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As gerações de carros que atravessaram décadas – parte 2

Alguns carros vivem mais que outros, o que é normal. E todos precisam evoluir. Mas alguns deles duram décadas a fio em uma mesma geração, geralmente porque são tão eficientes em sua proposta que não admitem mudanças. Pensando nisso, separamos alguns dos carros que tiveram as gerações mais longevas em toda a história da indústria automotiva.

A primeira parte desta lista você confere clicando aqui. A segunda você confere agora!

 

Peugeot 405

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Peugeot 405 em 1987

Produzido de 1987 até hoje (31 anos e contando)

Nós costumamos lembrar do Peugeot 405 por seus triunfos como carro de rali – especialmente a épica subida de Ari Vatanen ao volante do 405 T16 em Pikes Peak, que até virou curta-metragem. A essência do projeto, contudo, era a de um sedã/perua de família. O Peugeot 405 começou a ser fabricado na França e no Reino Unido em 1987, tornando-se logo de cara um dos carros mais vendidos do Velho Mundo.

De início ele era oferecido apenas como sedã, mas no ano seguinte veio a carroceria break (que é como os franceses costumam chamar suas peruas) e a nomeação como Carro do Ano na Europa. Não é para menos: a aceitação do modelo familiar pelo mercado foi tanta que já em 1989 a Peugeot comemorava a produção de 500.000 unidades. Ele também foi exportado para os Estados Unidos entre 1988 e 1991, tornando-se o último Peugeot a ser oferecido no mercado norte-americano.

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Iran-Khodro Peugeot Pars em 2018

Mecânica robusta, desenho elegante e prazer ao dirigir são algumas das qualidades que mantiveram o Peugeot 405 entre os carros mais vendidos da Europa ao longo dos dez anos em que ele foi fabricado na França. Contudo, depois que ele saiu de linha por lá, outros países continuaram produzindo o 405 sob licença. Como contamos neste post, a Iran Khodro, principal fabricante de automóveis do Irã, produz desde 1999 o Peugeot Pars, que nada mais é do que um 405 levemente reestilizado.

 

Volkswagen Kombi

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Transporter T1 alemã, década de 50

Primeira geração fabricada entre 1950 e 1975 (25 anos); segunda geração fabricada entre 1976 e 2013 (37 anos)

A história da Kombi já é bem conhecida: no fim dos anos 40 a VW recebeu a visita de um de seus importadores, um homem holandês chamado Ben Pon. Ele foi à Alemanha encomendar um lote do VW Type 1 (nome oficial do Fusca na época), mas acabou inspirado por um veículo de carga improvisado sobre a plataforma do Fusca. Foi o que lhe inspirou a projetar um furgão usando a mesma base, porém com o motorista deslocado para cima do eixo traseiro. Ele mandou o projeto para a sede da Volks, que aprovou o veículo e começou a produzi-lo em 1950 como Volkswagen Type 2.

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Volkswagen T1 Kombi, 1967

Já em 1950 a Kombi começou a ser montada no Brasil em regime CKD (com componentes importados da Alemanha), passando a ser fabricada de fato por aqui em 1957. Agora, enquanto na Europa a segunda geração da Kombi (T2) foi lançada em 1968, no Brasil a primeira geração (T1, também conhecida como “Corujinha”) seguiu em produção até 1975.

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Kombi Carat brasileira, 1997

A Kombi brasileira mudou de “cara” em 1976, quando adotou o estilo da Kombi T2 alemã, porém sem alterar os aspectos técnicos do carro – a Kombi T2 tinha chapas duplas na carroceria e porta lateral corrediça. O veículo resultante, um híbrido de Kombi T1 e T2, chamada lá fora de “T1.5”.

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Kombi Last Edition, última série produzida no mundo, 2013

Dito isto, apenas em 1996 a Kombi brasileira passou por uma nova atuazação, finalmente adotando as portas corrediças do modelo alemão. Assim ela foi produzida até 2013, sendo que em 2006 o motor boxer arrefecido a ar foi substituído por um quatro-cilindros em linha a água, de 1,4 litro e 80 cv, igual ao utilizado pelo VW Fox exportado para o Reino Unido.

 

Bristol Type 603

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Bristol 603 em 1976

Produzido de 1976 a 2011 (35 anos)

A Bristol surgiu como fabricante de aeronaves, e foi uma das companhias que forneceram aviões de combate às forças armadas britânicas durante a Segunda Guerra Mundial. Depois do conflito, em 1945, foi fundada uma divisão automotiva: a Bristol Cars.

