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A Ferrari 312 T3 de Carlos Reutemann e Gilles Villeneuve precisa de um novo dono

Que tal uma Ferrari de procedência, com histórico conhecido e um belo motor de 12 cilindros e mais de 500 cv? Soa interessante, claro. Mas e se dissermos que não é uma Ferrari de rua, e sim um bólido da Fórmula 1 do fim da década de 1970?

Trata-se da Ferrari 312 T3, um dos últimos carros da Scuderia a insistir nos motores de aspiração natural. E não era qualquer motor, e sim o flat-12 de três litros usado pelos italianos desde 1970 e, com tanto tempo de pista, havia sido aperfeiçoado o bastante para ser um dos mais confiáveis e potentes da categoria.

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O 312 T foi o carro que veio depois do 312 B, que ainda parecia um charuto sobre rodas. Ainda que já usasse o motor como componente estrutural, conceito popularizado pela rival britânica Lotus, o 312 B ainda não dava muita atenção à aerodinâmica e foi um carro apenas razoavelmente bem sucedido, com dez vitórias em 70 corridas entre 1970 e 1975. Parte do problema era sua dinâmica excessivamente sub-esterçante, que causava muitas reclamações vindas dos próprios pilotos.

Foi por isso que Mauro Forghieri, o engenheiro da Scuderia na época, decidiu projetar um carro radicamente diferente. Ainda que a estrutura seguisse o mesmo conceito geral, com chassi tubular de aço, havia conceitos fundamentalmente diferentes: a carroceria era muito mais estreita na dianteira e baixa na porção central, além de trazer elementos aerodinâmicos mais sofisticados e eficientes. A transmissão passou a ser transversal (daí o “T” no nome do carro), e ficava à frente do eixo traseiro, melhorando a distribuição de peso e reduzindo a inércia polar nas curvas. Havia uma caixa de ar atrás do cockpit, que ventilava o motor, mas esta foi abandonada em 1976, quando foi lançada a Ferrari 312 T2, em favor de um arranjo com entradas de ar e radiadores nas laterais.

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Note como o banco avança até a parte anterior do cockpit, apoiando as pernas do piloto de forma minimamente mais confortável

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O novo carro deu resultado, e a Ferrari abocanhou os títulos de construtores de 1975, 1976 e 1977 graças à 312T e à 312 T2. Em 1978, foi apresentada a Ferrari 312 T3.

A principal novidade era a nova suspensão dianteira, retrabalhada para usar pneus radiais Michelin (antes, a Ferrari usava os Goodyear), acompanhada de um novo perfil ainda mais baixo e quase totalmente plano, que otimizava o fluxo de ar para a asa traseira e garantia um aumento significativo no downforce. Gilles Villeneuve e Carlos Reutemann estrearam a Ferrari 312 T3 na terceira corrida da temporada de 1978, o Grande Prêmio da África do Sul. E foi exatamente o carro das fotos, de chassi 032, que Villeneuve pilotou naquela prova.

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A Ferrari 312 T3 sem a parte de cima da carroceria. Veja como o motor flat-12 (um V12 com um ângulo de 180° entre as bancada de cilindros) era largo. Esta foi uma das principais limitações do projeto no ano seguinte, 1979, quando a Ferrari decidiu experimentar o efeito solo, que exigia um carro bem mais estreito

Não foi uma corrida exatamente brilhante: tanto Villeneuve quanto Reutemann abandonaram na 55ª volta. Em sua defesa, o carro ainda não estava 100% pronto – e ainda havia o fato de o ano de 1978 ter sido dominado pelo revolucionário Lotus 79 e sua carroceria com efeito solo.

Isto não impediu, porém, que a Ferrari 312 T3 032 obtivesse sucesso. Ainda naquele ano, Reutemann assumiu o volante e, além de conquistar a pole position no GP de Monaco, venceu o Grande Prêmio dos EUA em Long Beach, na Califórnia. No fim das contas, a Ferrari ainda ficou com o segundo lugar no campeonato.

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A Ferrari sempre foi vermelha, mas naquela época os detalhes brancos e amarelos tornavam seu visual mais “alegre”, por assim dizer. Nestas fotos, também é possível perceber como os sidepods do carro eram bem mais baixos do que o cockpit, aumentando o fluxo de ar direcionado à asa traseira

Depois disso, a Scuderia começou a trabalhar na Ferrari 312 T4, primeiro bólido da equipe a contar com o efeito solo, o que tornou a 312 T3 imediatamente obsoleta. Este exemplar em específico foi, então, vendido a um colecionador francês chamado Jacques Setton antes de, em 1987, ser vendido para outro colecionador, desta vez nos EUA. Agora, o carro está à venda novamente.

A concessionária britânica Fiskens, que no mês passado já teve aqui exposto um Alfa Romeo 8C 2300 Zagato, é quem oferece o bólido. Eles não dão detalhes a respeito das condições do carro, e dizem apenas que ele já participou três vezes do GP de Monaco, como parte da FIA Masters Historic F1, a categoria para clássicos da Fórmula 1 sobre a qual falamos aqui recentemente. Presumimos, portanto, que o 312 T3 está em boas condições e com mecânica em ordem. Naturalmente, o preço não foi revelado mas, honestamente, isto é só um detalhe.

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Pneus slick, sim. Mas olhe só como a roda era bem mais parecida com as que os carros usavam nas ruas

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