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8.000 km em 45 anos: eis o Plymouth Road Runner 1970 menos rodado do mundo

O sonho de todo entusiasta fissurado por carros antigos é topar com um barn find perfeito – um carro pouco rodado, guardado há décadas, só esperando um dono cuidadoso para trazê-lo de volta à sua forma original. E foi exatamente isto o que aconteceu com um americano chamado Eric VanDamia.

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Como qualquer um de nós, ele passa boa parte de seu tempo livre em sites de classificados procurando por preciosidades. A diferença é que ele de fato compra carros – cerca de quatro ou cinco por ano para sua coleção. E sua aquisição mais recente é, sem dúvida, uma das mais impressionantes. Trata-se daquele que tem boas chances de ser o Plymouth Road Runner menos rodado de que se tem notícia atualmente: um exemplar de 1970 que rodou apenas 5.000 milhas (8.000 km) desde que foi fabricado.

A história foi contada em um grupo no Facebook chamado “B-Body Mopar”, evidentemente dedicado aos modelos da plataforma B da Mopar, como o Dodge Charger e o próprio Road Runner. E é uma história e tanto.

Em uma de suas visitas corriqueiras aos carros à venda na world wide web, como se dizia antigamente, VanDamia topou com um Road Runner 1970 que lhe chamou a atenção – nem tanto pelo estado do carro, que parecia inteiro apesar da sujeira, mas por sua configuração de powertrain: motor V8 440 Six Pack (com três carburadores Holley de corpo duplo) e câmbio manual de quatro marchas com alavanca no assoalho – e manopla pistol grip. Obviamente o fato de o Plymouth estar guardado em um celeiro, coberto de detritos (incluindo fezes de guaxinim) indicava que aquele carro estava parado havia anos. VanDamia estava ciente de que muitas situações parecidas acabam revelando golpes, mas decidiu ligar para a anunciante e ouvir o que ela tinha a dizer. Pelo telefone, a vendedora contou que o carro pertencera a seu tio, e era a única coisa que restava de seu patrimônio.

Ela ainda disse que o tio trabalhava na empresa que fornecia acabamentos plásticos não apenas para a Chrysler, mas também para a Ford e a General Motors – e que, em um belo dia, um homem bateu à porta da casa deles com o carro novinho em folha. Ela não soube explicar por quê, mas acreditava que tenha sido alguém da empresa, como gratificação pelo serviço.

De todo modo, o tio da vendedora usou o carro por quatro anos antes de trancá-lo na garagem, não sem antes instalar um alarme e drenar todos os fluidos. Exatos 44 anos depois, em 2018, VanDamia agendou uma visita ao local, viajou mais de 500 km de Ohio até a Pensilvânia para ver o Plymouth – e ficou surpreso com o que viu.

 

Embora estivesse obviamente imundo, o carro também estava extremamente íntegro, sem sinal de infiltrações ou deterioração estrutural. Era a deixa para fechar o negócio e, depois de algumas horas dentro de um contêiner, o Road Runner estava na casa de VanDamia.

Semanas depois, com o carro já limpo, VanDamia o levou para um encontro de clássicos no estado de Illinois – o Muscle Car and Corvette Nationals, que mistura concurso de originalidade e leilão. Embora seu carro não estivesse participando das competições, VanDamia conseguiu que os juízes inspecionassem o Road Runner. E conseguiu confirmar as suas suspeitas.

Para começar, a quilometragem tem tudo para ser legítima – o carro, afinal, foi usado por apenas quatro anos, a passeio, e o cofre do motor estava relativamente limpo (desconsiderando, claro, a sujeira acumulada por décadas em um lugar empoeirado). Não havia manchas de óleo ou resíduos de rodagem. Segundo: os números de tudo batiam – motor, câmbio e chassi. Os juízes passaram 14 horas observando cada aspecto do carro, e chegaram à conclusão de que o Plymouth tem pelo menos 80% de componentes originais de fábrica.

Outros detalhes interessantes: o motor, de acordo com a documentação que acompanha o carro, foi montado em outubro de 1969, mas só foi instalado no Road Runner oito meses depois, em maio de 1970. Era o final daquela ano-modelo e, por conta disto, havia alguns “defeitos” de fábrica, como um dos braços da suspensão dianteira do modelo de 1969; e a listra lateral do lado esquerdo foi aplicada em posição invertida. Além disso, havia uma etiqueta laranja presa a um dos coxins, onde ficava um índice usado pelo departamento de pintura. Geralmente esta etiqueta era retirada antes de os carros serem enviados às revendas, mas neste exemplar os responsáveis devem ter esquecido de fazê-lo.

Com estas características, os juízes chegaram à conclusão de que este foi um dos últimos exemplares montados na fábrica da Plymouth em St. Louis, no estado do Missouri. Como os componentes já estavam acabando e logo o Road Runner mudaria de geração, os funcionários da fábrica meio que “relaxaram” na montagem, aproveitando o que havia nas prateleiras do estoque. Este tipo de coisa, porém, é valorizada no meio antigomobilista – estas minúcias ano-a-ano, série-a-série, podem tornar determinado exemplar ainda mais valioso.

Eles também disseram que o Road Runner 1970 de VanDamia é, muito provavelmente, o exemplar com quilometragem (ou melhor, milhagem) mais baixa do planeta atualmente. E só isto já é motivo o bastante para que ele seja extremamente valorizado: o dono estima que seu preço fique nos US$ 175.000 – por volta de R$ 700.000 em conversão direta.

VanDamia diz que não pretende restaurar o carro nunca, até porque bastou uma limpeza para que ficasse evidente o estado de extrema conservação do Road Runner – que, aliás, só precisou de um jogo de velas novas e de um conserto na selagem do tanque de combustível para que o motor pegasse de primeira (obviamente o carro não está em condições de rodar nas ruas, mas que funciona, funciona).  E ele também não pretende vendê-lo por enquanto, dizendo que o muscle car vai ficar em seu acervo, exatamente como está, por muito tempo.

Isto posto, não nos surpreenderemos se o Road Runner aparecer como lote especial em algum dos frequentes leilões de clássicos que acontecem nos Estados Unidos. E nem se ele for arrematado por um valor bem mais alto do que os US$ 175.000 dólares que seu dono acredita que o carro vale.

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