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Car Culture

9,4 litros, dois turbos, 2.000 cv: este é Maximus, o Dodge Charger 1968 de Velozes e Furiosos 7

Você pode amar ou odiar a franquia “Velozes e Furiosos”, mas uma coisa é inegável: a última cena do sétimo filme, “Velozes e Furiosos 7” (Furious 7, 2015), é uma homenagem emocionante a Paul Walker, que morreu em 2013. A cena mostra o último pega entre Brian O’Conner e Dom Toretto, estrelada por um Toyota Supra Mk4 e um Dodge Charger — mesmos modelos dos carros da dupla no primeiro filme.

Hoje vamos conhecer melhor o Charger usado naquela cena. Ele tem um V8 Hemi de 9,4 litros com dois turbos capaz de entregar até insanos 2.000 cv. E tem até nome próprio: Maximus. Soa apropriado.

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Apesar de ter ficado mundialmente famoso em V&F 7, o Charger Maximus não foi feito para o filme, e sim para promover a oficina por trás dele: a Nelson Racing Engines, ou só NRE, preparadora californiana especializada em motores V8 gigantescos com dois turbos e potência na casa dos quatro dígitos. O carro foi apresentado ao público pela primeira vez no SEMA Show em 2013, quando ainda nem estava pronto — faltavam ainda diversos itens e acabamento e o acerto da mecânica.

No ano seguinte, o Charger “Maximus” foi novamente ao SEMA Show — desta vez, concluído em toda sua glória e acompanhado de uma notícia: ele apareceria em “Velozes e Furiosos 7”. O que ninguém sabia era que o carro protagonizaria uma cena tão épica:

Mesmo que você não tenha gostado do filme, é impossível não se emocionar com o final. Contudo, o carro não teve a chance de demonstrar todo seu potencial. O que é uma pena, pois estamos falando de um muscle car capaz de cumprir o quarto-de-milha na casa dos oito segundos, de chegar aos 100 km/h em pouco mais de dois segundos e continuar acelerando até mais de 320 km/h.

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O segredo está na estupidez do V8 Hemi debaixo do capô. Totalmente construído pela NRE, o big block é todo de alumínio e desloca nada menos que 9,4 litros, ou 573 polegadas cúbicas. Equipado com dois turbocompressores feitos sob medida operando a insanos 4,6 bar, o motor entrega mais de 2.000 cv quando alimentado com gasolina de corrida, de 116 octanas. A potência só foi arredondada para soar mais bacana. E soa mesmo.

Com combustível comum de alta octanagem (91 octanas), a potência é de mais modestos 600 cv. O detalhe é que, abrigados sobre o coletor de admissão, estão dois sistemas de alimentação — oito injetores para gasolina normal, e mais oito para o combustível de competição. O tanque de combustível de alumínio billet fica no porta-malas, e conta com um reservatório para cada tipo de combustível. O detalhe é que, por um seletor, o piloto pode escolher qual dos dois sistemas de alimentação será ativado.

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O motor é acoplado a uma caixa Toyota R154, manual de cinco marchas — a mesma do Supra Turbo de terceira geração. Heresia? Provavelmente os mais radicais pensarão assim, mas o fato é que a transmissão dá conta do recado. E também tem aquela relação Toretto/O’Conner…

Se um conjunto mecânico tão absurdo é unanimidade, o visual do Maximus nos deixa divididos. Normalmente a gente prefere algo mais tradicional, mas é impossível ficar indiferente a um Charger 68 sem pintura, da cor do metal, com a carroceria impecavelmente lisa e sem qualquer marca de solda — pode procurar! A qualidade do trabalho é inquestionável.

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De acordo com Tom Nelson, o criador do monstro, foram gastas 2.000 horas de mão de obra para modificar a carroceria, que foi alargada em 12,7 centímetros e, obviamente, feita toda em metal. O monobloco original foi mantido e teve o assoalho refeito, pois o original estava extremamente danificado. A carroceria foi reforçada com pontos de solda extras e gaiola.

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O exterior recebeu uma camada de vinil transparente para não deixar o aço completamente exposto aos elementos e também segue a linha minimalista, porém com imponência. As rodas de 18 polegadas são de alumínio billet, feitas especialmente para o Maximus, e foram calçadas com pneus Mickey Thompson. A ideia era trocá-las por outras, de visual mais tradicional, mas no fim das contas Tom Nelson decidiu que estas, totalmente fechadas, combinavam melhor com o visual do carro para o filme. As fotos abaixo, do blog Revvology, dão uma noção melhor dos detalhes.

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O lado de dentro manteve as linhas gerais originais, mas o acabamento foi todo refeito em couro de primeira qualidade e metal. O visual é minimalista e funcional, com mostradores feitos sob medida (incluindo um velocímetro que marca até 200 mph, ou 320 km/h), sistema multimídia (que fica escondido quando não está sendo usado) e a gaiola de proteção à mostra.

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Em termos de suspensão, o Charger traz subchassi e eixo rígido four-link na traseira, tudo feito sob medida. Na frente, foi transplantado todo o sistema McPherson do Chevrolet Corvette C6.

Se o Charger Maximus já impressiona nos cinemas, imagine como é dirigi-lo nas ruas! Infelizmente, depois da estreia do filme, o carro desapareceu da mídia (apostamos que ele está recebendo um trato para o SEMA deste ano). Contudo, o vídeo abaixo traz uma pequena demonstração de seu poderio em ambiente urbano — sem para-brisa ou qualquer tipo de isolamento acústico. Mesmo em “baixa” velocidade, é assustador. No bom sentido.

 

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