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Pensatas Técnica

Android Auto é a resposta do Google ao Apple CarPlay – e o início de um futuro de carros conectados

Um dos primeiros posts publicados no FlatOut foi um passo-a-passo para usar seu smartphone Android ou iOS como computador de bordo para o seu carro. Da publicação do post até hoje se passaram pouco mais de oito meses — o que pode parecer pouco tempo em muitas situações, mas não quando se trata de evolução tecnológica.

Na época, quando se falava em integração do seu smartphone com o carro, o negócio se resumia a conexão Bluetooth automática com sincronização de agenda a playlists ou então ao Pioneer App Radio, o primeiro modelo produzido em grande escala com capacidade de reproduzir funcionalidades dos aplicativos de seu smartphone na tela do rádio. Também havia (há) alguns aparelhos multimídia para carros fabricados na China, com marcas genéricas, com sistema operacional baseado em Android e direito até a chip 3G, mas sem um grande fabricante por trás, nem apoio oficial do Google, o negócio não deu muito certo.

Então veio o Salão de Genebra em março deste ano, e a toda poderosa Apple apresentou seu CarPlay, prometendo ser a melhor integração entre seu carro e seu smartphone, ou iPhone, nesse caso. A Apple já tinha parcerias com vários fabricantes para seu sistema Siri Eyes Free, mas a integração ainda era limitada pelos fabricantes e por isso nunca decolou. Com o CarPlay a Apple assume o controle, e isso significa que você não precisará esperar as atualizações do fabricante (que sempre demoram para aparecer) para poder integrar seus apps favoritos com o sistema do carro, pois as atualizações serão lançadas junto com as do iOS.

Logicamente o maior rival da Apple no mercado de smartphones e tablets não ficaria de braços cruzados vendo a maçã dominar os carros novos de todo o mundo. Eles apresentaram sua resposta ao CarPlay no Salão de Los Angeles durante o mês de novembro. Seu nome é Android Auto, e ele terá basicamente as mesmas funcionalidades do CarPlay, com ênfase em comandos de voz e simplificação de ações, uma vez que seu usuário estará dirigindo um carro e não pode dividir a atenção com um computador.

Assim como o CarPlay, o Android Auto ainda se conecta ao smartphone por meio de um cabo USB. Na tela do carro, a interface é toda baseada em cards do Google Now e mensagens de texto — tanto do Hangouts, quanto do WhatsApp e Facebook são lidas pelo recurso de ditado e fala presente nos smartphones. Você também poderá responder às mensagens por comandos de voz, que serão convertidos em texto e enviados. O mesmo vale para o sistema de busca e navegação — tudo o que você precisar pode ser solicitado ao toque de um botão como já acontece na pesquisa por voz dos smartphones Android.Logicamente os aplicativos de navegação e players de música também serão integrados e terão áudio reproduzido pelos alto-falantes do carro, como qualquer integração simples via Bluetooth.

Como a ideia aqui é integrar smartphones e carros, os apps serão executados a partir do aparelho, em vez de ser instalados diretamente no sistema do carro. Ou seja: trata-se de uma interface auxiliar, o que nos deixa alguma preocupação quanto à  versatilidade do negócio.

Por exemplo: quando comprei meu carro atual, eu usava um smartphone Android. Depois passei quase quatro anos com um iPhone, comprei um Android novamente e agora uso Windows Phone (que também receberá sua versão automotiva em breve). Provavelmente minhas escolhas de smartphones seriam pautadas pelo sistema instalado no meu carro, então seria uma boa sugestão aos fabricantes oferecer as duas opções aos clientes. Por outro lado, tanto CarPlay quanto Android Auto serão oferecidos também em aparelhos aftermarket, como o Pioneer App radio, que já oferece suporte próprio aos aparelhos com iOS e Android, mas exige um cabo específico que não é dos mais baratos.

Mas se você parar pra pensar, este é apenas o início de uma nova era e como em todo início os desbravadores ainda estão experimentando soluções e alternativas para o futuro, como cientistas em laboratórios fazendo experimentos de tentativa e erro/acerto. Não é preciso muita imaginação para vislumbrar o futuro desses sistemas: se hoje já temos nossos computadores sincronizados com smartphones e tablets, o carro seria apenas mais um elemento dessa nuvem de gadgets e isso não é exatamente um problema.

Ao incluir o computador de bordo e até mesmo algumas funções da ECU, os fabricantes poderão criar aplicativos de diagnóstico prévio capazes de agendar manutenções com um prognóstico do que há para ser feito nos carros. Você poderá manter uma planilha de custos e despesas do carro sincronizada automaticamente pelos dados informados pelo computador de bordo, que dirá ao aplicativo quantos litros foram consumidos em um determinado período de tempo. Em vez de perder horas copiando notas de abastecimento e decorando consumo médio, você só precisará baixar a planilha gerada automaticamente. Ou viajando ainda mais para o futuro, poderemos até mesmo pagar abastecimentos com meia dúzia de toques no painel, uma vez que já existem aplicativos de pagamentos digitais, integrá-los aos carros talvez seja somente uma evolução natural que acontecerá em um futuro próximo — que pode chegar  mais rápido do que imaginamos, se você considerar que iOS e Android sequer completaram uma década de vida.

 

 

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