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Project Cars Project Cars #367

Alfa Romeo 156: a história do Project Cars #367

Batia aquela Depressão de um fim de relacionamento e precisava ocupar a cabeça com alguma coisa… bem, o videogame já não dava mais conta, queria algo que agora me ocupasse mesmo o meu tempo (e o meu dinheiro ) e que seria algo para valer. Mas aí batia na porta de quem nem se preocupava em comprar um carro a pouco tempo atrás: qual carro comprar com uma grana curta, tendo um gosto peculiar em questão de exclusividade e que seja bonito? Civic? Kadett? Vectra?

Ai eis que vem mais uma vez a época nerd da minha vida, jogando Gran Turismo 3 lembro que para participar de uma certa série de corridas, tinha que ter um carro italiano de corrida dos anos 90 para poder participar… e o que eu acho para participar…. uma Alfa Romeo 155 DTM. Aquelas quatro ponteiras de escape virado para cima com o para-choque todo chamuscado pelas labaredas que o motor soltava nas trocas de marcha, fazia curva que nem um capetinha e que o motor girava até 12.000 rpm!

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Motor V6 aspirado de 420 hp a 11.500 rpm… WTF?!

Lembro que na época , moleque de tudo, ficava me perguntando: “Caraca, será que gira tudo isso mesmo o motor desse carro? 12 mil RPM era rotação de motor de F1” pensava comigo enquanto eu ficava fazendo as curvas no jogo e ganhando posições fáceis com aquele carro. Depois que eu lembrei desse momento Nerd da minha vida, logo decidi: vou procurar uma Alfa Romeo 155!

 

Em busca de um Alfa Romeo

Meu Nome é Fhabricio Thomazini, tenho 29 anos e residente em Osasco, uma cidade que fica a cinco minutos de uns 15 minutos do centro de são Paulo… e sim, não é cidade de interior não. Vou contar a história do meu carro, desde da procura dos carros, apuros, fatos, aventuras… sendo uma delas quando enfiei esse carro em uma estrada de terra a noite, no meio da montanhas e 20 quilômetros de estrada de terra… e pedras, enfim.

Ai vocês me perguntam porque comprar um Fiat Tempra com roupa de Alfa Romeo? Eu te falo: porque sim oras bolas. Coloco algo na cabeça é difícil tirar dela, típico de escorpiano, mas enfim…

Nessa altura, já estava procurando no nosso guru da internet Google sobre peças mecânicas se são fáceis de achar, o custo delas, se acha bastante coisas no sites da Europa e no e-bay (sabendo que teria que comprar algo de fora, fato),  o que poderia fazer para deixar ela bonita, que tipo de rodas combinaria com ela… perdi horas e horas vendo isso antes de correr atrás de uma 155.

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Lembro que uma coisa que eu queria por caso achasse uma Alfa Romeo 155 era aquele aerofólio da época que ela corria na DTM da europa…. já tinha visto carros de rua somente com aquele aerofólio e achava lindo demais, apensar de até ai partir na procura do carro não tinha achado um site que vendesse esse aerofólio…

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Semanas antes já estava procurando antes as possíveis Alfas Romeo 155 a venda aqui próximo da cidade de São Paulo, já que como eu não tinha muita grana para ver os carros lá de fora do estado por causa dos custos de viagem e para trazer o carro para cá, tinha que ter algumas unidades perto de onde eu morava… e por incrivel que parecia naquela época de 2013 tinha bastante unidades a venda.

A primeira que eu fui ver quase fechei negócio. Era o carro do jeitinho que eu queria: Uma Alfa 155 Super preta, completinha… estava linda pois ela estava um pouquinho baixinha e rodas estilho DTM pintada de Branco que chamava atenção. Pena que não tirei foto dela na época…

Dei uma volta no carro com o dono sentado atrás e o meu irmão mais velho no meu lado, com o máximo cuidado pois sabia que esse carro não tem protetor de carter… pois o carter dela é de alumínio para a troca de calor do óleo ser otimizada…. pensamento típico da Alfa Romeo, sempre pensando em performance dos 4 cilindros dela. Sentei e já vi como o carro é baixinho de se guiar

Lembro que a aceleração daquele carro quando passava dos 4.000 giros, ele se transformava! Como era rápido aquele carro… e aquele barulhinho de escape então?! Simplesmente hipnotizante.

Andando reparo que o manômetro de óleo original do painel não funcionava, e questionado com o vendendor, ele me disse que já tentou  resolver porem é uma pecinha no motor que ele já trocou e não resolveu…. e eu sistemático por causa que era o meu primeiro carro, começou ai… Reparei que o ajuste elétrico do banco não acionava comigo sentado em cima (devia esta gordo demais na época) e o Cuore do carro pintado de preto, coisa que não sei porque torci o pescoço na época, e que hoje eu vejo que não fica feio não.

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Temperatura do Óleo, Pressão do Óleo, milhares de luzes que poderiam acender…. um painel completo!

Conversa vai, conversa vem… meu irmão falando que fecharia negócio e etc. Fiquei de pensar e daria um retorno para ele. Uma coisa que me pegou muito nessa visita com o meu irmão é que, como ele fala que fecharia o negócio da primeira Alfa Romeo que estávamos vendo, sem ter uma referencia de como poderia esta as outras?!

