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Anti-Super Trunfo: os carros que são divertidos mesmo sem números impressionantes – parte 1

Um dos posts mais acessados do último domingo foi uma pergunta que fizemos aos leitores: quais são os melhores carros que não precisam de números impressionantes para divertir? É o tipo de questão que dá asas à imaginação e, naturalmente, muitas sugestões bacanas surgiram na caixa de comentários. Chegou a hora de escolher as melhores!

Foi uma decisão bem difícil — afinal, somos da opinião de que todo carro pode ser divertido se guiado do jeito certo. No entanto, é óbvio que alguns realmente fazem por merecer a boa reputação que tem. Nossa sugestão, por exemplo: o Mini original, de 1959, começou sua vida com um motor de 0,8 litro e 34 cv, mas se tornou uma lenda por ser um carro bom de guiar e por vencer o Rali de Monte Carlo três vezes. Sendo assim, vamos à primeira parte da lista?

Toyota AE86

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Para começar, devemos lembrar que o Toyota AE86 é um Corolla — sim, uma versão de tração traseira e um motor para lá de esperto do Corolla de quinta geração. Seu visual clássico oitentista (o AE86 foi vendido entre 1983 e 1987) é só o cartão de visitas: ele também tinha freios a disco nas quatro rodas e suspensão com barras estabilizadoras na dianteira e na traseira, além de ser uma bela base para um project car.

E, com o piloto e as modificações certas, dar trabalho para caras muito mais potentes, como o Skyline GT-R

E ele nunca foi muito caro ou potente: tinha apenas 120 cv e 14,5 mkgf de torque em seu motor 1.6 com comando duplo no cabeçote. No entanto, sendo relativamente leve (menos de 1.000 kg) e bem acertado, isto nunca foi problema. Na verdade, um motor 1.6 de 120 cv era algo até impressionante na década de 1980.

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Não foi à toa que, mesmo anos depois, o AE86 tenha se tornado um ícone cultural — seja nas mãos de Keiichi Tsuchiya, o drift king, ou como astro do anime/mangá Initial D.

 

Honda Civic VTi

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A quinta geração do Honda Civic é considerada uma das melhores por seus fãs. Não é para menos: ele tinha baixo peso, motores confiáveis e potentes na medida certa e uma ampla variedade de carrocerias, além de algo muito interessante do ponto de vista entusiasta: suspensão independente com braços sobrepostos do tipo “duplo-A” (double wishbone) nos quatro cantos. O resultado era um carro que, mesmo nas versões menos potentes, era razoavelmente divertido de dirigir.

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Para muitos, porém, o Civic de quinta geração que realmente vale à pena é o VTi, de código EG6. A razão? Seu motor: o B16A, que era bastante girador (o limite de giro era de 8.000 rpm) e entregava nada menos que 160 cv a 7.600 rpm e 15,5 mkgf de torque a 7.000 rpm. O comando variável VTEC entrava em ação às 5.000 rpm.

Em números absolutos, 160 cv não derrubam o queixo de ninguém, mas no Civic VTi eram suficientes para que o carro acelerasse até os 100 km/h em 7,3 segundos, com máxima de nada menos que 212 km/h. Não é à toa que o hatch era um dos favoritos das gangues de corridas de rua do Japão — e, muitas vezes, sofriam apenas modificações na suspensão e nos freios, visto que 160 cv eram mais que suficientes.

 

Suzuki Jimny

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Aqui, temos uma lógica diferente: o Suzuki Jimny não é o que você escolheria para encarar uma trilha se fosse analisar somente seus dados de desempenho e seu porte diminuto. No entanto, ele é na prática um kei car transformado em veículo off road. E ele faz milagres com seu quatro-cilindros de 1,3 litro com comando duplo variável nas válvulas de admissão, que entrega apenas 85 cv a 6.000 rpm e 11,2 mkgf a 4.100 rpm.

O segredo? Como comentamos aqui, debaixo daquela carroceria bonitinha com apenas 3,67 m de comprimento, há um jipe de verdade — as chapas do chassi têm a mesma bitola do chassi da L200, tração seletiva nas quatro rodas com reduzida e suspensão do tipo trilink com eixo rígido na dianteira e traseira. Só quem já levou um Jimny ao limite em uma trilha sabe do que o pequeno japonês (que, na verdadade, é feito desde novembro de 2012 na fábrica da Mitsubishi em Catalão/GO) é capaz.

 

Chevrolet Chevette

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O Chevrolet Chevette é, sem dúvida, presença obrigatória em uma lista como esta. Afinal, nos vinte anos em que foi fabricado no Brasil (de 1973 a 1993), o Chevas jamais foi um expoente de potência. Seu motor mais potente era um 1,6-litro de 81 cv líquidos, movido a álcool, lançado em 1987. E mesmo as versões esportivas eram relativamente fracas: o Chevette S/R, por exemplo, tinha que se virar com os 76 cv (brutos) de seu 1.6 com carburador de corpo duplo.

