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A restauração do BMW 507 de Elvis Presley ficou pronta – e é claro que ele ficou absurdamente lindo

Em quatro de agosto de 2014, a BMW anunciou que iria restaurar o BMW 507 de Elvis Presley. Por quê? Veja bem, só nesta primeira frase temos dois bons motivos: além de ser um dos carros mais bonitos já feitos pela marca bávara, ele pertenceu ao Rei do Rock quando este ainda era jovem e estava na Europa a serviço do exército americano.

Elvis serviu por três anos, de 1958 a 1960. Ele já era um ídolo naquela época — sua carreira deslanchou em 1956, e sua chegada ao exército, com apenas 23 anos de idade, foi um verdadeiro acontecimento para a mídia. O então jovem cantor disse estar ansioso para servir a seu país, e afirmou que não queria ser tratado de forma diferente. “O exército pode fazer o que quiser comigo”, ele declarou na época.

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Elvis Presley pode até não ter sido tratado de forma diferente, mas sua estadia no exército passou longe de ser “normal”. No dia 1º de outubro de 1958, Elvis foi enviado para Friedberg, na Alemanha. Lá, ele começou a aprender karatê (que, mais tarde, incorporou em suas apresentações no palco) e conheceu Priscilla Beaulieu, que tinha então 14 anos de idade — e, sete anos e meio mais tarde, se tornaria Priscilla Presley.

Por mais que não tenha se apresentado ao vivo durante seu período no exército, Elvis conseguiu ficar ainda mais famoso — sua gravadora, a RCA, tinha uma boa quantidade de material inédito e soltou foi soltando aos poucos. Assim, entre sua entrada no exército e seu desligamento, Elvis emplacou nada menos que dez músicas entre as 40 mais tocadas nos EUA.

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Assim, era natural que ele tivesse grana para bancar um BMW 507 zero-quilômetro. O roadster foi apresentado pela primeira vez no Salão de Frankfurt de 1955 e começou a ser vendido em 1956. A ideia era conquistar o mercado americano, e nada melhor para isto do que um conversível esportivo com motor V8 na dianteira.

O motor era um V8 de 3,2 litros, 150 cv e 24 mkgf de torque que era capaz de levar o 507 até os 100 km/h na casa dos dez segundos (uma marca ótima para 60 anos atrás) e máxima de 220 km/h. Tinha tudo para ser um sucesso, não fosse por um fator: o preço. Enquanto a BMW planejava que o carro custasse, no máximo, US$ 5.000 (cerca de US$ 44 mil, ou R$ 142 mil, em dinheiro de hoje), os custos de desenvolvimento e da produção artesanal acabaram por elevar o preço final para US$ 10.500 (US$ 93 mil, ou por volta de R$ 300 mil, em dinheiro de hoje). Você pode ler mais sobre a história do BMW 507 neste post.

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Assim, em vez das 5.000 unidades anuais previstas pela BMW, apenas 262 carros foram fabricados entre 1956 e 1960. Os americanos preferiam o Corvette, e os alemães ficaram no prejuízo.

De qualquer forma, o BMW 507 também foi vendido na Europa — e Elvis Presley comprou um enquanto morava na Alemanha. Mas ele não comprou novo, e sim de segunda mão, de um cara chamado Hans Stuck. Sim, o piloto!

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Quer dizer, não foi exatamente das mãos de Hans Stuck. O carro foi fabricado em 13 de setembro de 1957 e da linha de montagem foi direto para o Salão de Frankfurt, onde ficou em exibição antes de entrar para a frota de imprensa da BMW. Stuck comprou o carro no mês seguinte e, depois de levá-lo pessoalmente a outros Salões e participar de exposições, passou a correr com ele.

O piloto venceu algumas provas de subida de montanha na Alemanha, na Áustria e na Suíça com o 507 entre maio e agosto de 1958, depois de cada prova, o carro passava por uma revisão cuidadosa na BMW. Então, algumas semanas depois, o carro teve o motor e o câmbio substituídos antes de ir parar em uma concessionária de Frankfurt. O jovem Elvis passava por lá, ficou impressionado depois de fazer um test drive e decidiu comprar o carro.

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O BMW 507 recebeu placas de exportação, como mostram fotos da época, e até que Elvis terminasse o serviço militar, foi registrado em nome do exército com um número que mudava a cada ano. Foi apenas com uma apólice de seguro no nome de Elvis Aaron Presley que veio a confirmação de que o carro era mesmo do Rei.

Elvis dirigia o carro todos os dias de sua casa à base do exército americano, Conta-se que o assédio das fãs era muito grande, e frequentemente o Rei tinha que limpar recados deixados a caneta e marcas de batom da carroceria. Cansado disso, Elvis decidiu pintar o carro de vermelho e ficou com ele até março de 1960, quando foi dispensado do exército.

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A partir daí, as coisas foram ficando meio nebulosas — e só quando o 507 foi recuperado, há poucos anos, é que foi se descobrindo o resto da história. Elvis decidiu vender o conversível vermelho a uma concessionária Chrysler, que o vendeu para um cara chamado Tommy Charles. Este, por sua vez, colocou debaixo do capô um motor Chevrolet e foi disputar corridas com o BMW. Então, em 1963, ele o vendeu.

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Outras duas pessoas não identificadas foram proprietárias do carro antes que, em 1968, Jack Castor o comprasse. Ele era engenheiro espacial na época e adquiriu o 507, em um primeiro momento, para uso diário. Depois, descobrindo sua conexão com Hans Stuck, decidiu restaurá-lo e devolver a ele sua forma original — e, para isso, entrou em contato com a BMW Group Classic, divisão da marca responsável por restaurar modelos antigos.

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Foi um trabalho complicadíssimo. Àquela altura, o carro não tinha mais motor ou câmbio, o eixo traseiro era de outro carro, de origem desconhecida, e apenas a estrutura estava íntegra. Foi preciso separar a carroceria de alumínio do assoalho de aço, remover toda a pintura e dar um banho de ácido em tudo.

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O interior precisou ter diversos componentes fabricados novamente, como o painel de instrumentos, comandos e revestimento de couro dos bancos — usando componentes e fotografias de época como referência. Acabamentos do exterior foram impressos em 3D, e um novo motor foi refeito utilizando uma mistura componentes de época e peças novas, boa parte delas acumuladas por Jack Castor, o último dono do carro, ao longo de décadas.

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E então, exatamente dois anos depois de ter sua restauração anunciada, o BMW 507 que foi de Hans Stuck e Elvis Presley acaba de ser revelado pela BMW em uma bela sessão de fotos. A próxima parada será o Concours d’Elegance Pebble Beach, que acontecerá no dia 21 de agosto durante o Monterey Car Week, na Califórnia.

Para a BMW, o 507 de Elvis é a obra prima do BMW Group Classic — e uma homenagem não apenas ao legado de Hans Stuck e do Rei do Rock, mas também a Jack Castor, que morreu em novembro de 2014, aos 77 anos de idade, meses depois de a restauração do carro ter sido anunciada. É uma pena que ele, um dos maiores responsáveis pelo sucesso da restauração, não possa vê-lo como sempre sonhou.

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