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Sessão da manhã

550 cv e 102 mkgf: esta perua Mercedes-Benz W203 a diesel é o nosso novo carro de drift favorito

A gente não costuma chamar o drift de dorifuto à toa: a modalidade de pilotagem que consiste em soltar a traseira e contornar curvas derrapando de lado surgiu e se popularizou no Japão antes de se espalhar pelo planeta. Não é por acaso que os carros favoritos dos drifters são os japoneses: a Terra do Sol Nascente é terreno farto para quem procura um carro de tração traseira, esportivo por excelência ou modificado para tal.

É por isso que os adeptos do drift preferem os carros japoneses — mesmo morando fora do Japão, muitos dão um jeito de importar um carro japonês para seu país (e isto inclui o Brasil) e colocá-lo para andar de lado. Mas há quem prefira fugir do lugar-comum e escolher algo totalmente distinto — como os caras da Black Smoke Racing, famosos entre a comunidade drifter por usar peruas Mercedes-Benz movidas a diesel.

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Talvez você lembre deles daqui mesmo, das páginas do FlatOut: no início deste ano, falamos sobre a S123 (S é o código das peruas Mercedes) a diesel que a Black Smoke Racing usou em competições de drift pela Escandinávia até 2012. Equipada com um seis-em-linha a diesel de três litros que, com turbo e compressor entregava 600 cv e 91,8 mkgf de torque — e mais 100 cv sob demanda graças a um sistema de óxido nitroso. Era o suficiente para proporcionar um belo espetáculo quando o carro entrava em ação, tingindo toda a atmosfera ao redor com a típica fumaça preta da combustão de óleo diesel. A equipe não se chama Black Smoke Racing à toa.

O S123 dos finlandeses foi construído em 2009, usando como base um 300TD 1981 — carro bastante comum na Escandinávia. O motor era o OM606 vindo da perua Classe E W210 fabricada entre 1996 e 2002. Robusto, moderno e potente, o seis-em-linha serviu muito bem a seu propósito até o fim de 2012, quando o carro foi aposentado. Ao longo de seus quatro anos de carreira, o S123 da Black Smoke Racing proporcionou cenas memoráveis para quem gosta de peruas rápidas e drift.

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Com o tempo, porém, os caras da Black Smoke Racing começaram a notar que, por mais potente que fosse, o motor de sua velha perua não estava no mesmo nível que os rivais. Além disso, a S123 era pesada demais. Por isso, em 2013 eles começaram a trabalhar em sua sucessora — esta S203 que, fiel à filosofia dos finlandeses, também é movida por um motor a diesel.

O projeto anterior serviu, além de tudo, como uma bela plataforma de testes, que foi aperfeiçoada ao longo dos anos. Assim, o novo carro aproveita várias soluções do antigo, ao mesmo tempo em que conserta algumas falhas.

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A começar pelo motor, que é outro seis-em-linha a diesel — desta vez, OM648 que equipava um Mercedes-Benz W211. Deslocando 3,2 litros, originalmente o motor entregava 204 cv a 4.200 rpm e 51 mkgf de torque já às 1.800 rpm. Com a preparação da Black Smoke Racing, a potência subiu para pouco mais de 550 cv, enquanto o torque dobrou — agora são 102 mkgf. Tudo isto graças a um turbo Holset HX40,  um novo sistema de injeção e um novo coletor de admissão, feito sob medida. Os caras não revelam muito mais do que isto, dizendo que preferiram manter o motor razoavelmente stock.

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Um detalhe importante foi o reforço inferior no bloco, conhecido como block girdle em inglês, que consiste em uma placa de metal com 10 mm de espessura parafusada na base do bloco. Mais importante que aumentar potência e torque, é garantir que o motor consiga suportar a nova cavalaria. Foi também por esta razão que eles não colocaram um compressor mecânico no novo motor — um dos problemas do carro antigo era o superaquecimento causado pelo supercharger.

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Assim como a S123, a S203 teve o sistema de arrefecimento deslocado para a traseira. O radiador Griffin fica na traseira, como no carro anterior, mas desta vez o ar é admitido pela dianteira (onde também fica o intercooler), e não por dutos nas janelas traseiras — deixando o novo carro mais convencional em termos estéticos. Na verdade, todo o aspecto do carro é bem mais “normal” do que o de seu antecessor. O que não significa que ele seja menos divertido — pelo contrário.

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A transmissão foi construída a partir da caixa automática de cinco marchas de um Mercedes-Benz E55 AMG e equipada com uma alavanca de trocas manuais. A potência é levada até as rodas traseiras por um diferencial Torsen, vindo direto de um Toyota Supra. A caixa de direção, feita sob medida, permite um ângulo de esterçamento de 65°, enquanto a suspensão usa amortecedores ajustáveis da K-Sport.

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Sendo um carro de drift, a S203 da Black Smoke Racing já mudou de aparência algumas vezes. Quando mencionamos sua existência pela primeira vez, a perua exibia um chamativo envelopamento laranja, que depois foi trocado por um prata acetinado que tomava conta de toda a carroceria e agora, recebeu um relativamente discreto esquema de adesivos verde, vermelho e amarelo. Foi assim que o carro marcou presença em maio, na última edição do Gatebil, um dos maiores eventos de drift do mundo que acontece todos os anos na Noruega — “logo ali” para os finlandeses, diga-se.

O carro está em sua fase final de testes — o que significa que não está totalmente pronto. Contudo, conhecendo a experiência da Black Smoke Racing com peruas Mercedes a diesel preparadas para drift, não recusaríamos um passeio nessa S203.

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