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Aceleramos em Interlagos no Speed Experience: 192 Sandero RS! E bate papo com pilotos de teste do RS200

Antes daquele 29 de julho, nunca havia ficado numa fila de carros em Interlagos que já começasse no portão de acesso aos boxes, mas para tudo há uma primeira vez. A sensação era de estar na fila da balsa para Ilhabela durante o carnaval, tanto pelo volume de automóveis aglutinados quanto pela sensação de que a festa estava rolando lá do outro lado da margem: o traçado do Autódromo de Interlagos. Nada menos que 192 Sandero RS reunidos na sétima edição do Track Day Speed Experience organizado pela Renault, que desta vez conquistou o título de maior evento RenaultSport já organizado na história.

Mas não era uma data importante apenas para a Renault: aquele foi um dos dias mais importantes da Ordospec, fabricante de upgrades tanto de motor quanto de suspensão e drivetrain, além de itens de personalização para o Sandero RS. Todos os seus pilotos de teste que estão validando o kit aspirado RS200 – que será lançado em breve, pois a fabricação dos itens em série já começou – estariam presentes: Bruno Figueiredo, Hebert Cangueiro (organizador do HTD Track Day), Ingmar Biberg (o “guinho” da Injepro) e Márcio Maia, que tem todo o expertise como piloto de teste e desenvolvimento da Renault. Seria a chance de todos verem estes carros em ação.

No VLOG abaixo você confere os bastidores da experiência, vídeo on board comigo na minha melhor volta (perdoem a espalhada no laranjinha) e um bate-papo com os pilotos de teste do RS200 que trará muitas informações para quem está se mordendo de curiosidade a respeito de como fica o Sandero RS com o kit!

Para mim, era mais um dia de experimentar um setup novo de geometria em nosso Sandero RS. Os Pirelli P Zero Trofeo R nos fornecem um nível de aderência fenomenal, mas todo este grip teve um preço de balanço dinâmico: um pronunciado sub-esterço causado pela eliminação do escorregamento dos pneus traseiros, que agarram mais do que nunca nas curvas. Sem termos recursos como barra estabilizadora traseira regulável ou a possibilidade de se alterar cargas de molas e amortecedores (por enquanto), a única saída possível é buscar reduzir o grip do eixo traseiro. Ao longo dos últimos meses, começamos subindo a pressão aos poucos, até chegar aos atuais 60 psi frios, que ganham pouco menos de 5 psi quando na temperatura operacional. Coincidentemente, conversei com o William Freire, piloto profissional e instrutor do Centro de Pilotagem Roberto Manzini e foi essa a pressão que ele adotou no projeto do RS da Fullpower.

Em paralelo a isso, já faz alguns meses que estamos com o máximo de cambagem possível na dianteira utilizando os camber bolts (em fase de desenvolvimento) da Ordospec. Como estou usando apenas um por manga, estou com algo próximo a 2,5 graus negativos na dianteira, mas o desgaste no ombro externo me indica que (1) preciso de ao menos mais um grau negativo e (2) preciso estabilizar a geometria da suspensão, começando provavelmente com buchas de poliuretano. De lá pra cá, vim abrindo divergência na dianteira e desta vez, também experimentei abrir um pouco no eixo traseiro.

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Isso feito, o carro melhorou bastante. Ainda há sub-esterço, mas o balanço dinâmico já está muito próximo ao que era o Sandero RS OEM, mas gerando muito mais aceleração lateral. Contudo, com isso perdi um pouco de velocidade final, sintoma que o William Freire também me apontou como uma contrapartida provável. Na prática, não compensava colocar a sexta marcha no fim do reta dos boxes, pois o corte de giro durava menos de meio segundo. Como devemos começar os trabalhos de instalação do RS200 (a Ordospec é parceira do FlatOut Driving Academy) em breve, com o Daniel da Home Garage, é provável que quando encontrar a solução para o setup atual de suspensão, começaremos da estaca zero novamente. Pois com mais potência, o balanço dinâmico muda! É um retrabalho que farei com o maior prazer, pois é mais conhecimento para compartilhar com vocês.

Não fiquei totalmente feliz com o meu tempo. Minha melhor volta – que teve uma freada não tão tardia no S do Senna, duas passagens de retardatários e um erro no Laranjinha – foi 2:08,8, a melhor projetada com as parciais era 2:07,8 e na volta que eu arruinei (veja no Vlog) tinha ganho quase 3 décimos só na primeira parcial. Mas fiquei feliz ao menos de representar a casa e ficar atrás apenas dos carros com motores preparados da Ordospec.

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Sobre o evento em si: foi uma enorme festa. Muitos amigos, muitos leitores, muita risada e incontáveis bate-papos entre as gravações. Como sempre, a parte da manhã (até pouco depois da hora do almoço) é reservada ao track day para proprietários de Sandero RS, divididos em grupos de aproximadamente 30 carros, com 3 baterias para cada grupo. E na parte da tarde, a Renault leva clientes interessados no Sandero RS para uma volta rápida – desta vez, com nomes como Ricardo Maurício e Bia Figueiredo –, além de exercícios dinâmicos como slalom, largadas e frenagens de emergência; para que os clientes tenham um contato pessoal com o produto.

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É verdade que, no track day, houve um ou outro contratempo, a maior parte deles causada pela falta de experiência de proprietários que visitavam um autódromo pela primeira vez na vida! Por isso, fica uma listinha de sugestões para os próximos eventos (alô, Renault):

1) Novatos de pista identificados com um adesivo de cor berrante na traseira. Motivo: quem se aproxima já sabe que pode acontecer um traçado errante ou erros inesperados. Isso também permite a todos darem mais conforto (espaço) para os novatos, não se aproximando tanto.

2) Baterias de pilotos experientes à parte. Motivo: evitar diferença de velocidade, que é a coisa mais perigosa em pista. Havia carros andando a 80 km/h em trechos de 160 km/h. Quem já tem experiência consegue andar mais próximo e de forma mais respeitosa e previsível. Juntar pilotos muito rápidos com muito lentos = perigo!

3) Coaching para novatos. Com certeza um time de pilotos instrutores ajudaria muito os novatos a evitar perigo e a se divertir mais! Há diversos pilotos profissionais que atuam nesta área.

4) No caso de quebra ou modo de emergência. Não continuar arrastando na pista, não parar próximo ao asfalto (como se fosse um acostamento), não parar na área de escape externa. Trazer o carro para o mais longe da pista possível (área de escape, preferencialmente do lado de dentro, o mais longe da pista e o mais próximo ao guard-rail) e nesta manobra, observar atenciosamente se há carros vindo.

5) No caso de rodada ou saída de pista, aguardar os carros passarem antes de fazer a manobra.

 

Galeria de fotos by Albuquerque Photo

O fotógrafo Gabriel Albuquerque esteve presente no evento a convite do pessoal do RS Groupe e mandou ver numa galeria animal. Caso você queira comprar alguma destas fotos em alta ou queira negociar com ele a produção de um ensaio, contate ele por sua página do Flickr ou pelo WhattsApp: (61) 9 9621 5724. Vale também acompanhar o seu perfil de Instagram!

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