendo atualizações praticamente anuais, em 1998 o Impreza WRX STI de primeira geração alcançou seu ápice.

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Além da desejável combinação de carroceria de duas portas, pintura azul “Blue Mica” e rodas douradas, o WRX STI 22B tinha um belíssimo motor: o EJ22, que como o nome indica era um EJ20 deslocamento ampliado para 2,2 litros (de 1.994 cm³ para 2.212 cm³).

A potência declarada era de 280 cv, ainda que na prática ficasse bem mais perto dos 300 cv. O STI comum também tinha 280 cv, mas eles chegavam 400 rpm antes no 22B — 6.000 rpm contra 5.600 rpm. O torque máximo aumentava de 29,6 mkgf para 36,7 mkgf.  Apenas 424 unidades do STI 22B foram produzidas em 1998 (400 para o Japão e 24 para exportação), e elas custavam três vezes o preço de um STI “normal”.

 

Subaru Impreza WRX STI S201

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Como você deve saber, por muito tempo as fabricantes de automóvel japonesas seguiam um acordo informal que limitava a potência de carros produzidos em série vendidos no país a 280 cv. Na prática não era difícil burlar o acordo: bastava anunciar que o carro tinha a potência-limite e, na prática, dar a ele um pouco mais.

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Contudo, em 2001 a Subaru decidiu fazer “o certo pelo certo”: como a restrição só se aplicava a carros produzidos em série, versões especiais de tiragem limitada poderiam ser mais potentes. E o WRX STI S201 fazia questão de mostrar que era um carro especial: a Subaru Tecnica International deu a ele um body kit nada discreto, quase tuning, com para-choques mais volumosos, largas saias laterais e uma asa traseira obscenamente grande.

Mas não era só perfumaria: o S201 também tinha mais pressão no turbo, escape menos restritivo e reprogramação eletrônica para que o flat-4 de dois litros entregasse 300 cv. Além disso, o carro recebia um diferencial dianteiro com autoblocante e suspensão ajustável. Foram feitos 300 exemplares.

Subaru Impreza WRX STI S203

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Um novo WRX STI especial foi lançado em 2003, já na segunda geração. O chamado S203 tinha visual mais discreto e um motor 2.0 turbo preparado para entregar 325 cv a 6.400 rpm, sendo capaz de girar até as 8.000 rpm – rotação impressionante para um sobrealimentado. A turbina era nova, roletada, e o motor também passou por uma reprogramação eletrônica.

O S203 também tinha rodas exclusivas BBS de 18 polegadas, calçadas com pneus Pirelli. Novamente a produção foi limitada em 300 carros.

 

Subaru Forester STI

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Agora, nem todo STI é um Impreza: em 2004, pela primeira vez o crossover Forester recebeu uma versão STI. O Subaru Forester é o tipo de crossover que a gente respeita: um misto de perua com utilitário off-road, com estilo agradável, tração integral e dinâmica bem acertada no asfalto e fora dele. O Forester STI adicionava à receita o mesmo motor de 2,5 litros turbo do WRX STI vendido em 2005, acertado para render 320 cv, acoplado a um câmbio manual de cinco marchas.

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O Forester STI estava disponível na clássica cor azul Blue Mica e tinha todo o tratamento das versões mais potentes dos carros da Subaru: freios Brembo, rodas maiores com pneus de perfil mais baixo, bancos Recaro, supensão mais rígida e firme e aerodinâmica retrabalhada.

 

Subaru Impreza WRX STI Spec C Type RA-R

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Em 2007, último ano da segunda geração do Impreza, a Subaru lançou a edição especial WRX STI Spec C Type RA-R, feita para homologar o carro de rali do Grupo C para o WRC. Novamente 300 exemplares foram fabricados, equipados com o mesmo motor 2.0 turbo de 325 cv e 8.000 rpm usado no S203.

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O toque extra ficava por conta dos painéis de alumínio na carroceria e dos vidros mais finos. Além disso, o carro ganhou novas rodas Enkei de 18 polegadas, pintadas de branco, abrigando freios com discos slotados e pinças de seis pistões. Segundo consta, na ocasião do lançamento um dos engenheiros da STI revelou que o “R” no final do nome do carro significava “radical”.

Em 2010 a Subaru anunciou uma parceria tão surpreendente quanto improvável com a Cosworth pra produzir uma versão especial do já especial Impreza STI. Apenas 75 unidades do STI receberam o sobrenome britânico, que deu ao motor 2.5 turbo um aumento de potência para 400 cv com turbo maior, nova admissão e reprogramação da ECU.

 

Subaru Impreza STI CS400

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Em 2010 a Subaru anunciou uma parceria tão surpreendente quanto improvável com a Cosworth pra produzir uma versão especial do já especial Impreza STI. Apenas 75 unidades do STI receberam o sobrenome britânico, que deu ao motor 2.5 turbo um aumento de potência para 400 cv com turbo maior, nova admissão e reprogramação da ECU.

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O Impreza “Cossie” também recebeu uma série de upgrades na dinâmica que incluíram novas pinças de freio de quatro pistões, amortecedores Bilstein e molas Eibach com mais carga que as originais. A aceleração era de absurdos 3,7 segundos e a velocidade máxima limitada eletronicamente a 250 km/h.