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Zero a 300

Alguém está vendendo uma coleção incrível de carros do Grupo B 

Em termos de insanidade automotiva poucas criações superam os carros do Grupo B dos anos 1980. Talvez os carros de Franco Sbarro ou Luigi Colani, mas nesse caso seria um outro tipo de insanidade.

Com uma receita mais letal que UTI de hospital público, os carros uniam baixo peso, incontroláveis entre-eixos curtos, turbo lag medido em décadas e níveis de potência dignos de supercarros. Tornaram-se ícones instantâneos.

Mas o que certamente colaborou para o crescimento do culto ao Grupo B foi a possibilidade de comprar versões de rua desses bólidos, uma exigência da FIA para a homologação dos carros. Versões que, além de oferecer um desempenho matador (em todos os sentidos), ainda eram limitadas a uns poucos sortudos que tinham o dinheiro suficiente na hora certa para arrematar cada exemplar.

É por isso que o mais novo leilão anunciado pela RM Sotheby’s vai te deixar impressionado: nada mais, nada menos que uma coleção com as versões de homologação dos maiores ícones do Grupo B — e um Lancia Stratos HF infiltrado no bando. Todos de um único dono, sem preços de reserva e pela primeira vez a venda.

1975 Lancia Stratos HF Stradale 14 copy

O mais antigo da coleção é anterior ao Grupo B, um Lancia Stratos HF Stradale de 1975, a versão de rua do campeão do WRC em 1974, 1975 e 1976, com apenas 12.609 km rodados.

 

Equipado com o V6 da Ferrari Dino 246, o modelo tinha “apenas” 190 cv — 130 cv a menos que a versão de corrida do Grupo 4. Parece pouco, mas estamos falando de um carro de 980 kg e com entre-eixos de somente 2,18 metros (3 cm maior que a de um Isetta!). Como resultado, as 482 unidades do Stratos Stradale chegam aos 100 km/h em 6,8 segundos e à máxima de 232 km/h.

1975 Lancia Stratos HF Stradale 05 copy

O Stratos vem acompanhado de seus dois irmãos mais novos, um 037 Stradale 1983 com somente 9.342 km e um Delta S4 Stradale 1985 com 8.851 km.

1983 Lancia-Abarth 037 Stradale 04 copy

O 037 foi o último carro de tração traseira a faturar o título do WRC, superando o inovador Audi Quattro. Outra diferença em relação ao seu arquirrival é que, em vez do turbo, seu motor 2.0 16v usava um compressor roots Abarth Volumex, que ajudava os quatro cilindros a desenvolver 208 cv.

Com essa especificação as 220 unidades do 037 Stradale chegavam aos 220 km/h e aos 100 km/h em menos de 7 segundos.

1985 Lancia Delta S4 Stradale 06 copy

O Delta S4 foi o primeiro da linhagem que se tornaria a mais bem-sucedida da história do WRC, o precursor da tração integral na marca italiana. Era equipado com um 1.8 “twincharger” que, além do supercharger, usava um turbocompressor. A ideia era usar o supercharger para fornecer pressão em baixas rotações, enquanto a turbina não chegava à pressão ideal.

Com 250 cv, os 200 exemplares produzidos chegavam aos 225 km/h de velocidade máxima depois de acelerar de zero a 100 km/h em seis segundos.

1986 Ford RS 200 07 copy

Se o seu negócio não são os Lancia, o leilão oferece dois exemplares do Ford RS2000 — um dos 200 exemplares de rua e outro na raríssima versão Evolution.

1986 Ford RS 200 Evolution 09 copy-1

A versão de rua usava um 1.8 turbo de 250 cv, que levava o esportivo aos 100 km/h em pouco mais de 3 segundos. O carro usava monobloco próprio, motor central traseiro e um monte de componentes dos Ford da época (você reconhece quais são?), porém sua carroceria era feita de fibra de carbono e kevlar, exatamente como a Ferrari F40 seria feita mais tarde.

A versão Evolution foi a última iteração do RS200, equipada com um 2.1 em vez de um 1.8 turbo. Por isso a potência – que já era mais alta na versão de rali — subia de 350 cv para 550 cv, permitindo que o esportivo acelerasse de zero a 100 km/h na casa dos dois segundos.

Depois temos um Audi Sport Quattro S1 de 1985, que vinha equipada com o lendário cinco-cilindros de 2,1 litros turbo. Aqui produzindo 306 cv em fez dos 450 da versão de competição.

1985 Audi Sport Quattro S1 08 copy

O modelo também é substancialmente diferente do Quattro Coupé convencional, especialmente no entre-eixos de apenas 2,20 metros. Note como o banco traseiro tem o assento curto, impossível de ser usado por um ser humano.

 

O modelo a venda ainda tem o autógrafo de Walter Röhrl no volante. Foram feitos apenas 200 exemplares, capazes de ir de zero a 100 km/h em 3,1 segundos.

1985 Puegeot 205 Turbo 16 01 copy

Por último, mas não menos importante, um Peugeot 205 T16 de 1985 com apenas 1.126 km rodados.

Do 205 original ele só tinha o nome e alguns componentes estéticos externos. Seu motor 1.8 turbo de 16 válvulas produzia cerca de 350 cv na versão de corrida, mas somente 200 cv na versão de rua. Ele era conectado a um sistema de tração integral com distribuição de torque selecionável por meio de engrenagens epicíclica, que ajudava o carro a arrancar de zero a 100 km/h em seis segundos cravados. A velocidade máxima é limitada em 210 km/h pela aerodinâmica com coeficiente 0,35.

1985 Puegeot 205 Turbo 16 11 copy

O leilão será realizado no próximo dia 18 de agosto.

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