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Car Culture

Quando a Ferrari tentou fazer um motor de dois cilindros para a Fórmula 1

Os motores de dois cilindros sempre foram relacionados à economia de combustível — desde o motor dois-tempos do Trabant aos atuais Fiat TwinAir vendidos na Europa. Também por isso eles nunca tiveram muita potência ou cilindradas superiores a um litro, mas nos anos 1950 alguém decidiu instalar um motor de dois cilindros e 2,5 litros em um carro de Fórmula 1. Que tipo de maluco faria isso?

Ninguém menos do que a toda poderosa Ferrari.

Essa história maluca aconteceu em 1954, depois que o regulamento da Fórmula 1 baniu os compressores mecânicos e limitou a cilindrada dos motores a 2,5 litros de deslocamento. Diante disso, o engenheiro Aurelio Lampredi, que trabalhava para a Scuderia de Enzo Ferrari, pensou em uma forma de entregar mais torque às rodas para as pistas mais travadas do calendário.

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Os novos motores aspirados tinham cilindrada maior que os anteriores sobrealimentados, mas como precisavam de menor curso dos pistões para conseguir velocidades mais altas o torque em rotações mais baixas era menor — especialmente sem um compressor para ajudar. Por isso Lampredi pensou em um motor que pudesse solucionar esse “problema”.

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Durante o intervalo entre as temporadas de 1954 e 1955, ele trabalhou no projeto de um motor bicilíndrico de 2,5 litros, para ser usado no GP de Mônaco de 1955. Este novo motor era praticamente uma variação do quatro-cilindros, com 118 mm de diâmetro e 114 mm de curso, ele tinha oito válvulas e quatro velas — como se ele tivesse unido as câmaras de combustão em pares.

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Só que na hora de testar o motor em bancada, Lampredi descobriu que ele vibrava excessivamente a ponto de quebrar o virabrequim. Assim, apesar do torque mais alto — os números nunca foram divulgados — a aplicação prática do motor de dois cilindros era inviável e o projeto foi abandonado.

No GP de Mônaco de 1955 a Ferrari correu com o motor 555 2.5 de quatro cilindros, que levou o francês Maurice Trintignant à única vitória da Scuderia naquela temporada.

O fracasso do motor de dois cilindros foi o começo do fim da era Lampredi na Ferrari. Ele ainda tentou desenvolver novos motores para a equipe — primeiro um novo quatro-cilindros e depois um seis-em-linha —, mas nenhum deles agradou Enzo e Lampredi deixou a scuderia, dando lugar a Gioacchino Colombo, responsável pelos motores mais lendários da história da marca.

 

 

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