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As mais incríveis bikes feitas por fabricantes de carros

Faz pouquíssimo tempo que falamos, aqui no FlatOut, sobre alguns produtos feitos por fabricantes do carro que, surpresa, não são carros. Muita gente notou a ausência das famosas bicicletas Peugeot, e alguns até reclamaram disso — não completamente sem razão, claro. No entanto, não se preocupem, galera: é que a gente decidiu dedicar um post todo às bicicletas fabricadas por companhias de automóveis.

A verdade, porém, é que poucas destas bikes são, de fato, fabricadas por marcas de carros. A maioria esmagadora delas é feita sob encomenda por empresas especializadas — algumas, seguindo especificações técnicas bem definidas, enquanto outras se aproximam mais de produtos licenciados. O que é bem bacana, também. Especialmente porque mostra que você pode gostar de bike e continuar sendo um car guy.

 

Peugeot

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Claro que a Peugeot iria abrir esta lista. Isto porque, das fabricantes de automóveis que também fazem bicicletas, ela é a mais conhecida. Na verdade, os primeiros veículos que a Peugeot fabricou foram as bikes, em 1882, depois de décadas fabricando moedores de café e pimenta e crinolinas — aquelas molduras de arame que ficavam por baixo dos vestidos das mulheres no século XIX.

A primeira bike da Peugeot foi do tipo penny-farthing — aquelas com a roda dianteira bem maior que a roda traseira, que você já deve ter visto em desenhos animados e filmes de época. Outros modelos, cada vez mais parecidos com as bikes modernas, vieram no anos que se seguiram. Paralelamente, em 1889, a Peugeot construiu seu primeiro triciclo a vapor e, no ano seguinte, o primeiro automóvel com motor a combustão interna.

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Carros e bicicletas foram fabricados pela mesma companhia no início do século XX, até que em 1926 foi decidido que as atividades seriam divididas: os carros seriam produzidos pela Automobiles Peugeot e as bikes, pela Cycles Peugeot. Durante três décadas, a produção de bikes superava a quantidade de carros — em 1955 a Peugeot marcava a fabricação de 220 mil bicicletas, enquanto a divisão de automóveis comemorava sua unidade de nº 100 mil.

Desde muito cedo as bikes da Peugeot foram usadas por ciclistas profissionais em competições — já em 1896, Paul Bourillon venceu a final do mundial de sprint em Copenhagen, na Dinamarca, pedalando uma Peugeot. Em 1905, a fabricante conseguiu sua primeira vitória na Tour de France, seguida de outras nove vitórias ao longo dos anos. Com isto, a companhia decidiu formar uma equipe de ciclismo oficial, que permaneceu na ativa até 1986, quando a matriz decidiu que investir no ciclismo como esporte não era mais bom negócio.

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No entanto, as bikes de rua continuaram a ser produzidas. Ao longo dos anos, a marca francesa desenvolveu uma extensa linha de bikes dobráveis, mountain bikes, urbanas e infantis. No entanto, em 1978 a Peugeot começou a terceirizar a produção de suas bicicletas. Diferentes empresas, como a canadense ProCycle e a francesa AOP, já fabricaram bikes com a marca Peugeot, sendo que atualmente a produção fica a cargo da sueca Cycleurope, que também fabrica bicicletas Bianchi, Monark, DBS e Gitane.

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A Peugeot oferece diversos tipos de bikes lá fora — modelos infantis, dobráveis, bikes de alto desempenho para longas viagens e até modelos híbridos, com motores elétricos que ajudam a tornar as pedaladas mais leves. Elas não estão mais disponíveis no Brasil. No entanto, estiveram: entre 1977 e 1982, a Peugeot fabricou bicicletas no País. Ou melhor: quem fabricava era uma empresa chamada Almec, da cidade de Montes Claros, Minas Gerais, que tinha 40% de seu capital pertencente à Cycles Peugeot. A bike era a Peugeot 10, modelo baseado nas bicicletas de competição que concorria diretamente com a emblemática Caloi 10.

No entanto, uma administração problemática fez com que, já em 1979, a Almec contraísse uma dívida de Cr$ 100 milhões. Isto levou a Peugeot a deixar o negócio, liquidando a dívida e encerrando sua atuação presencial no Brasil. Assim mesmo, a Almec continuou fabricando a Peugeot 10 sob licença até 1982.

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Hoje em dia, as bikes Peugeot brasileiras são bastante raras, mas ainda podem ser encontradas à venda. Um bom exemplar não sai por menos de R$ 1.500, enquanto uma Peugeot 10 impecável pode arranhar os R$ 3.000.

 

Alfa Romeo, Fiat e Abarth

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Os carros da Alfa Romeo são conhecidos por sua “alma” e sua “paixão” — quase todos eles são absurdamente bonitos, têm um ronco incrível e são desejados por 11 entre dez entusiastas. E se você for o tipo de cara que quer andar de Alfa Romeo mesmo quando não está em um carro, uma opção pode ser a Alfa Romeo 4C IFD.

