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Project Cars Project Cars #117

Alfa Romeo 155 Super: uma viagem para comemorar a conclusão do Project Cars #117

Olá, pessoal. Passados 20 meses desde que a Guria veio para casa, chegou a hora de cumprir o objetivo do projeto, então no dia 18 de Abril às quatro horas da manhã comecei minha viagem ao Alfa Romeo Brasil 2015, evento que a cada dois anos reúne os Alfisti, na cidade de Caxambu em Minas Gerais.

A distância a ser percorrida era de 900 km. Usamos o roteiro pela Rodovia Castelo Branco, passando por Sorocaba, Campinas (SP) e Atibaia, onde seguimos pela Rodovia Fernão Dias até a altura de Campanha (MG) e depois pela BR 267 até chegarmos a Caxambu.

ESTRADA

Em 2013, fizemos o mesmo roteiro e novamente se revelou uma escolha acertada, pois estava com asfalto bom, limites de velocidade altos e sem pontos de lentidão ou congestionamento, apesar do feriadão. Neste ano, fomos em dois carros, a minha 155 e a 164 Super do Raje.

Meu carro foi lotado, com quatro adultos mais bagagem, incluindo uma bem servida caixa de ferramentas (eu confio no carro, mas vai que…), mesmo assim a 155 tinha potência de sobra para efetuar ultrapassagens seguras e manter velocidades de cruzeiro elevadas, além de garantir o conforto com o ar-condicionado ligado o tempo todo.

LAVAGEM

Após o almoço, já na Rodovia Fernão Dias, olho no retrovisor e vejo uma 156 chegando, pensei que seria legal se ela nos acompanhasse e imaginando que fosse uma 2.0 poderíamos seguir num ritmo tranquilo, mas assim que ela me ultrapassa, olho na traseira vejo escrito “156 2.5 24V”. Era uma V6 e minhas palavras foram “Fu…”.

Ela nos acompanhou por alguns minutos e tive que aumentar um pouco o ritmo para não perder os Busso de vista. Aliás, que vista!!. Mesmo assim, o carro passava uma segurança absurda, sempre sob controle nas curvas e mostrando que seu limite ainda estava longe de ser alcançado. Além de me proporcionar um pouco de diversão e espantar o sono pós-almoço.

CHEGADA

Chegando na exposição. Foto: Renato Caldeira

Depois de 11 horas de viagem chegamos ao destino, fizemos o check-in no hotel, fomos lavar os carros e finalmente entramos no Parque da Águas, onde seria realizada a exposição, ao ver dezenas de Alfa Romeo estacionadas e as pessoas acenando tive a sensação de missão cumprida.

Estavam expostos mais de setenta veículos, que mostravam boa parte dos últimos 60 anos de evolução da centenária marca milanesa. Os destaques estavam nas pontas, com os belos carros e caminhões produzidos sob licença pela Fábrica Nacional de Motores (Fenemê) nas décadas de 1950 e 1960 e os recentes 159, Giulietta e Mito, que não foram vendidos no país, mas foram cedidos para a exposição pela Fiat.

EXPOSIÇÃO

Além desses, havia uma infinidade de 2300, 145, 155, 156, 164 e 166 todos muito bem conservados e que vieram rodando para o encontro. Também estiveram presentes alguns dos modelos mais icônicos da marca, como as GTV, Spider e um sedan Giulia Super de 1974, que veio rodando desde Salvador, a mais de 1800 km de distância.

Além ver os dos carros, os alfisti participaram de palestras sobre a história da marca, como é a criação de um modelo Alfa Romeo, cuidados com lubrificantes, como funciona a tecnologia Multiair e premiações. Além da lojinha com lembranças da marca, jantar italiano e coquetéis de abertura e encerramento.

OFICIAL

Mas a melhor parte foi conhecer as pessoas e colocar em dia a conversa que durante o ano acontece por meios virtuais. Algo que sempre me encantou nesse grupo é o sentimento de amizade, que transforma estranhos em amigos de longa data em poucos minutos.

Foram quatro dias fantásticos e mesmo sendo uma viagem longa e cansativa, a primeira coisa que pensei assim que saí da cidade, foi voltar em 2017. Se quiserem anotar aí próximo encontro acontecerá entre os dias 15 e 18 de junho de 2017. Fiz um álbum no Flickr com as fotos do evento para quem quiser conferir.

CHUVA

No total rodei 1.818 km, foram gastos R$ 670,00 em 195 litros de gasolina e R$ 208,00 em 14 pedágios. O consumo médio foi de 10,5 km/l, a maioria do tempo rodando entre 100 e 120 km/h com o ar-condicionado ligado e a exceção dos parafusos frouxos em uma roda, que foram reapertados antes que algo mais grave acontecesse, a viagem ocorreu sem problemas.

Com esse relato encerro a minha participação no Project Cars, mas antes gostaria de fazer algumas considerações. No momento que escrevia esse texto, completaram exatamente 21 meses do dia que peguei o carro. Sempre soube que não ia ser fácil mantê-lo nas condições que merece, mas posso dizer que tem sido menos difícil que imaginei.

PC1

Até o PC #001 estava lá

Isso se deve em grande parte ao fato de não precisar usar o carro todos os dias e ter encontrado um exemplar que sempre teve as manutenções feitas em dia, com peças e mão de obra de qualidade. Algo que eu mantive, adicionando muitas horas de pesquisas e estudos para conseguir as melhores peças a bons preços.

No começo do ano fiz um levantamento dos gastos que tive entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015. Foram rodados 5106 km, gastei 617 litros de Gasolina, no valor total de R$ 1872,33. A média foi de 8,275 km/l, a maioria do tempo na cidade, com o ar-condicionado ligado.

155LINE

Gastei R$ 4186,90 com manutenção. Sendo que o serviço mais caro foi a revisão com troca de correias, tensores e alguns componentes da suspensão, num total de R$ 2643,00 entre peças e mão de obra. Adicionando impostos, estacionamento, pedágios e outros gastos foram mais R$ 723,50.

No total foram R$ 6.782,00, que divididos pela quilometragem, representam o gasto de R$ 1,33 por quilometro rodado. Confesso que ver esse valor foi um pouco assustador e nunca mais vou fazer essa conta de novo, mas considerei um dinheiro muito bem gasto.

Acredito que esses primeiros anos foram os mais onerosos, pois foi necessário um grande investimento para deixar o carro mecânica e esteticamente em ordem. Ainda existem detalhes que podem ser melhorados, mas que não tem urgência para serem resolvidos, então vou tratar de curtir ainda mais o carro.

155X2

Espero ter inspirado alguns a ir atrás de seus sonhos motorizados, ajudando a mostrar que não é uma tarefa impossível ou inviável, mas é necessário tem planejamento. Acredito que toda a realização de um sonho e a experiência, gratificação e diversão que esses carros trazem valem o eventual prejuízo que possam causar.

Para finalizar, gostaria de agradecer aos amigos e familiares que me apoiaram nessa jornada, ao Flatout pela iniciativa do Project Cars e por me dar a oportunidade de contar a minha história e por fim, a todos que leram e comentaram meus textos dando dicas, elogiando e contando suas histórias com a marca. Muito obrigado e até a próxima!

Por Delfino Mattos, Project Cars #117

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Uma mensagem do FlatOut!

Com os Alfa Romeo 155 ficando cada vez mais raros — e muitos deles sem os merecidos cuidados — é sempre bom ver um exemplar deste belo italiano preservado como deve. Também ficou claro que colocar um novo clássico desses em dia não é um bicho de sete cabeças. Parabéns pela conclusão. Agora vá logo curtir essa macchina!

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