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Bristol 603 em 1983

O modelo mais famoso da Bristol Cars é o Type 603, também conhecido como Bristol Blenheim – não por acaso, o mesmo nome do avião mais famoso da Bristol Aeroplane Company. Ele era um cupê grand tourer que usava um V8 Chrysler da família LA, de 5,2 ou 5,9 litros. Exatamente: uma variação do motor V8 318 usado nos Dodge nacionais.

O Type 603 foi lançado em 1976 e manteve até o fim da produção a mesma plataforma e a mesma silhueta, com pequenas alterações estilísticas nos para-choques, faróis e lanternas. As mudanças técnicas também não foram muitas: em 1993 os carburadores deram lugar à injeção eletrônica, e em 1999 foi adotado um câmbio automático de quatro marchas.

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Bristol 603 Blenheim produzido até 2011

A Bristol jamais revelou números de produção do Type 603. Os carros eram feitos de forma artesanal e em baixo volume, e seu apelo era justamente o fato de mudarem pouco. A fabricação só foi encerrada porque, por problemas financeiros, a Bristol deu uma pausa fabricação de automóveis. Eles pretendem lançar um novo modelo, o roadster Bullet, ainda em 2018.

 

Mercedes-Benz Classe G

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Mercedes-Benz Classe G em 1979

Produzido desde 1979 (39 anos e contando)

O Mercedes-Benz Classe G pertence à mesma categoria de caras como o Land Rover Defender, o Toyota Bandeirante e o Jeep Wrangler: veículos com tração integral e alta capacidade off-road, de visual robusto projeto tradicional. A interpretação da Mercedes para o conceito foi concebida sob encomenda do Shah iraniano Mohamma Reza Pahlavi, que queria um veículo 4×4 para o exército e, aparentemente, fazia questão da estrela de três pontas na grade.

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Então, o G-Wagen apostou na simplicidade garantir robustez e capacidade de transpor terrenos difíceis, manutenção fácil e baixo custo para fabricar, para comprar e para rodar. A forma seguiu a função. Mas além de valente, o Mercedes-Benz Geländewagen (que significa “veículo todo-terreno’ em alemão) era estiloso e, graças à tal estrela de três pontas, símbolo de status.

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Mercedes-AMG G65 em 2018

Além de prestar serviço militar pelo mundo todo, o G-Wagen teve diferentes versões civis, das mais espartanas às mais luxuosas – estas últimas verdadeiros bunkers sobre rodas, escondendo sob a arcaica e angulosa carroceria todos os itens de conforto disponíveis em carros de luxo como o Classe S. O exemplo mais recente é o Mercedes-AMG G65 Final Edition: o “super-SUV rústico de luxo” é movido um V12 biturbo de seis litros, 629 cv e 102 mkgf de torque, e é capaz de ir de zero a 100 km/h em 5,1 segundos.

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O Classe G é tão popular que não precisou mudar de geração por quase 40 anos. Na verdade a Mercedes teve de pensar muito bem antes de decidir lançar uma nova geração, pois a receita original fazia tanto sucesso que o risco de piorá-lo ao tentar melhorá-lo era altíssimo. No fim das contas o novo G-Wagen, apresentado em janeiro de 2018, manteve a identidade visual inalterada e parece um facelift do primeiro modelo, ainda que use uma nova plataforma.

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No entanto a Mercedes-Benz já revelou que a primeira geração continuará sendo fabricada, incluindo até mesmo o modelo com tração 6×6, ainda que com menos equipamentos e acessórios caros. E não há planos de tirá-lo de linha.

 

Citroën 2CV

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Citroën 2CV em 1949

Produzido de 1948 a 1990 (42 anos)

O Citroën 2CV foi concebido no fim dos anos 40 como uma alternativa às carroças, ainda muito usadas por trabalhadores rurais da frança. Por esta razão, era um automóvel extremamente simples, com carroceria de metal corrugado, vidros planos, interior minimalista e um motor arrefecido a ar de apenas 9 cavalos debaixo do capô. Sua suspensão tinha curso muito longo e era extremamente estável e confortável, além de dar ao 2CV a capacidade de encarar trilhas leves.

