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Smart glass: afinal, como o vidro deste carro fica opaco em um piscar de olhos?

Existem entusiastas que até curtem películas escuras nos vidros, enquanto outros são defensores ferrenhos do estilo “aquário”, com todas as janelas completamente transparentes. Há quem diga, também, que ter vidros escurecidos é essencial em cidades grandes, por questão de privacidade e segurança – de preferência, com ar-condicionado. Outros chamam vidros escurecidos de “sacos de lixo”.

É um debate frequente em fóruns, tópicos no Facebook e rodinhas de posto. Mas e se você pudesse ter vidros que ficassem transparentes ou escurecidos instantaneamente? Bem, você pode. Ou ao menos é o que este vídeo, que andou circulando pela internet nos últimos dias, mostra:

Espera um minuto… como é que é?

Houve quem dissesse que há duas folhas de vidro dentro da porta, uma transparente e uma escurecida, bastante opaca. É uma explicação plausível, claro, mas a gente duvida que seja este o caso. Até porque vidros de transparência variável já existem há algum tempo.

E não estamos falando de um vidro parecido com aquelas lentes de óculos que escurecem sob a luz – elas são fotocrômicas, e reagem aos raios de luz ficando mais escuras. No caso do carro, trata-se de um tipo especial de vidro chamado SPD. É a sigla para suspended particle device, ou “dispositivo de partículas suspensas” em tradução literal.

smart-window-spd

O nome é complicado, mas não é difícil de entender: trata-se de um painel composto por duas lâminas de vidro que trazem entre elas um filme condutor de eletricidade. Este é preenchido com polímeros e cristais líquidos (as tais partículas suspensas), que são os responsáveis por variar a transparência do vidro.

O filme é conectado a um sistema elétrico de baixa voltagem que, quando ligado, faz com que as partículas se alinhem de forma organizada, aumentando a transparência do painel. Quando a corrente elétrica é desligada, as partículas se dispersam e o painel fica opaco. O tempo de transição entre transparente e opaco é de apenas alguns centésimos de segundo.

É possível ajustar o nível de transparência alterando a voltagem da corrente elétrica (que, de qualquer forma, é sempre muito baixa) e controlar através de um interruptor, um sistema automatizado ou até mesmo um aplicativo para smartphones.

Existem várias empresas pelo mundo que fabricam SPDs, geralmente para aplicações em ambientes – casas, apartamentos e escritórios, e não em veículos. Isto se dá por um motivo: o painel não fica completamente transparente quando está ligado, pois todo vidro com cristal líquido apresenta certo nível opacidade (haze, em inglês) – algo entre 20% e 30% (algo como um vidro com Insulfilm G75). Sendo assim, seu uso nos automóveis pode comprometer a visibilidade para o motorista. Note que, no vídeo do início deste post, a janela que escurece é a de uma das portas.

Há outra questão: não são todas as companhias que utilizam painéis de LCD curvos, como são os vidros na maioria dos carros. Além de questões de custo, há o fato de qualquer vidro com cristal líquido apresentar variações na transparência dependendo do ângulo de visão. É como nos monitores e TVs de LCD: não é mais fácil enxergar quando se está bem à frente deles. Além disso, os painéis de cristal líquido que atenuam esta variação na transparência custam mais caro, o que desencoraja sua aplicação em automóveis…

… exceto pelos de altíssimo luxo. O Mercedes-Maybach Pullman, por exemplo, utiliza um painel com polímeros suspensos no teto solar. A companhia chama o sistema de Magic Sky Control.

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