Alguém está vendendo esta coleção de 13 Ferrari por quase R$ 60 milhões

Dalmo Hernandes 17 julho, 2017 0
Alguém está vendendo esta coleção de 13 Ferrari por quase R$ 60 milhões

Se você é um milionário que tem uma incrível coleção temática e quer passá-la adiante, é atrás de uma agência de leilões que você vai. No caso desta coleção de Ferrari que passa por 50 anos de história da fabricante italiana, a agência é a RM Sotheby’s, e o leilão será realizado em Monterey, na Califórnia, durante o Pebble BeachConcours d’Elegance, entre os dias 18 e 19 de agosto – daqui a mais ou menos um mês. E, meu amigo, que covardia esta seleção que, cronologicamente, vai da Ferrari 250 GT SWB de 1961 até a Ferrari 599 GTO de 2011. São, ao todo, 13 carros que, somados, poderão arrecadar, segundo as estimativas da RM Sotheby’s, até US$ 18.345.000. Em nossa moeda, são mais de R$ 58 milhões.

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Foto: Sothebys/Theodore W. Pieper

Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

As Ferrari são carros que costumam ficar cada vez mais valiosos à medida que o tempo passa. Por isso, não nos surpreendemos que o exemplar mais antigo da coleção seja também o mais caro. Com valor de arremate estimado entre US$ 8,5 milhõe se US$ 10 milhões, o carro é o 110º da série de 165 exemplares. Como o nome entrega, o motor V12 Colombo desloca três litros (cada um dos cilindros tem 250 cm³ de deslocamento) e o entre-eixos é mais curto (SWB significa short wheelbase). Foi uma das últimas Ferrari feitas para poder disputar provas de longa duração, como as 24 Horas de Le Mans, sem muitas modificações. Estima-se que ela seja arrematada por algo entre US$ 8,5 milhões e US$ 10 milhões.

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Foto: Sothebys/Theodore W. Pieper

Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

A Ferrari 275 GTB/4, por sua vez, tem motor de 3,3 litros e entre-eixos mais longo, com carroceria desenhada e construída pela Scaglietti. É um carro de especificação americana mas, sendo fabricado em 1967, anteriormente às mudanças na legislação dos EUA, não dá para perceber logo de cara – a única indicação são os pequenos repetidores dos piscas ao lado dos faróis. Bons tempos quando não existiam ainda aqueles para-choques gigantes. É a segunda mais cara das Ferrari do leilão, com valor de arremate estimado entre US$ 2,75 milhões e US$ 3,25 milhões.

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Foto: Sothebys/Theodore W. Pieper

Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

A Ferrari Dino 206 GT é uma versão especial do modelo de entrada da marca para o mercado italiano. Ela tem este nome porque o motor é um V6 de dois litros, em vez dos 2,4 litros da Dino 246 – modificação realizada porque, na Itália, carros com motor de até dois litros pagavam menos impostos. Ela é bem mais rara, também: apenas 152 exemplares da Dino 206 foram feitos, e este é um dos 51 carros fabricados em 1969. Para se ter uma ideia, a Dino 246 teve mais de 3.800 unidades produzidas. Se for arrematada, deverá arrecadar entre US$ 650 mil e US$ 750 mil.

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Foto: Sothebys/Theodore W. Pieper

Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

O único exemplar dos anos 1970 é a Ferrari 308 Vetroresina. Sucessora da Dino 246, a Ferrari 308 inaugurou um estilo mais angular. A nomenclatura seguia a lógica da Dino, com o deslocamento do motor (3.0)precedido pelo número de cilindros (8). A 308 foi o primeiro passo para uma nova era na Ferrari, pois tornou-se a base para a emblemática 288 GTO, com seu motor biturbo e construção para lá de radical. Um detalhe deste modelo é o sobrenome, Vetroresina. O que isto significa? Que suas janelas laterais e traseira não são de vidro, e sim de acrílico, em uma medida para reduzir peso.

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Foto: Sothebys/Theodore W. Pieper

Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

Os anos 1980 estão representados por dois exemplares da Ferrari 512 BBi, também conhecida como Ferrari Berlinetta Boxer – embora seu motor de cinco litros não fosse um boxer de verdade, e sim um V12 flat, com um ângulo de 180 graus entre as bancadas de cilindros. Uma delas, fabricada em 1983, tem interior claro, enquanto a outra tem interior preto com detalhes vermelhos. A primeira deverá arrecadar até US$ 350 mil e a segunda, até US$ 450 mil.

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Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

Outra Ferrari oitentista desta coleção é a 328 GTS, com motor V8 de 3,2 litros e teto targa – um exemplar convertido para o visual da Ferrari 288 GTO apareceu na nossa seção de Achados meio Perdidos recentemente, o que evidencia o parentesco entre ambos os carros, embora a 288 GTO jamais tenha sido oferecida com teto removível. Uma destas vai lhe custar até US$ 120 mil, segundo as estimativas da RM Sotheby’s.

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Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

A Ferrari F40 da coleção, estimada em até US$ 1,5 milhão, é outra preciosidade da coleção: com apenas 2.800 milhas (4.500 km) marcadas no hodômetro, é um dos 213 exemplares (de um total de pouco mais de 1.000) da F40 fabricados especificamente para os EUA, com direito a malas especiais, caixa de ferramentas, manuais e o recibo original de venda.

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Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

As Ferrari posteriores aos anos 2000 presentes na coleção são todas exemplares especiais. Há uma 360 Challenge Stradale 2004, versão de track day da Ferrari 360 Modena, com motor V8 de 3,6 litros com 425 cv (ante os 400 cv da versão comum), peso aliviado, suspensão retrabalhada e modificações em detalhes como o mapeamento do acelerador e o peso da direção a fim de tornar a experiência ao volante mais visceral. Ela também é 3,5 segundos mais veloz que a 360 Modena ao redor da pista de testes de Fiorano. O valor de arremate estimado é de US$ 325.000.

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Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

A Ferrari 575 Superamerica, neste caso fabricada em 2005, é uma versão conversível e com motor mais potente da 550 Maranello: são 5,7 litros e 540 cv no V12 dianteiro, e espera-se que novo dono pague até US$ 450 mil por ela.

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Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

Fabricadas em 2009, as duas Ferrari 430 Scuderia formam uma bela dupla: uma delas é a versão cupê, chamada simplesmente de 430 Scuderia, enquanto a outra é a Scuderia Spider 16M, sua versão conversível batizada assim para homenagear o 16º título da Ferrari na Fórmula 1, conquistado em 2008 e o último até agora. Ambas têm motor V8 de 4,3 litros e 510 cv, e ambas estão entre as “pechinchas” do leilão: a cupê sai por US$ 300 mil, e a conversível por US$ 400 mil.

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Fotos: Sothebys/Theodore W. Pieper

Por fim, temos a Ferrari 599 GTO, versão mais nervosa da 599 GTB Fiorano. Ela pode ser encarada como uma Ferrari 599XX de rua, com um V12 de seis litros e 670 cv, acerto dinâmico exclusivo e a capacidade de percorrer o circuito de Fiorano em 1min24s – um segundo mais veloz que a Ferrari Enzo. Estima-se que ela seja arrematada por até US$ 800 mil.