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Pilotagem Técnica Zero a 300

AIC: o guia de pilotagem do FlatOut para você encarar o Autódromo de Curitiba!

Autódromo de Curitiba, para os mais íntimos, AIC – coloque um “internacional” aí no meio, justificado pela presença de eventos mundiais do calibre do WTCC, World Series e BPR/GT, com seus épicos McLaren F1, Ferrari F40 e 911 GT2 Evo. São 3.695 metros de extensão, 15 m de largura, doze curvas. Um dos circuitos mais importantes e emocionantes do Brasil e que está deixando o coração dos entusiastas apertado com o seu destino quase certo rumo à extinção.

O FlatOut tem um conjunto de missões programadas a cumprir em sua vida. Uma delas era não apenas conhecer e acelerar no AIC, mas trazer todos os detalhes desta pista épica. Algo que esperamos que não se torne um legado histórico de um autódromo extinto, mas sim uma ferramenta que sempre será utilizada pelos entusiastas. Com este humilde guia de pilotagem, começamos uma série que irá tratar de diversos circuitos no Brasil. Se possível, em todos. Com qual frequência? Dependerá dos nossos recursos.

AIC Guia - 00

O guia é o vídeo abaixo. O canal do FlatOut terá cada vez mais produções, se você ainda não o assinou, faça-o agora mesmo! Sim, o vídeo está um pouco longo, mas está bem dinâmico e recheado até a tampa de todo o conhecimento técnico que pude juntar. Espero que gostem.

O vídeo está estruturado da seguinte maneira: aos 1:55 temos o vídeo on board em 1ª pessoa que gravei a bordo do Sandero RS Racing Spirit, aos 3:45 descrevo algumas das principais características do AIC (importante para marinheiros de primeira viagem) e dos 8:30 até o fim temos a parte realmente importante – o curva-a-curva, no qual detalho não apenas o traçado, mas diversas nuances, macetes e trechos de atenção para você atacar o AIC com o máximo de velocidade e segurança.

Abaixo temos apenas uma parte do conteúdo do vídeo: um guia resumido do traçado, incluindo as fotos de satélite com a racing line riscada, para você ter de cola naqueles últimos instantes antes de entrar na pista.

 

Guia de traçado resumido

AIC Guia - 01

S de Baixa (9:25 do vídeo): a freada mais forte do circuito. Use como referência a placa de 100 metros: pode ser um pouco antes ou um pouco depois, dependendo do conjunto. Com o Sandero RS original, estava freando aos 75 m. Frenagem termina em trail braking, aliviando o pedal de freio na mesma proporção em que se inicia o esterçamento. Reaceleração no ponto (1). Atropele a zebra interna (2) e desenhe uma linha reta em direção à segunda perna do “S” à esquerda. Na segunda perna, você deverá atropelar a zebra ainda mais próximo à bananinha amarela (3), quase saindo pela grama no lado esquerdo. Este posicionamento é para você conseguir atacar a curva 3 com o melhor ângulo, pois a saída dela dá acesso à segunda maior reta do autódromo.

Curva 3 (11:30 do vídeo): o sucesso dela depende totalmente da entrada. Você precisa estar o mais à esquerda possível (entre os pontos 3 e 4). Carros mais potentes precisam de uma leve pressionada no pedal de freio (4) para a dianteira assentar, o que fornecerá o grip que permitirá você a apontar para dentro da curva de forma afiada, sem arrastar pneu. Busque o acelerador um instante antes de tocar a zebra interna (5). Acelere de forma progressiva (quanto mais torcudo o seu carro, mais progressividade) e deixe o carro escorregar até a zebra externa (6). Use toda a pista até a borda de fora, não saia pela metade.

 

AIC Guia - 02

Entrada do miolo (14:55 do vídeo): curva longa e técnica, com freada curta (1), feita entre as placas de 100 e de 50 metros, que ficam à beira da pista. Dois pontos de tangência (entre 2 e 3, e no ponto 4). Entrada com sutil trail braking (2) e imediata busca no acelerador, que deve ser feita com progressividade se o carro tem muito torque. Plenitude do acelerador a partir do ponto (3), quando o carro espalha com sutileza antes de retornar para a parte interna (4) e escorregar até o lado de fora (5). Neste ponto o carro já estará naturalmente posicionado para a variante seguinte (6), feita de pé cravado em qualquer tipo de veículo.

 

AIC Guia - 03

Pinheirinho (18:42 do vídeo): uma curva muito técnica e a mais lenta do circuito. Sua aproximação é feita em curva, mas você deve desenhar uma linha reta a partir do ponto (1) e especialmente no ponto (2), onde você deve frear com força e de forma retilínea. Note como o traçado é reto, dando a desconfortável impressão de que o carro está indo para fora da pista. Você deve desenhar uma quina na curva no ponto (3), e assim que o fizer, buscar aceleração progressiva e plena. Somente no ponto (4) você encontrará a zebra interna, e a partir dali, o carro deve ir escorregando para fora até o ponto (5) com o ganho de velocidade. A quina do ponto (3) é essencial para que a saída fique num ângulo suave, permitindo aceleração mais intensa e precoce.

 

AIC Guia - 04

S de alta (22:35 do vídeo): feita de pé cravado em um carro como o Sandero RS original. Não entre no ponto (1). Neste local, pista começa a querer se desenhar pra dentro, mas você só deve mergulhar para a tangência no ponto (2), quando a curva realmente começa. Desenhe com suavidade no volante, pois a velocidade de contorno é alta. Não deixe o carro espalhar para fora na primeira perna, fique do lado de dentro (3). A tomada da segunda perna (4) é parecida com a primeira, inclusive no sentido de a pista querer te chamar antes da hora. Em (5) há uma ondulação que causa algum desconforto dinâmico, mas nada crítico. Em (6) demarcamos o ponto de tangência, o trecho que você deve mais se aproximar à zebra interna: note como é tardio. A partir dali, deixe o carro escorregar para fora até o (7).

 

AIC Guia - 05

Curva da Vitória (26:53 do vídeo): uma versão extrema, mais veloz e emocionante, da curva de entrada do miolo. A freada acontece depois da entrada dos boxes. Aponte o carro para dentro (1) e freie com força moderada (2), executando trail braking (3) no primeiro ponto de tangência. Logo na sequência deve se buscar o acelerador de forma bastante progressiva. O carro vai um pouco para fora (entre 3 e 4) e deve retornar ao ponto mais próximo à zebra interna em (4), que é o segundo ponto de tangência. Deste ponto em diante, você deve estar em aceleração plena ou quase plena, fazendo o carro escorregar para fora até a zebra externa em (5).

 

Caso você queira assistir ao vídeo com o guia completo depois deste resumo, veja aqui:

 

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