Diante nisso, resolvi ver praticamente todas as Alfas Romeo 155 super preta ou vermelha (segunda opção) que tinha aqui próximo. Então na semana seguinte no meu dia de folga, fiz uma lista de seis Alfa Romeo 155 Super para eu dar uma olhada em todas no mesmo dia. Chamei o meu grande amigo de escola Murilo, que não entende muito de carro, mas tem a cabeça mais tranquila em relação de ver se o carro esta bom ou não, fomo lá ver os carros em uma quinta feira.

Pego ele na casa dele logo de manha, e já vamos ver o primeiro carro dos seis da lista da Maratona.

 

A Lista

A lista continha seis Alfa Romeo 155 — todos da versão Super, sendo dois pretos, um Rosso Alfa e um Champanhe. Desses seis Alfas que fomos ver, apenas uma se mostrava interessante pelo estado e valor pedido. Umas estavam uma verdadeira sucata, e as outras um valor acima do que o real estado delas valia… aquele povo não tinha noção não.

Uma estava em estado de sucata, com os bancos Momo de couro cheio de mofo e molhados com a agua da chuva, outra fazia mais barulho na suspensão do que a Veraneio 1968 daqui de casa, outro o motor esta amarrado que só vendo…. a única inteira era a que tinha a cor Champanhe, mas não fiquei com ela só por causa da cor.

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Essa cor alguns acham bonita, mas não me chama atenção…

Após essa maratona toda, eu vi que para o carro que iria utilizar no dia a dia- um carro sem protetor de carter e baixo seria um perigo iminente de dar “ruim”. Eis que decido pegar um carro mais moderno, mais novo…. e como eu tenho que ser exclusivo, optei pela Alfa Romeo 156 Elegance, com aqueles detalhes lindos em madeira no painel do carro. Sem dinehrio suficiente, tenho a ajuda da minha melhor amiga do mundo: a minha mae. Ela me emprestou o dinheiro restante para eu ir comprar o meu carro e esquecer de vez aquele termino de namoro que acabara de acontecer como eu disse no começo do texto.

Porem a cor eu não abriria a mão, teria que ser preto, e fui à caça! Digo a vocês que não foi fácil decidir qual carro poderia pegar, porem estava mais animado com os carros que eu via do quando quando fui ver as 155.

Quando eu estava quase fechando com uma 156 preta de um baiano que estava aqui em São Paulo, eis que o meu irmão me liga falando: “Fhabricio, o Marcio tem uma 156 Azul que esta vendendo… vamos lá?!”

O Marcio é amigo meu e do meu irmão, ele tem uma empresa que cuida somente de interiores e ligações elétricas de carros antigos, principalmente de Opala que é a principal clientela dele.

Marcamos um dia e fomos ver o carro que era do pai dele que faleceu três anos trás. O pai desse nosso amigo tinha praticamente acabado de comprar o carro, quando ele faleceu de infarto, e deste quando ele faleceu, o carro não andava mais, ficava guardadinho dentro da garagem lá em Mogi-Guaçu, somente com ligadas esporádicas semanal, mas sem andar com o carro.

Quando vi a traseira desse carro guardado lá no fundo da garagem, já me chamou a atenção, principalmente pela cor…. Não era Preto como idealizava, e sim um Azul bem escuro, com pigmentos que quando bate o sol faz o carro ficar totalmente brilhante. E a partir desse momento eu acho essa cor uma das mais bonitas desse modelo: Blu Cosmo met.

Deu a partida e aquele urro grosso, mas ao mesmo tempo estalava quando pisava fundo já fez eu soltar um sorriso na cara. Tiramos da garagem para eu dar uma volta e sabem como é carro parado né… Uns barulhinhos na suspenção, motor amarrado por falta de uso, o pedal da embreagem dura e que demorava a voltar a posição original…. Mas como era desse nosso amigo e sabemos como ele era chato em manutenção de carro, fechamos o negócio mesmo com a documentação a ser regularizada na qual estava na divida ativa. O pai desse nosso amigo morreu e faltava pagar uma parcela do IPVA daquele ano, e ninguem  da família do falecido sabia se tinha pago ou não aquela parcela… resumindo: uma parcela de quase R$ 400 foi para R$ 4.500 em pouco mais de três anos.

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Estamos indo para nova casa

Semana seguinte, guincho encomendado, valor do carro acertado abatendo esse valor da divida ativa, fomos pegar o carro… fui junto com o guincho. Viagem longa na ida, e na volta parece que foi mais longa ainda. Viajar em um caminhão fraquinho de quincho em uma estrada a 90km/h durante quase 160 quilômetros não é fácil.

Assim que estacionou na rua de casa, pergunto para a minha irmã: “e aí, é bonito o suficiente para usar no seu casamento?” Ela olhou o carro, viu por dentro… e disse: “Sim, pode ser sim!“

Legal, assim estou ajudando a minha irmã economizar um pouco no casamento dela, pois já não era preciso alugar um carro para o casamento dela, porem… o casamento dela era apenas a dois meses, e precisava mandar dar uma geral no carro, como a primeira manutenção quando se compra um carro usado e pintar o para choque, já que na viagem do guincho não sei como fez um arrombo na pintura do para choque.

E essa primeira manutenção… me deu uma baita dor de cabeça, mesmo depois de eu ter tirado da oficina. Mas isso eu conto no próximo post a continuação dessa novela, a aventura na qual me enfiei e quase fiquei preso no meio do mato por causa do cárter de alumínio e o amadurecimento das minhas idéias com o carro.

See ya!

Por Fhabricio Thomazini, Project Cars #367

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