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Citroën 2CV em 1990

Apelidado “guarda-chuva sobre rodas” por causa do perfil da carroceria e do espírito minimalista, o 2CV custava pouco e era um carro muito confiável. Com o tempo, seu estilo inusitado ganhou charme e apelo entre os jovens e colecionadores, fazendo o 2CV um produto rentável para a Citroën até 1990, quando o peso dos anos já era impossível de suportar.

 

Mini

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Mini original de 1959

Produzido de 1959 a 2000 (41 anos)

Na década de 1950, o britânico que quisesse um carro pequeno, barato e econômico não tinha outra opção senão um minicarro com motor de moto – alguns deles sequer tinham quatro rodas. Então, em 1959, a British Motor Company lançou o carro que mudaria esta história: o Mini. Criado pelo engenheiro Alec Issigonis, o Mini era um carro de verdade, capaz de levar quatro adultos e um pouco de bagagem (ou dois adultos e muita bagagem) com relativo conforto. Ele tinha dois volumes, motor transversal e tração dianteira, o que deixava mais espaço para o habitáculo.

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Mini Cooper 2000

E ele ainda era leve e divertido de dirigir, graças ao bom acerto da suspensão independente. E, como custava pouco e era muito bonito, tornou-se um sucesso duradouro – a BMC, com sua trajetória conturbada, finanças delicadas e muitas trocas de nome, seguiu produzindo o Mini original de 1959 a 2000, apenas com alterações discretas no visual e atualizações incrementais ao projeto, como motores mais potentes e econômicos e novos acabamentos.

 

Alfa Romeo Spider

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Produzido de 1966 a 1993 (27 anos)

Um dos carros mais entusiastas que pode existir é um roadster italiano com câmbio manual e tração traseira: o Alfa Romeo Spider, lançado em 1966. O carro usava os mesmos componentes mecânicos do Giulia Sprint, incluindo o motor Twin Cam de dois litros e a suspensão dianteira independente. Dito isto, ele tinha uma maravilhosa carroceria assinada por Battista Pininfarina e levava apenas duas pessoas e sua bagagem.

É o tipo de receita que é perfeita desde o início, e por isso a Alfa Romeo manteve a essência do projeto inalterada de 1966 a 1993: todo Alfa Romeo Spider usa alguma variação do motor Twin Cam (sendo que o mais potente era um 2.0 de 132 cv, oferecido nos anos 80) e câmbio manual de cinco marchas (apenas entre 1990 e 1993 ficou disponível como opcional um câmbio automático de três marchas), mantendo a mesma carroceria com algumas reestilizações pelo caminho.

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Alfa Romeo Spider 1966

Costuma-se dividir o Alfa Romeo Spider em quatro fases. A primeira, produzida entre 1966 e 1999, ficou conhecida como Osso di Sepia por causa do perfil da carroceria, que lembrava mesmo a carapaca interna da sépia, uma espécie de molusco parente dos polvos e lulas.

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A segunda fase, feita de 1970 a 1982,  por conta da traseira curta ficou conhecida como Coda Tronca.

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A teceira fase tinha um spoiler traseiro do tipo duck tail (rabo de pato), feito de borracha, na traseia, e por causa disso ganhou a alcunha de Aerodinamica. Foi feita de 1983 a 1989.

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Por fim, a quarta fase, que recebeu para-choques envolventes de plástico e uma traseira totalmente nova, que lembrava de certa forma o Alfa Romeo 164, ficou conhecida simplesmente como Ultima ou Bella.

Fiat Palio

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Palio hatch, 1996-2016

Produzido desde 1996 (22 anos e contando)

Na Europa o Fiat Uno foi substituído em 1995 pelo Punto de primeira geração. Aqui no Brasil esta missão ficou com o Palio, desenvolvido especialmente para nosso mercado (e outros países emergentes) com base no Uno, poré com uma carroceria mais moderna e mecânica atualizada. No fim das contas o Uno era tão bom no que fazia que durou 30 anos, mas o Palio conseguiu conquistar seu espaço. Tanto que, lançado em 1996, ele continua sendo produzido.

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Fiat Strada 1998-2018

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Fiat Palio Weekend 1997-2018

Ainda que o hatchback tenha saído de linha em 2016 – uma carreira de 20 anos com três facelifts, a picape Strada (lançada em 1998) e a perua Weekend (lançada em 1997) seguem em linha, com pequenas alterações anuais para se manterem minimamente em dia com a concorrência. A robustez mecânica e o preço competitivo as mantém em linha.

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