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Alpine A110 ou Renault 5 Turbo: estas duas lendas do rali francesas estão à venda – e você só pode escolher um deles!

De vez em quando, a gente aqui no FlatOut gosta de brincar com a sua imaginação — afinal, de que vale gostar de carros se você não puder fantasiar um pouco? Pois bem: lembra daquele cara muito rico e muito generoso que te fez escolher entre uma seleção de Ferrari, um BMW M1 e uma Ferrari Testarossa, um Lamborghini Countach e um Diablo e, por fim, um Ford GT e um Porsche Carrera GT? Ele está de volta, e agora a opção é entre dois carros de rali franceses lendários: um Alpine A110 e um Renault 5 Turbo. Você só pode ficar com um deles. E aí, qual vai ser?

Ambos serão leiloados no próximo dia 14 de maio pela RM Sotheby’s, em Monaco, e ambos deverão ser arrematados por mais ou menos a mesma quantia. Ambos são carros de rali que competiram no WRC e estão impecáveis. Honestamente, a gente adoraria ficar com os dois, mas o cara já disse que você só pode escolher um, e não adianta chorar. Vamos dar uma olhada direitinho em cara um deles!

Renault Alpine A110 1974

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O Alpine A110 já tem uma reputação e tanto: em 1973, ele foi o primeiro carro a vencer o Campeonato Mundial de Rali. Ele também é um carro muito bonito — seu antecessor, o A108, era praticamente igual e deu origem a um dos mais belos esportivos brasileiros, o Willys Interlagos. E ele é uma máquina e tanto.

Como você já deve saber, tanto o A108 quanto o A110 eram baseados Renault 4CV, popular que no Brasil ficou conhecido como “Rabo Quente” por causa do motor na traseira.

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O A108 herdou, inclusive, os motores de quatro cilindros em linha de 845 e 904 cm³ do 4CV — que tinham parcos 37 cv e 53 cv, respectivamente, mas eram capazes de levar o esportivo de apenas 600 kg aos 160 km/h em seus melhores dias. De qualquer forma, um motor maior e bem mais potente faria um estrago considerável, no melhor sentido possível, em um carro tão leve. E foi a combinação de baixo peso, maior potência e pilotos talentosos que deu ao sucessor A110 seu título no WRC.

O Alpine A110 já competia no IMC, ou International Manufacturers Championship, campeonato disputado desde 1970 que já trazia no calendário provas consagradas como o Rali Monte Carlo e o RAC Rally britânico — e já havia até ficado com o título em 1971. Em 1973, a FIA decidiu transformar o IMC no WRC.

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A equipe levou nada menos que quatro carros, todos com motor de 1,8 litro e 195 cv, para disputar o título e venceu seis das 13 etapas — incluindo a estreia em Monte Carlo, com uma vitória tripla. Contamos esta história em detalhes aqui.

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Em 1974, quem venceu o WRC foi o Lancia Stratos, mas isto não torna o exemplar de 1974 que será leiloado em Monaco menos espetacular. Pelo contrário: além de participar do Tour de Corse naquele ano, chegando em segundo lugar, o carro disputou alguns ralis em 1975, vencendo, inclusive, o rali de Critérium Alpin com Jean-Pierre Nicolas ao volante. Ainda naquele ano, o carro foi vendido para uma equipe particular chamada Adema, mas não chegou a competir.

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A partir daí, o carro trocou de mãos algumas vezes e até viajou para o Japão em 1993. Àquela altura, o carro estava no meio de uma restauração — que só foi concluída depois que o carro voltou para a Europa, em 2010. Atualmente, ele está absolutamente impecável, e equipado com um motor 1.8 de 175 cv. Além disso, o A110 está apto a participar de competições históricas.

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A RM Sotheby’s estima que o carro será arrematado por algo entre € 240 mil e € 280 mil — ou R$ 980 mil e R$ 1,13 milhão, em conversão direta. Se você for ficar com ele, faça o favor de colocá-lo para acelerar! Mas é melhor conhecer a outra opção antes, não é mesmo?

 

Renault 5 Turbo 1982

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Menos de dez anos depois, o WRC já era uma competição bem diferente: em vez de cupês de motor central-traseiro, protótipos turbinados com cara de hatchback. E o Renault 5 Turbo é um dos mais emblemáticos.

Quando contamos sua história, dissemos que o Renault 5 Turbo era o carro de rali certo no momento errado. Isto porque ele era um carro incrível, mas chegou tarde demais: em 1981, seu ano de estreia, já havia rivais muito mais potentes (com até 500 cv) e, em 1982, o Audi Quattro esmagou todo mundo com seu sistema de tração integral.

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O Renault 5 Turbo era baseado no hatchback de mesmo nome e foi apresentado em 1978. A ideia era colocar um motor V6 atrás dos bancos dianteiros, mas a Renault só tinha dinheiro para um motor 1.4 turbinado. Se, na versão de rua feita para homologação, a potência era de 160 cv, no carro de competição, podia chegar perto dos 300 cv. Um detalhe interessante: quem fabricava as carrocerias era a Alpine.

O Renault 5 Turbo venceu algumas provas esporádicas na década de 1980 — especialmente depois de 1984, quando ganhou um motor de 1,6 litro com turbo e 350 cv. O carro em si era muito veloz, mas jamais chegou ao nível dos rivais. Imagine ter que enfrentar o Lancia Delta S4, que tinha turbo e compressor mecânico, o Ford RS200 e outros monstros do Grupo B!

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É claro que nada disso desabona o exemplar leiloado pela RM. Ele é de 1982, quando a Renault ainda não havia aderido ao Grupo B e, em vez disso, competia no Grupo 4, que era um pouco menos insano. Seu motor desloca 1,4 litro e desenvolve 270 cv, sendo alimentado por um sistema de injeção Bosch K-Jetronic.

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O carro venceu cinco provas entre 1982 e 1984, além de conseguir o quarto lugar na classificação geral no Rali Monte Carlo de 1984, sendo o primeiro entre os carros de tração traseira. Seu desempenho foi suficiente para vencer o Campeonato Francês de Rali de 1982 — uma bela conquista, sem sombra de dúvida.

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Depois de 1984, o carro foi parar em mãos particulares e competiu em eventos seletos desde então — não apenas na Europa continental, mas também na ilha de Guadalupe, no Caribe (que pertence à França), para onde foi levado em algum ponto da década de 1980. Em 1999, o carro voltou à Europa, onde foi restaurado por uma famosa concessionária de carros de rali (que não teve seu nome revelado) e teve a carroceria redecorada com a pintura que vestiu no Rali Monte Carlo de 1984. Seu mais recente evento foi o Tour de Corse Historique em 2012, onde conquistou o quarto lugar.

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De acordo com a RM Sotheby’s, o carro deverá ser arrematado por algo entre € 250 mil e € 350 mil, ou R$ 1 milhão e R$ 1,4 milhão.

A gente ainda não conseguiu decidir, e por isso mantemos nossa pergunta: qual dos dois você levaria para casa? Se quiser justificar sua escolha, fique à vontade!

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