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Car Culture Projetos Gringos

715 cv em uma perua para surfistas com segundas intenções: conheça o Triple Eight Project Sandman

Responda essa: por que um bando de australianos doidos por velocidade se juntaria para criar uma perua com motor V8 de 700 cv? Duas razões: garantir um show à parte na V8 Supercars e homenagear um verdadeiro ícone automotivo australiano, a Holden Sandman. Talvez você não esteja entendendo direito o que estamos falando, mas confie na gente.

A esta altura você deve saber que a Austrália é um lugar com uma fauna um tanto diferente do resto do mundo, cheia de animais que não existem em nenhum outro lugar — as chamadas espécies endêmicas. Mas a fauna automotiva (se a expressão não existia, acabamos de inventar) também tem alguns carros que não se costuma encontrar em outros lugares do mundo, como as Utes (já falamos delas por aqui). Mas as picapes derivadas de sedãs com motor V8 não são o único símbolo da car culture australiana.

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A Holden Sandman nada tem a ver com o famoso personagem de Neil Gaiman, e sim com a cultura do surf na Austrália. Trata-se de uma versão especial da panel van — uma perua sem janelas traseiras e com teto elevado — do Holden Kingswood, modelo que, em 1978, ganhou a companhia do Commodore e, seis anos mais tarde, foi totalmente substituído por ele.

De qualquer forma, a Sandman foi lançada em 1974 e, de modo tipicamente australiano, era um utilitário que ganhou apelo esportivo e fez muito sucesso entre os jovens — não exatamente do modo como a Holden a anunciava, mas ainda assim. A divisão australiana da General Motors vendia a Sandman como um veículo prático e esportivo, com espaço de sobra para que a galera do surf guardasse suas pranchas e equipamentos para um belo fim de semana na praia. Contudo, sem janelas e com espaço de sobra para um colchão de casal, a Sandman acabou ganhando a fama de, digamos… um ninho de amor sobre rodas.

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Além disso, o carro tinha um visual mais do que apelativo, com grafismos na lateral e o nome do modelo na traseira em letras grandes e coloridas, típicas da época — uma das marcas registradas do carro. Por dentro, volante do Monaro, instrumentação completa e bancos individuais com melhor apoio davam o toque esportivo, enquanto os motores de seis cilindros em linha e V8 (este, com até 240 cv graças aos quatro carburadores Rochester) davam o tom da tocada.

O fato é que, mesmo sendo produzida só por seis anos (de 1974 a 1979) a Sandman ficou tão conhecida que todo australiano tem (ou conhece alguém que tenha) uma história envolvendo uma Sandman. E foi por isso que, aproveitando os 40 anos do modelo, a Red Bull Racing Australia decidiu homenagear a Sandman criando uma versão de corrida do século 21, baseada em um bólido da V8 Supercars.

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Você já conhece a categoria, que é uma das mais extremas do mundo e uma das mais divertidas de se assistir, e sabe que seus carros têm motores V8 de mais de 650 cv e são capazes de acelerar aos 100 km/h em cerca de três segundos. Pois a chamada Triple Eight Project Sandman é, em essência, um V8 Supercar melhorado — embora use a mesma estrutura e sistema de suspensão, o motor é um V8 small block de 705 cv, que é capaz de levar o carro a mais de 300 km/h.

Além disso, segundo os engenheiros da Red Bull Racing Australia, o carro tem alguns recursos que “ainda estão para chegar” à V8 Supercars, como acelerador eletrônico (atualmente os carros usam cabos) e transmissão automatizada com borboletas para trocas de marcha.

A carroceria foi projetada pelo jovem designer Tom Grech, de apenas 20 anos, e tem mais jeito de perua que de panel van (lhe falta o teto elevado), mas isto é só um detalhe. O que importa é que o visual é totalmente descolado, com direito a rack e pranchas de surf de fibra de carbono no teto, além de alguns grafismos que homenageiam a Sandman original.

O carro foi exibido em alguns dos circuitos que receberam etapas da V8 Supercars nos últimos meses. Seu único objetivo era atrair a atenção das pessoas ao mesmo tempo em que exibia as tecnologias que poderão, em breve, chegar à categoria. Deu certo — e como não daria?

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