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Aniversário do FlatOut: cinco anos de cultura automotiva. O que nos move.

Sinto que este 22 de dezembro é mais especial que os últimos quatro. Primeiro porque sobrevivemos. Dizem que quando olhamos para trás tudo parece mais fácil e bonito, mas o fato é que esse ano era pra ter sido o último ano do FlatOut. Provavelmente não teríamos atingido sequer o 22 de dezembro. As coisas já estavam difíceis em 2016. Em 2017 elas ficaram realmente obscuras de uma forma difícil de explicar. E 2018 começou na absoluta incerteza de que terminaríamos no ar.

Se os leitores mais próximos já sabiam deste risco e eram solidários a ele, foi quando publicamos o vídeo “O fim do FlatOut?” que a maior parte do público sentiu o baque e entendeu que não era brincadeira. Foi literalmente a última tentativa antes de começarmos um processo de sangria de equipe e estrutura e felizmente deu certo, ao menos momentaneamente. Sentíamos que o crowdfunding teria uma data pra começar a desengrenar (e não faltaram leitores avisando sobre isso), pois a energia vindo da massa das contribuições era movida por este baque: passado o susto, o problema voltaria a aparecer.

Na época do lançamento do vídeo, começamos a estudar os modelos sustentáveis do jornalismo profissional lá fora. Não achava aceitável enfiar um monte de pop-ups, links para sites de afiliados com fotinhos da moça loira com os dentes negros (técnica de clareamento mágico) dentre outros click-baits, ou abrir as pernas para fazer ações patrocinadas agressivas do tipo vale-tudo, que fossem na contra-mão daquilo que acreditávamos. E daí começaram as pesquisas sobre os modelos bem-sucedidos de paywall, como os da Autosport britânica ou do NY Times. Nós implementamos ele quatro meses depois da campanha do crowdfunding e, com tudo isso junto, encontramos o caminho para estancar a sangria do FlatOut, que primeiro voltou a respirar e agora está começando a olhar para cima novamente.

É graças a isso que vocês estão hoje vivendo o FlatOut MK2 (que ainda precisa de vários ajustes que serão feitos nos próximos dias) e que vocês verão várias novidades em 2019 – mais sobre isso adiante.

Mas nem tudo é tão bem carburado. Com estes dois parágrafos acima, descobrimos os dois extremos da personalidade das pessoas. Começando pelo lado venenoso e egoísta. No crowdfunding, alguns apontaram o dedo e chamaram de mendicância, de melodrama. Uns pela frente, outros pelas costas. Com o paywall, apontaram o dedo para nos chamar de mercenários, de antiéticos, de copycats de editoras falidas. Sem contar os empreendedores de teclado, que repentinamente passaram a defecar regras sobre o que fizemos de errado em nossa história e o que deixamos de fazer ou o que teríamos de fazer para ter sucesso. Nunca tivemos uma mensagem sequer deste calibre agressivo, jocoso e venenoso enquanto o site era 100% aberto. É como se fosse revelada uma personalidade oculta dessa galera. Talvez a verdadeira.

No outro extremo, contudo, descobrimos o lado mais bonito de pessoas movidas pelos mesmos interesses que nós. Se nosso interesse fosse enriquecer, meus caros, estaríamos milhas distantes desse barco furado que é o jornalismo. Nossa equipe trabalha de domingo a domingo há cinco anos. Não apenas sacrificamos confraternizações familiares, momentos com nossas companheiras e mesmo a vida com nossos hobbies. Sacrificamos bens pessoais. Vendemos carros, peças, abrimos mãos de sonhos para continuar sobrevivendo e produzir tudo isso diariamente. Obter receita não é um fim, é um meio. O fim está em cada um destes mais de 9.000 textos e quase 240 vídeos.

O fim está no momento em que você termina de ler um texto ou vídeo nosso e pensa sozinho: “porra, que massa. Aprendi isso, isso ou aquilo” ou “que puta experiência animal acabei de ter, esqueci de todos os meus problemas” ou “é isso. Vou comprar o meu carro antigo!” ou “é isso, vou ser engenheiro mecânico e não quero nem saber” ou “cara, não fazia ideia de tudo isso” ou “que coisa boa poder compartilhar a evolução do meu projeto com essa turma!”. Ou quando esse reconhecimento vem de pilotos profissionais, personalidades importantes do antigomobilismo ou de engenheiros de marcas automotivas. Nesse momento é que nossa missão está cumprida. É isso que nos move – em toda manhã de produção ou em toda madrugada de filmagens do FlatOut Midnight.

E estas pessoas boas que estão conosco não necessariamente assinaram o crowdfunding ou mesmo o site. Parte delas sequer tem condições para isso. Parte delas não necessariamente concordavam com o que estávamos fazendo. Mas estavam conosco. Entendiam as motivações, sabiam de tudo o que tínhamos feito e sacrificado até então e compreendiam que só havia uma bala possível no tambor. Que estavam abertas para o debate, para ouvir e entender antes de sair julgando. Foram muitas conversas enriquecedoras e mensagens verdadeiramente bonitas, engrandecedoras, que trouxeram uma energia que foi além da material, também indispensável. E nas horas difíceis, são estas coisas que dão sentido ao que estamos fazendo.

