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A nostalgia e a customização de Need For Speed Underground, o game que mudou a história da franquia

Está todo mundo empolgadaço com o novo Need for Speed. Batizado simplesmente como Need for Speed, o game será o 22º lançamento na cronologia principal da franquia — o primeiro foi The Need for Speed, que surgiu  em 1994 e foi feito em parceria com a revista Road & Track. Desde então, a série mudou de cara algumas vezes (como detalhamos neste post): no início, o barato eram as corridas com superesportivos em belas estradas. Depois, vieram as perseguições policiais, a customização e até uma fase “quase simulador”, com os NFS Pro Street e Shift.

No entanto, nenhuma revolução foi tão grande quanto a que aconteceu há 12 anos, em 2003, quando Need for Speed Underground foi lançado. Para muita gente, especialmente a galera mais nova, tanto NFSU quanto a sequência, Need for Speed Underground 2, são os maiores clássicos da franquia. E, diga o que quiser (ou o que suas lembranças do tuning do início da década te fizerem dizer), ambos merecem o título.

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O lançamento de Underground marcou o primeiro grande reboot da franquia Need for Speed, alterando drasticamente o visual, os modos de jogo e diversos outros elementos que fizeram dos títulos anteriores, como Porsche Unleashed e Hot Pursuit, sucessos de público e crítica. Pela primeira vez, o jogador controlava o carro em um ambiente livre e aberto, dirigindo por uma cidade e passando por pontos pré-determinados não apenas para cumprir missões, mas para comprar carros e customizá-los. Algo como Grand Theft Auto, mas sem trocae de tiros ou roubar carros de forma nada discreta sob  plena luz do dia.

No entanto, a maior mudança foi na filosofia do game. Se, antes, o barato era poder pilotar alguns dos esportivos e supercarros mais cobiçados de todos os tempos no mundo virtual, disputando corridas e fugindo da polícia (ou sendo a polícia), em Underground você podia modificar qualquer carro, personalizando seus componentes mecânicos e estéticos de forma inédita. Isto também abriu caminho para que carros mais comuns e baratos entrassem em cena, aproximando-se um pouco mais da realidade de milhões de jogadores.

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É impossível não ligar Need for Speed Underground a outro ícone do início da década: o primeiro filme da saga “Velozes e Furiosos”, que de 2001, que pode ser considerado o marco zero na ploriferação da cultura de rua inspirada pela cena automotiva de Los Angeles, com suas cores vibrantes, luzes de neon, body kits espalhafatosos, DVDs, TVs e consoles de videogame no interior e estas coisas todas. Admita, cara: você achava isso tudo o máximo há 10 ou 15 anos — sim, já faz todo este tempo.

Com a molecada toda doida pelos carrões tunados de Fast and Furious, o lançamento de um game de peso que te deixasse fazer carros parecidos (ou mesmo idênticos) ao da telona, por si só, já seria garantia de sucesso. No entanto, para completar, Underground era divertido demais de se jogar.

Para começar, há o mundo aberto (que, no dialeto gamer, é chamado de sandbox). Mesmo que não existissem missões ou customização ou nada disso, pode ter certeza que seria bacana — este tipo de coisa era uma revolução na época, pois tornava o envolvimento com o game muito maior. Além estar dentro do “seu” carro e poder fazer o que quisesse, você tinha que dirigir até o local onde seria realizada uma corrida ou desafio. Com um pouco de imaginação, era como se você estivesse mesmo indo até o local da disputa. Esta característica foi essencial para o carisma dos dois títulos da série Underground.

NFSU foi desenvolvido pela Black Box Studios, a mesma empresa que ficou responsável pelo port de Hot Pursuit 2 para o Playstation 2. O sucesso do game, que foi elogiado por seus gráficos e jogabilidade, levou a EA Games a encarregar a Black Box de todo o desenvolvimento do novo título. Foi a decisão certa.

Se consideramos que há títulos com centenas de carros diferentes hoje em dia, os 20 carros de Need for Speed Underground parecem uma miséria. No entanto, mesmo com poucos carros, havia uma variedade interessante — de versões apimentadas de carros comuns, como o VW Golf GTI, o Peugeot 206 S16 e o Ford Focus ZX3; a verdadeiros modelos esportivos icônicos, como o Subaru Impreza WRX, o Nissan GT-R e o Mazda RX-7. Supercarros, por outro lado, ficaram em segundo plano. O barato era transformar um carro de rua comum em um foguete — uma versão virtual do “built, not bought”.

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Ainda que a preparação mecânica não fosse tão detalhada (como, digamos, em Gran Turismo (no qual, além de comprar todo tipo de componente para o motor, você tinha a opção de acertar diversos detalhes de suspensão, motor, freios e muito mais), limitando-se a pacotes de upgrades, Need for Speed Underground levava a personalização dos carros a outro nível.

Além das cores dos carros, você podia trocar as rodas; instalar aparatos aerodinâmicos como saias laterais, asas traseiras e novos pára-choques (e mudar seu formato); trocar a pintura normal por tinta fosca, perolizada ou camaleão; e colar decalques personalizados. Quem diz nunca tentou fazer o Toyota Supra ou o Nissan Skyline de Brian O’Conner em Underground provavelmente está mentindo.

