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Achados meio perdidos

À venda: este GT Malzoni é o mais próximo de um zero-quilômetro que você vai encontrar

Em 1964, Genaro “Rino” Malzoni apresentou um modelo de competição feito sobre plataforma DKW, com carroceria de metal, motor dois-tempos de três cilindros e tração dianteira. O carro teve uma carreira curta, porém bem sucedida no circuito do automobilismo nacional, com cinco vitórias em 1965, sendo que a primeira foi no GP das Américas em Interlagos, na categoria protótipos.

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Não demorou para que os responsáveis pelo projeto decidissem produzir uma série de esportivos baseados naquele primeiro protótipo de corrida, porém com carroceria de fibra de vidro. Era o chamado GT Malzoni, do qual foram produzidas cerca de 35 unidades da primeira leva, que deu origem ao Puma DKW em 1967. A maioria destes carros desapareceu, outros foram restaurados, e é quase impossível encontrar um à venda — o que torna nosso achado de hoje,  uma recriação feita com componentes genuínos e mão de obra de primeira, uma alternativa extremamente interessante.

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Trata-se de uma réplica que usa como base um DKW Fissore 1964, incluindo chassi, motor e diversos itens de acabamento. Foi um trabalho conjunto entre Gustavo Stricagnolo e seu pai, que é ex-funcionário da Audi e, entre 1999 e 2005, restaurou dois DKW GT Malzoni e um Puma DKW incluindo o exemplar nº1 — na foto abaixo, ao lado de Anísio Campos, projetista do Puma.

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Como era feito nos anos 60, o chassi do Fissore foi encurtado — seguindo as medidas exatas do chassi do primeiro GT Malzoni — para receber uma carroceria nova, feita com painéis novos, de fibra de vidro, feitos usando o primeiro carro como molde. Todo o trabalho foi feito por Gustavo e seu pai — fabricação da carroceria, montagem, acabamentos e a preparação da mecânica. O anunciante acredita até que a carroceria, que usa manta de fibra de 5 mm de espessura, pode ser mais leve do que a original.

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Motor e câmbio vieram do DKW Fissore doador. O três-cilindros de dois tempos e 981 cm³ recebeu algumas atualizações para ficar mais potente e confiável: carburador Solex de corpo duplo e 40 mm, pistões novos da Mahle, novos rolamentos, sistema de ignição eletrônica Bosch, com três sensores, vindo do Audi A8 de primeira geração e bomba d’água Volkswagen. A transmissão é original do Fissore, de quatro marchas — que trazia as marchas invertidas: 1ª e 3ª para baixo, 2ª e 4ª para cima, mas foi modificada para o padrão “normal”, além de receber um trambulador com acionamento por cabos. Além disso, a réplica é dotada de freios a disco nas quatro rodas.

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Como já dissemos, todo o trabalho foi feito por Gustavo e seu pai, que só não revestiram os bancos (serviço que ficou com um tapeceiro) e fizeram questão de usar componentes de primeira qualidade: os faróis são do tipo sealed beam fabricados pela americana G&E, as lanternas traseiras são da Lucas (curiosamente, o GT Malzoni original usava réplicas destas lanternas), volante Fittipaldi F1 e painel com capa e quadro de instrumentos do Fissore — exatamente como era nos carros originais.  Os pneus são modernos, da Continental.

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O carro ficou pronto em dezembro de 2014 e, desde então, rodou cerca de 20 km. Com carroceria e diversos componentes, como faróis, lanternas, para-brisa laminado, itens de acabamento (como borrachas e peças de acrílico) totalmente novos, mecânica e elétrica completamente refeitas, dá para dizer que este carro é bem mais do que uma réplica — é praticamente um um GT Malzoni 0 km. A propósito, nos documento o carro está registrado como um DKW Fissore — algo que, segundo Gustavo, provavelmente já acontecia com os exemplares fabricados nos anos 60.

E quanto pedem por ele? R$ 110 mil — valor alto, mas que faz todo o sentido levando alguns fatores em consideração. Primeiro, o fato de que dos cerca de 35 exemplares fabricados na década de 60, apenas 24 deles têm seu paradeiro conhecido, sendo que boa parte deles está em processo de restauração — alguns deles, apenas com a carroceria original (ou parte dela) e chassi de outros modelos DKW. Além disso, é preciso lembrar que você não encontrará um exemplar original anunciado nos classificados da internet — esse tipo de raridade é vendido no boca-a-boca entre colecionadores e especialistas.

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Também não podemos esquecer que esta recriação foi feita exatamente do mesmo modo que os carros originais, usando o primeiro exemplar fabricado como matriz para a carroceria, que por sua vez foi colocada sobre um chassi DKW. Sem dúvida, é muito mais que uma mera réplica — é praticamente o 36º exemplar, fabricado 50 anos depois. O que você acha? Se você ficou interessado, pode entrar em contato com Gustavo pelos telefone (11) 9 9334 5635 ou pelo email [email protected].


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

 

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