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Acredite: isto é um Mazda Miata (e seu mais novo objeto de desejo)

O Mazda MX-5 Miata foi feito para evocar o espírito dos roadsters britânicos e italianos da década de 60 no tamanho e na experiência ao volante. Mas um homem chamado Jim Simpson foi mais além: ele ganha a vida modificando o visual do roadster japonês para deixá-lo ainda mais próximo dos clássicos que o inspiraram. O resultado são estas pequenas joias chamadas Simpson Italia Classic e Italia II. Você não ficou com água na boca?

Na verdade, todo Miata nos deixa com água na boca (ainda por serem raros no Brasil) pois ele foi pensado para ser um esportivo leve, moderno (para a época em que foi lançado), divertido e acessível. Com motor 1.6 de 115 cv, a primeira geração também mostrava que não são necessárias toneladas de potência para garantir entretenimento de qualidade ao volante. Mesmo nas gerações seguintes, maiores e mais potentes, a companhia fez questão de manter estas qualidades intactas.

Mas se o Miata tem esta aura nostálgica em tudo, por que não trazê-la também para o visual? Foi o que Jim Simpson, em meados da década de 90, deve ter pensado quando começou a desenvolver kits de fibra de vidro para dar uma cara bem mais clássica ao roadster japonês.

Jim Simpson começou sua carreira de restaurador em uma concessionária Ferrari de Houston, no Texas, em meados da década de 70. Em 1978, ele decidiu fundar sua própria companhia, a Simpson Design, para desenvolver e construir seus próprios esportivos. Seu reconhecimento começou quando a Nardi, a famosa fabricante de volantes, encomendou a Simpson um conceito feito sobre a plataforma do primeiro Miata.

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O chamado Blue Ray 3 representaria à volta da Nardi à fabricação de carros, abandonada desde a década de 50, e foi apresentado no SEMA Show. Fez relativo sucesso e, embora a Nardi não tenha levado o projeto adiante, foi o suficiente para que Jim Simpson se entusiasmasse a usar o Miata como base para seus projetos.

E foi assim que, em 1997, surgiu o Miata Italia — uma reinterpretação do design italiano clássico da década de 60 executada sobre um Miata de primeira geração. Com peças de fibra de vidro que incluíam toda a dianteira, para-lamas e traseira, e até mesmo um painel modificado para lembrar o de um roadster mais antigo.

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A inspiração principal para o design, segundo Simpson, veio da Ferrari 275 GTB NART Spyder, versão conversível da 275 feita por uma concessionária americana da qual existem apenas nove exemplares.

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Em 2000, foi a vez do Miata de segunda geração receber o mesmo tratamento, ficando conhecido como Italia II — desta vez, com influências mais abrangentes, porém com a mesma proposta de criar um carro com visual clássico e mecânica moderna. Pouco tempo depois, porém, Jim Simpson teve que colocar uma pausa na produção dos Miata modificados — a demanda não era exatamente alta e sua equipe nunca deixou de receber encomendas de restauração de carros clássicos.

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Foi só em 2010, com a chegada de um investidor, que Simpson decidiu voltar a fabricar seus Miata retrô. O Simpson Italia, feito sobre o Miata de primeira geração passou a se chamar Italia Classic para evitar confusão com o Italia II. Cada modelo pega emprestada a inspiração em um ou mais clássicos italianos — o Italia II GTB, por exemplo, é uma homenagem à Ferrari 275 GTB.

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Nosso favorito é o Italia II GTO (abaixo), que é praticamente a miniatura de uma Ferrari 250 GTO — mais precisamente, dos carros de competição fabricados em 1962. Contudo, se existem apenas 39 250 GTO no mundo, qualquer dono de um Miata de segunda geração pode ter seu carro transformado nesta pequena obra prima de fibra de vidro — na qual também podemos notar inspiração no Fiat Abarth 1000 Bialbero, que competiu em categorias de endurance no início da década de 60.

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Note que a silhueta da porção traseira é praticamente uma cópia da Ferrari 250 GTO, mas a dianteira tem muito mais a ver com o Fiat:

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Os kits são oferecidos de várias formas. É possível comprar todo o ferramental e as peças de fibra de vidro e montar em seu próprio Miata por US$ 15 mil (cerca de R$ 34 mil, sem impostos), ou deixar o carro na sede da Simpson em Washington, nos EUA e, por US$ 25 mil (R$ 57 mil), retirá-lo com sua nova cara de carro antigo. Todos os componentes da carroceria, exceto as portas, são substituídos, e isto vale para todos os modelos. E, embora exista um número limitado de modelos, cada dono pode alterar alguns detalhes do desenho a seu gosto pessoal.

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No caso dos kits vendidos separadamente, alguns usuários do fórum Miata.net contam que Jim Simpson sempre se dispõe a prestar consultoria por telefone ou email, dando dicas e esclarecendo dúvidas a quem tiver coragem de modificar seu carro com as próprias mãos.

A mecânica dos carros é mantida original — ou você pode optar por um compressor Eaton. O conjunto de suspensão e freios também não recebe alterações (a não ser que sejam encomendadas pelo dono) — o que, com suspensão independente nas quatro rodas e discos de cerâmica, não é nada ruim.

Só tem um problema: estamos duplamente tristes pela escassez de Mazda Miata no Brasil — por não ser nada fácil encontrar um, e por que não vamos poder transformá-lo em um charmoso esportivo retrô.

 

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