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Alguém está vendendo um Buick GNX com menos de 600 km rodados

Responda rápido: qual é o carro lendário que tem um V6 turbinado de 3,8 litros e desafia o bom-senso com seu desempenho? “Nissan GT-R” é uma das respostas possíveis para esta pergunta, mas nós temos outra: o Buick GNX, um dos esportivos mais emblemáticos já feitos por uma fabricante americana — ele é tudo o que um Buick Regal, modelo que lhe deu origem, não deveria ser. É um carro fantástico, e há um exemplar praticamente zero km à venda no eBay.

Veja bem, a origem do GNX está em um sedã de duas portas bem careta, lançado em 1978. O Regal de segunda geração era uma versão menor, mais quadrada e menos potente da primeira geração que, por sua vez, era um cupê de luxo com linhas elegantes e a icônica janelinha na coluna C, lançado cinco anos antes.

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Acontece que o início dos anos 1980 foi um período trágico para os fãs de carros americanos grandes e potentes, em boa parte por causa da alta do preço da gasolina e das apólices de seguros — cujo efeito já era sentido no início da década de 70, mas ficou crítico com o passar dos anos. Sendo assim, o Buick Regal de segunda geração não era um carro exatamente empolgante ou ousado.

Era, contudo, um carro barato, robusto e relativamente econômico. Ele e seu irmão de plataforma, o Chevrolet Monte Carlo, até que venderam bem ao longo da década de 80 — e foi graças às boas vendas que a General Motors decidiu que não substituiria a plataforma sobre a qual ambos eram feitos, denominada “G”, de tração traseira, por outra mais moderna e de tração dianteira, chamada “A”, que já estava até pronta em 1981.

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Este fôlego extra durou cinco anos, e foi o suficiente para que a Buick provasse que o Regal tinha potencial para ser um esportivo e tanto. A empreitada começou discreta, em 1982, com o lançamento do pacote Grand National, que pegava o V6 apirado de 4,1 litros e 125 cv do Regal, reduzia o deslocamento para 3,8 litros e dava a ele um turbocompressor, resultando em 180 cv — um belo aumento, e um bom começo para uma edição esportiva com nome inspirado na NASCAR que, até 1986, se chamava “NASCAR Winston Cup Grand National Series”. Curiosidade: ao contrário do que se pensa, nem todos os carros eram pretos.

Um deles até foi retratado (provavelmente usando uma réplica, ou ao menos é o que a gente espera) em “Velozes e Furiosos 4”:

Depois de um hiato de um ano, o pacote Grand National voltou a ser oferecido em 1984, equipado com injeção sequencial e intercooler — o bastante para um aumento de 20 cv, levando a potência total a 200 cv. Em 1986 veio um novo aumento de potência, e o motor passou a entregar 245 cv. Definitivamente nada mau, mas ainda não era o suficiente para o ano seguinte, que seria o último da plataforma de tração traseira.

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Para encerrar a história em grande estilo, a Buick decidiu criara uma edição limitada chamada Grand National Experimental, ou simplesmente “GNX”. No total, 547 exemplares do Grand National foram enviados para uma empresa chamada McLaren/ASC, que foi fundada em 1969 como uma divisão americana da companhia britânica.

Os engenheiros da McLaren/ASC não economizaram esforços, substituindo o turbo original por um Garrett T-3 com revestimento de cerâmica, um intercooler maior foi instalado (junto com tubulação de cerâmica e alumínio), bem como um novo sistema de escape com dois abafadores, porém menor restrição. A transmissão ainda era automática de três marchas — a famosa Turbo Hydramatic —, mas teve as relações revistas e recebeu um novo conversor de torque.

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Por fora, o carro GNX tinha como diferenciais as discretas entradas de ar funcionais nos para-lamas, emblemas do capô e da grade removidos (dando lugar ao “GNX” no canto inferior esquerdo) e rodas mais largas, raiadas de 16” com miolo preto e bordas cromadas.

Do lado de dentro, as novidades do GNX eram uma plaqueta numerada no painel e quadro de instrumentos com novos mostradores Stewart-Warner — incluindo um manômetro analógico de pressão do turbo. Coisa fina.

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O visual discreto, com predominância da cor preta, e a grade imponente levaram a revista americana Car and Driver a usar a frase “Darth Vader, seu carro está pronto” no teste do carro, ainda em 1987. Não precisamos nem dizer que o apelido pegou, não é?

E é provavel que, fora o carro #1, que pertence à Buick e de tempos em tempos aparece em eventos pelos EUA, nenhum outro GNX esteja tão conservado quanto este, que só rodou 362 milhas (cerca de 580 km) desde que foi fabricado. E ele está à venda no eBay — com leilão e preço para compra imediata.

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O vendedor é uma loja de carros chamada Toy Barn, que se diz especializada em “carros premium, difíceis de encontrar” — e afirma que eles vendem rápido por isso. De fato, desde segunda-feira (26), quando o anúncio foi publicado, foram dados dez lances no valor total de US$ 45,1 mil, ou cerca de R$ 115 mil, em conversão direta. A reserva ainda não foi atingida, mas acreditamos que o valor esteja bem abaixo do preço para compra imediata, que é de US$ 109 mil — ou aproximadamente R$ 280 mil.

É um preço bem alto, sem dúvida, mas não duvidamos que alguém possa comprá-lo por este preço — afinal, estamos falando de um carro raro, em estado de conservação mais raro ainda, e que é surpreendentemente rápido para seu visual e para a época. Para colocar em perspectiva, o GNX tinha quase 300 cv e 55,3 mkgf de torque e chegava aos 100 km/h em 4,5 segundos, com o quarto-de-milha sendo cumprido em 13,6 segundos a 167 km/h — mais rápido que o Corvette 1987, que levava 5,7 segundos.

Contudo, como os executivos da GM não queriam nenhum esportivo mais rápido do que o Corvette, a Buick divulgou um número bem mais conservador — 0 a 100 km/h oficial era de 5,9 segundos, enquanto a potência e torque declarados ficavam em 276 cv e 49,7 mkgf. Impressionante de qualquer jeito, se querem saber.

É mesmo uma pena que ele tenha 28 anos, e não 30… já imaginou um Buick GNX no Brasil?

 

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