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Trânsito & Infraestrutura

Alertar sobre a presença de radares no Facebook renderá multa na França

Se você quer saber se na estrada por onde você vai passar existem câmeras de velocidade ou radares, basta ter um GPS ou até mesmo um smartphone — não faltam sistemas de navegação ou aplicativos que detectam radares e são atualizados constantemente. Em muitos países (como o Brasil) a prática não é proibida — na verdade, é bastante comum. Na França, contudo, usar de tais artifícios é ilegal desde 2012.

Sendo assim, os franceses acabaram buscando outras maneiras de descobrir onde ficam as câmeras de velocidade, e uma delas é o Facebook. Um grupo na rede social juntou pessoas dedicadas a alertar os outros membros sobre a presença de radares nas estradas da região de Aveyron, no sul do país e, nos últimos dias, ganhou notoriedade por problemas com a lei.

Dez membros do grupo foram acusados  de “detectar ilegalmente um sistema de fiscalização de velocidade” por postar a localização e fotos de radares no grupo do Facebook. Eles poderão ter suas carteiras de motorista confiscadas e ser obrigados a pagar uma multa de €1.500 (mais de R$ 4.500).

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“As autoridades francesas realmente levam esta questão a sério, não é?”, você deve estar pensando. Mas não é bem assim. Trata-se de um caso restrito ao departamento de Aveyron, e as ordens vêm do promotor de justiça local, Yves Delpérié. Ele contou ao jornal francês Le Figaro que se irritou com os usuários do Facebook que tornaram a rede social um instrumento para divulgar a localização de radares.

“Eu perco o sono à noite porque tem gente morrendo na estrada”, ele disse. “Fico espantado em saber que certas pessoas colocam avisos [no Facebook] sobre a localização das câmeras de velocidade”.

David Alègre, 40, é uma das pessoas que estão enfrentando acusações. “Estou sendo acusado porque estão me tratando como um dispositivo de detecção de radares”, ele diz, e considera a ação “ridícula”, pois estava apenas avisando seus amigos que havia um radar na beira da estrada. Seu advogado disse ao canal de notícias francês BFM TV que acha que o promotor está abordando a questão de forma equivocada.

“Os sentimentos pessoais de um promotor não podem ser um fator determinante na segurança de uma estrada”, ele diz. “Fatalidades no trânsito são terríveis, mas por que não reforçar a fiscalização em busca de motoristas embriagados ou proibir o uso de celulares?” Ele ainda reforça o argumento dizendo que, se a população realmente quiser saber onde os radares estão, há outras maneiras além do Facebook, e citou a imprensa, que publica mapas da França com a localização das câmeras mais utilizadas e até mesmo a polícia, que usa as redes sociais para divulgar ações de fiscalização.

Além disso, o objetivo dos radares é fazer com que os motoristas reduzam a velocidade a fim de evitar acidentes e ao serem avisados pelo Facebook os motoristas de fato reduzem a velocidade, colaborando com a causa do radar, não?

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Segundo o site francês The Local, as leis de trânsito francesas podem ficar ainda mais rígidas, visto que o ministro Bernard Cazeneuve já anunciou, no início do mês, que pretende baixar o limite de velocidade em vias rápidas para 80 km/h, na esperança de que o número de mortes na estrada, que em 2013 foi o menor da história (3.288), continue a cair. Também não podemos nos esquecer da possível redução nos limites de velocidade de Paris para 30 km/h (20 km/h em regiões com maior fluxo). Qual será o próximo passo? Banir os carros?

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