A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #169

A história do meu Fiat 147 “Racing” Turbo, o Project Cars #169

“Chega uma hora na vida do jovem brasileiro, em que ele tem um dever a cumprir. Por isso o Fiat 147 está aqui.” Essa é a frase inicial do comercial abaixo, no ano de lançamento da variante do Fiat 127 italiano no Brasil.

Minha história com este carro iniciou ainda antes de eu nascer. Na época em que fui gerado lá pelos idos do verão de 1987 meu pai, Ruy Franceschini (in memorian), havia comprado um 147 Racing 1982 verde. O velho estava apaixonado pelo carro, que era usado para viagens até a cidade vizinha de Caxias do Sul e pequenos trajetos dentro da pacata cidade de São Marcos/RS, hoje sede de um dos maiores mais prestigiados encontros de carros antigos do RS.

foto 1

Na foto acima temos meu irmão Rodrigo e eu, usando uma espécie de moicano com corte penico (vai saber qual era a idéia dos pais na época) e nosso lendário Chevette branco equipado com ar-condicionado (!) ao fundo.

O encontro de São Marcos em 2014

O motivo da paixão do meu pai pelo carro é simples de entender. A geografia da Serra Gaúcha muito se assemelha à do país onde o 127 foi projetado, deixando o pequeno carro de 780kg, suspensão independente nas quatro rodas e posicionamento do powertrain transversal no seu habitat natural. Essas características, aliadas ao motor de 71cv (relação 10,98kg/cv) davam ao carro um comportamento dinâmico no mínimo interessante.

O outro motivo é o amor pela terra natal dos avós, que vieram da Itália no início do século XX igual àquela novela da Globo. Todos da família compartilham desse amor, mesmo que com menos intensidade que o velho fazia.

Fiz parte da geração Gran Turismo, tendo jogado com dedicação os dois primeiros jogos e boa parte dos carros exóticos japoneses, europeus e americanos que tenho conhecimento vi lá e posteriormente pesquisei pra saber as características de cada um. Quando vejo pessoalmente carros que vi no jogo como Mitsubishi 3000GT, Subaru, american muscles e esportivos europeus não tem como não me emocionar.

Quando tinha 17, quase 18 anos (nessa idade conta-se os dias pela CNH) consegui uma pequena reserva de dinheiro depois de vender meus vídeo games, bikes (Caloi Cross alguém aí?) e ganhar uns trocados de presente da avó. Eu queria um carro e tinha que ser barato.

Após muitas tentativas meu pai cedeu e fomos atrás de carros. Olhamos juntos Chevette (eram muito caros para o meu bolso, tipo R$5.000), Fuscas (valiam igual aos Chevette), Fiat 147 (todos em estado lastimável por ao menos R$4.000) e em um desses dias vimos um 147 dourado aos pedaços em Caxias do Sul, parando praticamente na esquina a nossa frente. Consentimos em atacar o motorista da macchina, que havia acabado de pegar o carro por uma dívida de R$800. Avaliamos o carro e estruturalmente ele estava perfeito apesar de bancos, pneus e pintura estarem lastimáveis. Após algumas ofertas, o antigo dono entregou o carro por R$1.400 e eu tinha um carro… ou quase isso.

foto 2g

Aqui começou a saga, eu não tinha grana, meu pai tinha uma C10 que havíamos pintado chassi, motor etc. Então tínhamos algumas ferramentas e uma pequena experiência. Vou meter a mão no meu carro!

Sem o velho não tinha saído nada aqui

Usei o carro pouco tempo até que um chapeador viu o carro na minha casa e disse ser um carro facilmente restaurável pois era alinhado e de boa estrutura. Fechamos um preço de migalhas (para os padrões atuais) e após alguns meses o carro estava pintado de preto Cadillac.

Depois de algum tempo o carro foi ficando como eu queria esteticamente e assim ele foi usado quase que diariamente. Suspensão de rosca e rodas do Alfa Romeo 145 Quadrifoglio deixavam o carro com aspecto Racing.

foto 5

Nesse momento eu queria motor e o original de 1050cm³ não ajudava muito. Os parcos 55cv entregues pelo projeto do Sr. Aurélio Lampredi podiam ser excelentes para autonomia no uso urbano mas deixam a desejar na hora do modo soviético. A solução? Meter a mão na graxa. Quem sabe um turbo? No próximo post conto mais. Até lá!

Por Giovanni Franceschini, Project Cars #169

0pcdisclaimer2

Matérias relacionadas

A saga da restauração de um Opala – a história do Project Cars de Charles Santos

Juliano Barata

Project Cars #50 – realizando o sonho de ter um Civic VTi na garagem

Leonardo Contesini

Project Cars #64 – a história do Puma GTB S2 de Victor Giusti

Leonardo Contesini