Quis começar este post de aniversário com este ligeiro desabafo, porque é algo que estava entalado em minha garganta em particular – mas creio que possa falar em nome de todos da equipe.

 

2018: uma quase morte, mas muitas novas vidas

Se 2018 foi o ano do quase-fim do FlatOut e de todos estes julgamentos, foi também o ano em que floresceu de vez o FlatOut Midnight – um quadro que, não canso de dizer, foi feito para ser assistido daqui a trinta ou quarenta anos por nós mesmos, entusiastas. Para nos lembrarmos de algo que provavelmente não existirá, ao menos da forma como vivemos hoje. Temos hoje 34 episódios já publicados e em 2019 teremos mais.

Foi o ano em que nasceu o FlatOut Driving Academy, talvez o meu sonho mais antigo depois de conhecer Nürburgring Nordschleife. A ideia de aprender, absorver e retransmitir todo esse conhecimento sobre técnicas de pilotagem e dinâmica automotiva para leigos e mesmo veteranos. É um projeto que ainda está começando, pois sequer entramos nos módulos de pilotagem efetivamente, pois acabamos de sair dos módulos dos erros típicos e de lições básicas. Neste ano, também botamos para rodar o FlatOut 56, quadro filmado com Marcos Rozen, do Museu da Imprensa Automotiva, feito para relembrar a história de diversos clássicos brasileiros pela ótica da imprensa e materiais da época.

Em primeiro plano, eu registrando os detalhes da F40. Ao fundo, Leo Contesini apurando detalhes da F50 com o detailer Júnior

2018 foi o ano em que eu e o Leo Contesini fomos, conhecemos e cobrimos com um tesão inenarrável o encontro de clássicos de Araxá (Brazil Classics Show – clique aqui para acessar a lista de matérias), com um nível de detalhes e minúcias que ainda não tínhamos visto na imprensa a respeito deste evento maravilhoso. Foi também o ano em que eu, o Leo, o Dalmo Hernandes e o Felipe Cluk cobrimos todos juntos o Salão do Automóvel, o primeiro trabalho que fizemos com toda a equipe in loco.

Este também foi o ano que a nossa loja engrenou, tirando do ar uma promessa tão antiga quanto a existência do próprio FlatOut, graças ao trabalho dedicadíssimo da Renata Loes, que alguns de vocês reconhecem pelo ótimo atendimento que ela presta.

E, para coroar tudo isso e fechar o ano com chave de ouro, 2018 foi o ano em que nasceu o FlatOut MK2, algo que representa um rito de passagem para um novo momento da história do FlatOut. Por tudo isso, tenho a certeza de que este ano, por mais difícil que tenha sido, foi o momento em que edificados pilares fundamentais para os próximos que virão.

 

2019: o ano da responsabilidade

Por melhor que tentemos fazer as coisas, nós cometemos muitos erros ao longo de nossa história. Alguns erros de apuração, outros de escrita, outros técnicos, outros simplesmente erros partindo do pressuposto de que aquele material poderia ser muito melhor. Mas, por falta de tempo, de atenção ou simplesmente sobrecarga ou um dia ruim, eles aconteceram.

Há exatamente dez anos, meu querido professor Marco de Bari (foto abaixo, ao centro) disse um dos ditados mais importantes que carrego comigo até hoje: “merdas cagadas não voltam ao cu”. Sabemos que alguns destes erros queimaram o nosso filme e alguns deles macularam conteúdos importantes. E nos textos importantes que nada de errado aconteceu, ainda ficamos com a sensação de que se gastássemos mais uma ou duas horas lambendo os detalhes, teríamos algo formidável em mãos.

É por isso que, em 2019, teremos um projeto especial, o FLATOUT REVIVAL. Será o trabalho que faremos recuperando todos os principais e mais importantes textos do FlatOut, reeditando fotos para esta nova resolução que o MK2 permite, atualizando informações, corrigindo todos os erros, aprimorando a redação, incorporando mais informações. Enfim: buscaremos fazer algo impecável e publicaremos novamente. Desta forma, tudo aquilo que é mais importante que o FlatOut publicou terá um legado digno. Todos os posts do FlatOut Revival terão este emblema no começo das matérias.

É por este motivo que chamo 2019 de o ano da responsabilidade do FlatOut. É o ano em que considero que faremos o trabalho mais maduro e profissional que este site já fez. Sem nunca esquecer as suas raízes de bancos aveludados.

Só isso? Não. Em janeiro vocês verão um quadro novo aqui no site. Se em 2018 fizemos produções especiais para os fãs de carros de rua com o FlatOut Midnight, em 2019 traremos algo saborosíssimo para os antigomobilistas. Fiquem antenados.

Mais alguma coisa? Sim. Pelo amor de deus, 2019 tem que ser o ano em que cumpriremos a promessa de fazer o segundo encontro oficial do site. Ao menos do grupo dos leitores participantes do crowdfunding, isso se transformará em realidade já em janeiro. Mas no ano que vem faremos o encontro geral sim.

Queridos leitores, é isso. Obrigado demais por estarem conosco nesta jornada. Agora, me deem uma licença. Meu Honda Prelude está literalmente com um dedo de poeira, pois está parado há três meses. Preciso cuidar dele.

Um grande abraço em nome de toda a equipe do FlatOut!

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