Edição diária: 15/06/2019
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Project Cars Project Cars #122

A saga para um Top: a história dos Miura de João Armas

Olá, pessoal. Me chamo João Armas, moro em Pelotas (RS), tenho 16 anos e um esportivo pra me chamar de meu.  Atualmente divido meu tempo entre o curso de eletrotécnica no Instituto Federal Sul-Rio-grandense (Ifsul) e a vida de atleta de futsal. Nunca fui o estereótipo de gearhead — minha praia sempre foi mais o futebol, mas minha ligação com carros sempre foi forte, mesmo antes do nosso primeiro Miura.

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Nosso primeiro Miura, o Saga antes da restauração.

 

Nossa primeira loucura foi um Saga II 1988, com motor AP 2000 carburado, comprado de uma senhora viúva em 2005. Passamos quatro anos restaurando o carro e ele ficou perfeito — com exceção dos bancos, que conseguimos o padrão original, mas não a coloração.

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O detalhe dos bancos.

 

Então em 2009 partimos para uma viagem rumo à serra gaúcha com a restauração já concluída — o melhor momento da vida daquele carro tirando a época de zero quilômetro —, que coincidiu com um encontro de antigos com o pessoal do Miura Clube RS em Porto Alegre. Meu primeiro encontro, estava no paraíso.

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“Miurão” no encontro de antigos.

 

Dodge Charger, Dart, Puma GTB, Maverick GT, Opala SS, Mercedes SL, essas eram algumas das relíquias presentes. Então, entre um chimarrão e outro, um som forte quebra “silêncio”. Era um Top Sport Turbo e sua clássica “espirrada”. Foi amor à primeira vista: eu e meu pai ficamos loucos por aquele carro, todos os detalhes eram fantásticos. Desde a tampa do farol escamoteável semiaberto, até o pisca sequencial, as linhas arredondadas, o aerofólio baixo — tudo naquele carro era fantástico.

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Este foi o culpado de toda essa loucura.

 

Seguimos viagem, Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Caxias e o “Miurão” sempre bem comportado.

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Na volta para Pelotas conversamos, pensamos e acabamos decidindo comprar um Top, loucura né? A cabeça de um gearhead não tem muita lógica, afinal, é normal terminar de restaurar um carro e entrar em uma “fria” de novo?! (risos). Mas no maior estilo borracho y loco decidimos entrar na peleja por um Top – afinal, sem essa loucura que história teríamos pra contar?

Grana curta, a única saída era vender o Saga e comprar o guri. Agora era hora de solucionar dois problemas: o primeiro era achar um Top Sport relativamente barato, vermelho e no mínimo íntegro. O segundo era achar um comprador legal pro Saga, afinal vender o carro para um maluco qualquer seria jogar fora quatro anos de trabalho.

Começou a busca pelo Top. Depois de vários dias de procura, pintou um em Novo Hamburgo (RS). Pelas fotos não parecia estar tão ruim, pois queríamos um exemplar para reforma mesmo. Mas quando fomos ver… estado deplorável!

Depois disso, apareceu um X11 em Santa Maria, mas não era nosso objetivo. Era um carro interessante, mas não valeria a pena trocar o Saga por um carro que não era o nosso foco. Apesar de ser um modelo raro, não era o que procurávamos.

Fomos batendo na trave, uma atrás da outra, estávamos quase desistindo. Mas, como diria o sábio, “não podemo se entregá pros home de jeito nenhum”! Um ano depois das procuras incessantes apareceu um Top 1991 em São Paulo, faltavam só os emblemas e as rodas originais. Ele tinha corrido até em Interlagos. Os emblemas podemos conseguir com o Gino (presidente do Miura Clube RS), as rodas já temos. Tá feito!

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Achamos o comprador pro Saga; era um colecionador de Caxias. Vendemos o carro, compramos o Top e depois de um mês de espera o carro chegou. Como nunca é fácil, ele chegou cheio de surpresas um tanto desagradáveis…

Na foto acima tem duas delas, vamos ver se vocês descobrem. Até a próxima!

 

Por João Armas, Project Cars #122

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