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A Porsche restaurou o 911 mais antigo do planeta – veja os detalhes do processo!

Antes de se chamar 911, o esportivo mais emblemático da Porsche se chamava 901. Os alemães foram obrigados a rebatizar seu carro por causa da Peugeot: a marca francesa era dona dos direitos sobre todas as combinações de três algarismos com um zero no meio (sabe como é, só por precaução). Foram fabricados apenas 82 exemplares – protótipos para acertar detalhes de design e qualidade de construção e acabamento – mas nenhum deles foi vendido ao público. O que não impediu alguns dos carros de irem parar nas mãos de entusiastas.

Foi só recentemente, em 2014, que o museu da Porsche, conseguiu colocar as mãos em um deles: o carro de chassis 300057, ou seja, o 57º a ser construído. Depois de passar os últimos três anos sendo meticulosamente restaurado, finalmente o carro foi exibido pela primeira vez aos visitantes do museu, que certamente tiveram a experiência mais próxima possível de voltar no tempo e ver de perto um Porsche 901 zero-quilômetro em 1964.

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Exagero? Não, de verdade. O carro foi restaurado por especialistas da Porsche Classic, que é a divisão da companhia responsável por manter o acervo do museu, recuperar carros de corrida históricos e catalogar da forma mais detalhada possível o passado da Porsche. E eles receberam instruções bem claras para garantir a autenticidade do Porsche 901 #57, preservando todos os itens originais que pudessem ser preservados. O vídeo abaixo mostra algumas etapas do processo, mas o que você quer mesmo é saber em detalhes. Então, nos acompanhe.

Foi em 5 de agosto de 2014 que Alexander Klein, curador do museu Porsche, recebeu um telefonema de uma estação de TV alemã, dando a dica de que dois exemplares do 911 clássico haviam sido encontrados no celeiro de uma antiga fazenda no estado de Brandenburg.

Onze dias depois, técnicos da Porsche foram até o local para dar uma conferida. Eles constataram que um deles era um 911L de 1968, com carroceria dourada e claros sinais de um projeto de restauração frustrado. O outro, escondido no fundo do celeiro, sob uma grossa camada de poeira, tinha o número 300057 marcado na plaqueta. Não restaram dúvidas de que era um autêntico 901.

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Descobriu-se depois que o antigo dono dos carros havia comprado primeiro o carro quando jovem e o dirigiu bastante. Depois, ele se casou, comprou um carro maior e deixou o 911 dourado em seu celeiro, com planos de restaurá-lo. Em determinado momento, ele achou que era uma boa ideia comprar outro 911, mais antigo, para restaurar também. Quem já teve um project car sabe o quanto é difícil trabalhar em um carro só. Imagine dois! Pois então, aconteceu algo que já era bem provável: o homem jamais conseguiu terminar nenhum deles.

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A Porsche, então, fez uma oferta: € 14,5 mil (cerca de R$ 57,2 mil em conversão direta) pelo 911 de 1968 e impresionantes € 107 mil (R$ 422,1 mil!) pelo carro de 1964. O homem jamais imaginou que seu carro valesse tanto, e aceitou na hora.

O primeiro carro seria preservado como estava, como documento histórico. O segundo seria o centro das atenções.

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O trabalho começou com a desmontagem. O que não foi muito difícil, na verdade: os para-lamas dianteiros já não existiam mais e boa parte da estrutura estava consumida pela corrosão.

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Para remover a pintura e verificar o real estado da carroceria, o carro foi banhado em ácido. É um processo bem menos agressivo que o famigerado jateamento, e o resultado é impressionante quando se chega ao metal nu. É possível ver todos os locais onde foi usada uma lixadeira – são as partes mais claras da carroceria.

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Para recuperar componentes como longarinas, reforços da lataria, caixas de ar e outros componentes, um Porsche 911 de 1965 foi desmontado para doar peças. Os técnicos da Porsche chegaram ao ponto de fazer um recorte triangular em cada ponto de solda do carro de 1965 e transplantá-lo para o 901, quando necessário.

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Também foi preciso refazer do zero os dutos do sistema de ar quente, que aproveitava o calor do motor. Nos modelos mais recentes, eles passavam por baixo do eixo traseiro, e não por cima. Por isso, foi preciso fabricá-los do zero.

No total, o trabalho de restauração da carroceria levou um ano inteiro entre moldagem, solda e montagem das peças, uma por vez.

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Depois, na hora de instalar faróis, para-choques e demais acabamentos, os técnicos também tiveram de garantir que todas as folgas, vãos entre os painéis e posicionamento de elementos como para-choques, frisos, grades, retrovisores e iluminação estivesse 100% de acordo com as especificações originais. Tudo isto antes de aplicar a pintura.

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Por dentro havia boa parte dos itens originais, mas seu estado estava deplorável. Os bancos dianteiros originais, cujo estofamento central de tecido tinha seis gomos, estavam no carro de 1968, e os bancos deste estavam em um amontoado de outras peças que acompanharam os dois carros.

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Os bancos tiveram seu revestimento e seu estofamento restaurado, assim como as “almofadas” traseiras que permitiam ao 911 ser chamado de “2+2”. O acabamento de madeira do painel e os instrumentos foram todos recuperados, assim como as forrações das portas e o revestimento de vinil do teto, que teve seu padrão de furos reproduzido usando uma ferramenta original dos anos 60. Os vidros originais foram preservados, assim como o volante.

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Um dos componentes que mais deram trabalho foi o cinzeiro. A peça retrátil no painel possui, em um dos lados, um suporte para charuto, e o mesmo estava totalmente corroído. Foi preciso construir uma peça nova, e o trabalho ficou por conta dos trainees do Porsche Classic, que confeccionaram o novo suporte usando um molde de madeira.

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A carroceria foi pintada na cor Signal Red 6407. No entanto, a tinta vermelha original, feita à base de solventes, deu lugar a uma tinta a base de água. Além disso, a pintura foi feita da mesma forma que em um 911 atual, incluindo todo o tratamento anti-corrosão. Nestas horas, seguir a originalidade à risca não compensa: a nova pintura é muito mais durável e resistente aos efeitos da exposição aos elementos.

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A última parte do carro a ser recuperada foi o motor. Os cabeçotes foram removidos facilmente, mas os pistões estavam emperrados no cilindros. Foi preciso aplicar doses cavalares de removedor de ferrugem e soprar ar quente durante algumas horas para conseguir retirar os cilindros. A maioria dos componentes internos foi trocada por peças novas – com exceção do comando direito, que pôde ser recondicionado.

Esta foi uma das etapas mais demoradas do processo: o motor só ficou pronto no início de 2017. O casamento do carro com o motor aconteceu em junho, e os últimos testes puderam ser realizados ante que a restauração o Porsche 901 nº 300057 fosse, finalmente, concluída. Abaixo, você confere algumas fotos do carro pronto.

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