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Achados meio perdidos

Alpina B6: o BMW Série 3 esportivo que veio antes do M3

Se você quer um BMW de alto desempenho, existem duas opções: você pode procurar um modelo M, preparado pela divisão Motorsport com o que há de melhor nas prateleiras da Baviera, ou optar por algo ainda mais exclusivo — os BMW modificados pela Alpina. Mais do que uma preparadora autorizada, a Alpina é considerada uma fabricante de automóveis, com uma linha de produção que opera junto à BMW na Baviera. Os carros têm até número de chassi exclusivo.

De qualquer forma, na prática, os Alpina são BMW modificados e preparados. Mas por que eles são especiais? Porque, diferentemente dos BMW M, os carros feitos pela Alpina não são monstros com motores giradores e dinâmica otimizada para virar tempos na pista. Eles têm uma personalidade mais estradeira, mais grand tourer, e seguem uma escola estética que ainda é esportiva, porém com maior ênfase no luxo. E o Alpina B6 do fim da década de 80 é um exemplo clássico — além, é claro, de raro e muito bonito.

Já o BMW M3 E30 é a síntese de tudo o que um BMW M deve ser: seu motor, apesar de ter apenas quatro cilindros (todos os outros modelos M tiveram motores de seis cilindros em linha, V8 ou V10), é girador e tem origem nas pistas — afinal, o M3 surgiu como especial de homologação do Série 3 na DTM, o Campeonato Alemão de Turismo. Seu visual é agressivo para a época (especialmente no fim de sua carreira, nos anos 1990, com para-lamas alargados), e seu comportamento dinâmico é impecável.

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O Alpina B6 também é um Série 3 E30 de alto desempenho mas, como já dissemos, a Alpina prefere uma abordagem mais próxima dos grand tourers, com motores potentes e bons para acelerar nas longas e bem cuidadas Autobahnen — as estradas alemãs sem limite de velocidade em vários trechos e que inspiraram o seminal grupo de krautrock (gênero musical nascido na Alemanha que junta música eletrônica e rock) Kraftwerk a escrever uma de suas mais famosas composições, Autobahn, do álbum homônimo lançado em 1974.

Sendo assim, faz sentido a decisão da Alpina que, em 1984 — exatamente um ano antes de a BMW anunciar o M3 —, colocou o seis-em-linha do M535i no Série 3, mudou mais algumas coisinhas e criou o Alpina B6.

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O “6” do nome, obviamente, faz referência aos seis cilindros de 3,5 litros do BMW M535i, o precursor do M5, lançado em 1979, na geração E12 do Série 5. O chamado M30 era um seis-em-linha que, no M535i, entregava 218 cv. A Alpina retrabalhou o cabeçote e as câmaras de combustão, os pistões foram trocados por outros mais leves, da Mahle, e o motor recebeu comando mais agressivo e escape menos restritivo. O resultado foi um aumento na potência para 261 cv a 6.000 rpm e o no torque, para 35,3 mkgf a 4.000 rpm. Se pararmos para pensar, isto é mais do que a potência dos primeiros M3 de competição, que eram preparados para render até 250 cv!

Além de tudo, tinha um ronco matador

O motor foi acoplado a uma caixa do tipo dog leg (com a primeira marcha para trás, como nos carros de corrida) com relações um pouco mais curtas. Além disso, o carro recebeu amortecedores Bilstein, molas progressivas e freios com discos maiores e ventilados, abrigados pelas clássicas rodas de 20 raios que se tornaram uma das marcas registradas da Alpina.

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Completam o pacote de modificações um spoiler dianteiro maior, uma asa traseira na tampa do porta-malas, volante exclusivo e faixas douradas sobre a pintura azul-escuro, quase preto. Só foram feitos 219 destes carros entre 1987 e 1990, e o carro das fotos, que encontramos à venda no eBay, é o de número 30.

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De acordo com a descrição, o carro é o único que existe nos EUA, e o único Alpina B6 E30 à venda no mundo atualmente — pela bagatela de US$ 62 mil, ou aproximadamente R$ 177 mil. É mais caro que a média dos melhores M3 da mesma época e, para justificar, o vendedor diz que além de raro, o carro está 99,9% impecável com exceção de duas pequenas queimaduras de cigarro perto do cinzeiro e um sinal no spoiler dianteiro.

É o tipo de carro perfeito para incluir em uma coleção de clássicos, não acham?

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