Edição diária: 19/06/2019
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A diversidade e a união da cultura automotiva secreta do Havaí

A gente conhece (ou acha que conhece) algumas das principais cenas automotivas do mundo — os italianos com seus supercarros, os britânicos com seus roadsters, os japoneses com seus esportivos turbinados e os americanos com seus muscle cars.

Mas não é segredo para ninguém que partes menos “mainstream” do planeta também têm culturas automotivas bastante ricas — basta lembrar da cena drifter norueguesa ou das subidas de montanha que acontecem no Leste Europeu.

Poland, fuck yeah!

Quando se fala no Havaí, você pensa em quê? Talvez em praias, surfe, a dança hula e naquele filme do Adam Sandler com a Drew Barrymore, “Como se Fosse a Primeira Vez” (50 First Dates, 2004 — é, meu amigo, já faz doze anos). Mas você já parou para pensar em como é a cultura automotiva do Havaí? Incorporado aos EUA em 1959, o Havaí é o estado mais recente de todos (o nº 50), e o único que fica na Oceania, e não na América do Norte. O Havaí fica no oceano Pacífico Norte, quase no meio do caminho entre os EUA e o Japão.

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“Mas tem carros lá?” É claro que tem. E há cidades grandes, metrópoles cheias de prédios (com mais de 390 mil habitantes, a capital Honolulu é a 46ª cidade mais populosa dos EUA), ruas, estradas e, claro, carros. A verdade é que a capital fica na ilha de Oahu, terceira maior do arquipélago e casa de Ou você achou que o estado todo era uma enorme praia com surf music rolando 24 horas por dia?

O arquipélago do Havaí, na verdade, tem uma bela cena automotiva — que, como era de se esperar, é bastante diversificada. Isto por que, ficando bem no meio do Pacífico (e um tanto distante da fiscalização federal do continente), o Havaí acaba recebendo muito mais carros nipônicos do que acontece no continente.

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“Diversidade” é a resposta que mais se ouve ao perguntar qual é a melhor coisa da cultura automotiva local aos havaianos. E, de fato, ao olhar as ruas da região metropolitana de Oahu pela noite, o que se vê são carros de todos os tipos e tribos, pasme, andando juntos!

E não somos só nós que estamos falando, não! Um cara chamado David Patterson, conhecido como “ThatDudeinBlue” no Youtube, tem um canal dedicado a documentar a cultura automotiva de rua pelos EUA, e também a fazer reviews em vídeo de carros preparados por gente comum, e não empresas de tuning ou fabricantes de automóveis.

No vídeo acima, que foi o resultado de sua viagem ao Havaí, isto fica bem claro: vemos carros com suspensão a ar, cambagem absurdamente negativa e carroceria impecável andando lado a lado com projetos que deixam claro sua preocupação única com o desempenho como se simplesmente não existissem diferenças entre suas preferências. Porque, no fundo, todos são entusiastas, não é mesmo?

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Esta união, de acordo com os gearheads da ilha, é indispensável. De acordo com alguns dos entrevistados, não há autódromos em Oahu que possam ser usados para track days — até havia, mas era uma pista particular e seu dono a fechou já alguns anos, aparentemente porque “se cansou dela”. Eles dizem, porém, que houve um bom motivo para que a pista não abra novamente: as autoridades arrecadam bastante dinheiro com multas por excesso de velocidade. É uma discussão que sempre gera polêmica, é verdade, mas há algo indiscutível: quando não há apoio para os que têm carros como estilo de vida, é preciso que os membros da comunidade se unam.

Assim, nos passeios noturnos, dezenas de carros seguem o mesmo caminho e, caso alguém se perca, todos o ajudam a achar o caminho. E não importa se o carro é um importado do Japão, um compacto europeu ou um muscle car das antigas: a única tribo que existe é a dos entusiastas.

E esta diversidade se reflete, obviamente, nos projetos dos entusiastas. Isto fica bem claro em um dos maiores eventos de Oahu, o Wekfest Hawaii, que acontece uma vez por ano e reúne centenas de carros customizados. Ali, fica claro que a densidade de carros japoneses é bastante grande e que as tendências estéticas famosas no mundo todo são um pouco deixadas de lado — cada entusiasta havaiano prefere deixar seu carro com sua própria cara. E, novamente, é curioso ver a galera do stance junto com os caras que só se preocupam com o desempenho do carro, sem provocações ou desentendimentos.

Aliás, os próprios carros ficam todos meio que misturados no hall de exposições Neal S. Blaisdell, que fica no centro de Honolulu — e, é claro, também há uma galera no estacionamento do lado de fora.

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Junto de modelos como o Mazda Miata, o Toyota Supra, o Nissan Skyline e o Subaru Impreza, há uma boa quantidade de carros americanos (parece que os havaianos têm uma predileção especial pelo Ford Mustang) e alguns veículos mais exclusivos, como este Porsche 911 com kit da Liberty Walk que apareceu na edição 2016 — que, aliás, rolou no último fim de semana, entre os dias 4 e 6 de março.

Fica difícil não repetir o que David diz em determinado momento de seu vídeo: esta união da cultura automotiva havaiana é algo que poderíamos aprender aqui — respeitar as preferências automotivas diferentes das nossas. Não pode ser tão difícil.

 

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