No entanto, estamos falando de um dos poucos carros de tração traseira realmente acessíveis no nosso Brasil, e um dos que oferecem melhor relação custo-benefício-diversão. E não estamos falando das diversas possibilidades de preparação que todo Chevetteiro conhece: mesmo um carrinho original e inteiro pode colocar um sorriso no rosto de qualquer entusiasta em um dia de chuva.

 

Alpine A110

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Estamos falando daquele que foi o campeão da primeira temporada do WRC, o Campeonato Mundial de Rali, em 1973. A versão de corrida tinha um quatro-cilindros de 1,8 litro e 195 cv, o que era bem impressionante para época, mas nem tanto hoje em dia. Isto dá uma boa ideia da competência do conjunto.

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A versão de rua era bem menos potente: lançada em 1961, era equipada com um quatro-cilindros de origem Gordini (preparadora francesa fundada em 1946 que, em 1968, tornou-se uma divisão da Renault)— que deslocava 1,1 litro e entregava saudáveis 95 cv.

No início da década de 1970, o carro passou a ser equipado com um 1.6 Renault com bloco de alumínio que, alimentado por dois carburadores Weber 45, rendia 125 cv, que eram capazes de levá-lo aos 210 km/h. Nada mau, ainda mais para um carro tão atraente.

 

Chevrolet Celta 1.4

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Antes de torcer o nariz para o Celta, lembrando que ele foi uma versão atualizada da antiga plataforma do Corsa B, de 1994, e que ele é um carro bastante antiquado para o mercado atual, duas coisas. Primeiro, o Chevrolet Celta foi um dos carros mais bem votados nos comentários. Segundo: entre 2003 e 2007, o Celtinha teve uma versão com motor de 1,4 litro que fazia qualquer entusiasta esquecer o volante torto e estrutura que não era a mais resistente do mundo.

Além dos 85 cv do motor 1.4, que garantiam bem mais fôlego que os 70 cv da versão 1.0, o carro ganhava discos de freio maiores e ventilados na dianteira, além tambores de freios maiores na traseira. O 0-100 km/h de 12,3 segundos e a velocidade máxima de 161 km/h anunciados pela Chevrolet complementavam a desenvoltura natural do Celtinha, que era leve (apenas 843 kg!), baixo e tinha entre-eixos curto, na medida para fazer curvas. Quem acelerou, sabe.

 

Subaru BRZ/Toyota GT 86

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Se há um automóvel que pode ser considerado a síntese dos “anti-Super Trunfo”, este carro é o Toyobaru. Isto porque quando ele foi apresentado, em 2012, muito se esperava: em parceria, Toyota e Subaru prometeram trazer de volta os esportivos leves e divertidos com um cupê de duas portas, tração traseira e um visual mais do que agradável — nada muito diferente do que era o AE86 original.

Tudo isto acabou se confirmando: o Toyota GT 86 (assim como seu irmão gêmeo, o Subaru BRZ) é um grande esportivo à moda antiga. Nós já o aceleramos e podemos garantir que é verdade. Ele tem entre-eixos na medida certa, centro de gravidade baixo, tração traseira, ergonomia de pilotagem sublime e é realmente gratificante na hora de afundar o pé direito.

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O “porém” está na ficha técnica: seu boxer de dois litros entrega 200 cv a 7.000 rpm e 20,9 mkgf de torque entre 6.400 e 6.600 rpm, e os entusiastas mais chatos exigentes acham que isto é pouco. Claro, não é muito para os padrões atuais, mas você não vai querer muito mais do que isto a não ser que seja um cara realmente bom de braço. Ainda não se convenceu? Então leia a avaliação completa do Toyobaru aqui!

 

Caterham Seven 160

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Se existiu neste mundo um cara que realmente entendia de carros incríveis sem números absurdos, este cara era Colin Chapman, fundador da Lotus. Em 1957, ele criou o Lotus Seven, um esportivo equipado com um motor 1.2 Ford “side valve” de apenas 41 cv e tração traseira. Fabricado com chassi tipo spaceframe e carroceria de alumínio, o Lotus Seven não chegava aos 500 kg em suas primeiras versões. E ele era tão bom que é fabricado até hoje, como Caterham 7.

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A receita e o design básico são praticamente os mesmos — atendendo os padrões modernos de construção e usando componentes modernos, claro. Hoje, existem diversas versões — até mesmo uma com motor Ford Duratec dois litros que, graças a um compressor mecânico, entrega nada menos que 314 cv a 7.700 rpm e 30,2 mkgf de torque a 7.350 rpm. No entanto, se você quiser ter a verdadeira experiência de um 7, o modelo que você quer é o Caterham 7 160.

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Ele usa um motor de 0,66 cm³ originário dos kei cars da Suzuki sobrealimentado por turbo para produzir modestos 80 cv. Contudo, pesando apenas 500 kg e usando pneus de 175 mm de largura, isso é suficiente para fazer o ponteiro beliscar os 100 km/h em 6,5 segundos e levá-lo à máxima de 161 km/h – o que não parece muito, mas em um carro assim leve e equilibrado é mais do que suficiente para garantir a diversão.

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