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Apesar de toda a atmosfera de corridas ilegais noturnas, rachas, fugas da polícia e disputas entre gangues de pilotos rivais, NFSU não teve problemas em licenciar não apenas as marcas e modelos de automóveis, mas também componenes aftermarket famosos. Os itens que você compra para colocar em seu carro são “fornecidos” por empresas como HKS, NOS, Jackson Racing e AEM, garantindo a autenticidade das suas aventuras pelo mundo do tuning virtual.

A trilha sonora também cumpria seu papel — na verdade, Need for Speed Underground foi o primeiro título da franquia a dar mais importância às músicas licenciadas na trilha sonora. Saca só o naipe da seleção, que incluía sucessos e hits de artistas independentes de rock, rap e eletrônica:

Aproveite e dê o play para entrar no clima

  • Overseer – Doomsday
  • The Crystal Method – Born Too Slow
  • Rancid – Out Of Control
  • Rob Zombie – Two Lane Blacktop
  • BT – Kimosabe
  • Static-X – The Only
  • Element Eighty – Broken Promises
  • Asian Dub Foundation – Fortress Europe
  • Hotwire – Invisible
  • Story Of The Year – And The Hero Will Drown
  • Andy Hunter – The Wonders Of You
  • Junkie XL – Action Radius
  • Fuel – Quarter
  • Jerk – Sucked In
  • Fluke – Snapshot
  • Lostprophets – To Hell We Ride
  • Overseer – Supermoves
  • FC Kahuna – Glitterball
  • Blindside – Swallow
  • Lil Jon & The Eastside Boyz – Get Low
  • Mystikal – Smashing The Gas
  • Dilated Peoples – Who’s Who
  • Nate Dogg – Keep It Coming
  • X-Ecutioners – Body Rock
  • Petey Pablo – Need For Speed
  • T.I. – 24’s

“OK, mas e na hora de jogar?” Você não prestou atenção? NFSU era animal!

O prato principal do game era o modo Underground, no qual você seguia a história — que envolvia disputas com pilotos rivais espalhados pela cidade, que lhe procuravam por mensagens de texto e eram apresentados por cutscenes bacaninhas. À medida em que você avançava no game, ganhava dinheiro, os carros de seus oponentes e o direito de comprar os possantes mais… possantes. E o que você fazia? Os deixava ainda mais possantes.

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E ainda dizia que era bonito

As corridas eram divididas em três tipos: racedriftdrag. No primeiro tipo, havia as corridas em circuitos comuns, com um número pré-determinado de voltas ou um trecho com início e fim. No segundo, você apertava um botão para entrar no modo drift e acumulava pontos a cada derrapagem controlada. No terceiro, obviamente, você disputava uma arrancada. No total, eram mais de 100 missões obrigatórias, e tudo isto garantia uma boa variedade ao modo história.

Havia, também, corridas rápidas — você escolhia seu carro, o número de oponentes e a quantidade de tráfego, podendo usar carros pré-carregados no game ou algum dos veículos da sua própria garagem. Sem falar no modo online, que permitia que você disputasse corridas com oponentes reais pela internet. Ainda que os jogos online estivessem engatinhando na época, esta foi outra inovação importante, que se tornou um recurso onipresente em diversos gêneros de games desde então.

No entanto, o maior legado de NFSU foi seu sucesso. Uma mudança tão grande na filosofia da franquia poderia ter dado muito errado ou muito certo. Como o que ocorreu foi a segunda opção, Underground acabou por estabelecer uma fórmula que, com variações aqui e ali, acabou aproveitada em quase todos os títulos que se seguiram.

Underground 2 adicionou mais carros, mais músicas e mais modos de customização, além de gráficos melhores. Já Most WantedCarbonRivals e The Run, por sua vez, aproveitaram certos aspectos — como o mundo aberto, a customização e a variedade de carros —, mas adicionaram seus próprios elementos. A EA até tentou seguir por outros caminhos, como o da simulação com Pro Street Shift, mas a preferência dos gamers mostrou ser mesmo pela cultura de rua.

Desde o lançamento de Need for Speed Underground 2, em 2004, os fãs da franquia pedem por um terceiro título. Ainda que, em meados de 2015, boatos a respeito de um suposto Underground 3 tenham se espalhado, isto não aconteceu. Ao menos não oficialmente, pois é exatamente este o apelido que os entusiastas de Need for Speed já deram ao reboot, cujo lançamento está previsto para o mês que vem para Playstation 4 e XBox One, e para o primeiro quadrimestre de 2016 no PC.

Um dos vídeos mais recentes divulgados pela EA mostra exatamente o modo de customização — quem assistiu e não lembrou dos mítico NFSU, simplesmente não jogou.

Estamos tão ansiosos quanto vocês para descobrir como será este tal reboot, e se o apelido de “Need for Speed Underground 3” será justificado. E nós descobriremos, sim — em breve, estaremos no evento da EA Games para o lançamento do novo Need for Speed no Brasil. E é claro que traremos as nossas impressões, de flatouter para flatouter. Fiquem ligados!

 

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