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Trata-se de um produto licenciado, mas isto francamente não importa. Projetada de forma conjunta pela italiana Compagnia Ducale e pelos designers da fabricante de automóveis, ela é uma bicicleta com quadro de fibra de carbono desenhado para lembrar um número “4” estilizado e, de acordo com a própria Alfa Romeo, complementar o estilo do esportivo 4C — usando exatamente a mesma fibra de carbono do monocoque do carro. Uma bike 4C IFD parte de € 3.500, ou R$ 13,8 mil em conversão direta.

A marca também fabrica bikes inspiradas no Alfa Romeo 8C Competizione, além de uma gama de modelos que conta com as bicicletas Touring, Stradale, Cross e Junior, todas com a grife Alfa Romeo.

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A Compagnia Ducale também fabrica, sob licença, bicicletas licenciadas pela Fiat — modelos dobráveis, com a grife 500, e uma fat bike da Abarth, chamada Extreme.

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As fat bikes são modelos com aros e pneus bem grossos, para a prática de trilhas na lama, na terra e na neve. No caso da Abarth Extreme, o quadro é de alumínio hidroformado, os freios são a disco e o câmbio Shimano tem 24 marchas.

 

Renault

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A Peugeot não é a única marca francesa a vender bicicletas: a Renault também as oferece, em uma linha fabricada pela brasileira Colli Bike — uma empresa fundada em 1986 em Sarandi/PR.

Em 2010, a Colli firmou uma pareceria para produzir bicicletas licenciadas pela Renault, em uma linha que compreende não apenas bikes esportivas para adultos, mountain bikes e speed, mas também bicicletas urbanas para mulheres e para crianças.

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Os modelos mais simples, de rua, partem de R$ 600, enquanto as mountain bikes profissionais, com quadro de alumínio e rodas de aro 29, podem passar dos R$ 4.000.

 

Chevrolet

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Nos anos 1990, a Chevrolet fez um acordo com a Caloi para vender bicicletas com sua marca no Brasil. Baseadas na clássica Caloi 100, com quadro curvo feito de alumínio, as bikes da Chevrolet fizeram relativo sucesso, mas hoje são relativamente raras de se encontrar em bom estado — apenas usadas, e nunca custando menos de R$ 600.

No entanto, em 2015 as bicicletas Chevrolet voltaram ao mercado brasileiro — atualmente, duas linhas de bikes com a marca da gravata são vendidas no Brasil. A primeira, mais acessível (custa na faixa dos R$ 700) é fabricada pela Colli no mesmo esquema de parceria que a empresa tem com a Renault. São bicicletas básicas, com pneus de aro 26 e câmbio de 21 marchas.

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A segunda está disponível apenas na rede de concessionárias Chevrolet, e custa R$ 3.500. Por este valor, você leva para casa uma mountain bike com quadro de alumínio, suspensão hidráulica Proshock, câmbio e freios Shimano e rodas de 27,5 polegadas.

 

BMW e Mini

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The ultimate cycling machine? É isto o que a BMW deve imaginar que sejam suas bikes, que também estão disponíveis no Brasil. E, aparentemente, todas elas são fabricadas pela própria BMW, utilizando componentes de ponta de fornecedores como a Shimano e Suntour. Existem modelos infantis, cruiser, trekking e a “esportiva” M Bike, cujo desenvolvimento ficou por conta da divisão Motorsport da marca bávara.

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Quem mora na Europa pode comprar as bikes da BMW pela internet, pagando entre € 429 pelo modelo infantil e € 1.099 pela M Bike (entre R$ 1,9 mil e R$ 4,9 mil, em conversão direta). Obviamente a M Bike é a mais interessante de todas, do ponto de vista estético — seu visual com top tube curvado (o cano superior do quadro) é até “musculoso” para uma bicicleta, e os componentes de fibra de carbono como os espaçadores da mesa, o guidão e o canote do selim, garantem que ela pese apenas 14 kg. A M Bike também é vendida nas concessionárias BMW aqui no Brasil, e custa cerca de R$ 6.000.

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A Mini também não fica de fora: desde 2011,  é oferecida no País uma bicicleta dobrável com a marca do grupo BMW. E, assim como os hatchbacks da Mini são compactos e descolados, o apelo da bike é o mesmo. Feita para os centros urbanos, a bike Mini dobrável custa R$ 5,7 mil.

 

Volkswagen

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Em 2014, a Volkswagen também decidiu oferecer uma bicicleta no Brasil, como parte de sua linha de acessórios. As bicicletas da Volks são mountain bikes com câmbio Shimano, freios a disco e quadro de alumínio. Há dois modelos disponíveis: com rodas de aro 26 e câmbio de 27 marchas; e rodas de aro 29 e câmbio de 30 marchas.

Os preços partem de R$ 9,8 mil, e a Volks diz que as bikes “representam perfeitamente o DNA da marca, com alta qualidade, inovação, robustez e paixão pelos detalhes”.

 

Jeep

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As bikes da Jeep têm até hotsite e são inspiradas por seus utilitários. A linha compreende os modelos Compass, Renegade, Comanche e Cherokee, todas com quadro de alumínio, componentes Shimano e rodas de aro 26 e 29. O design segue o estilo aventureiro, e as bicicletas são indicadas para uso recreacional.

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Os preços partem de R$ 1.700 para o modelo Compass feminino, sem suspensão, com câmbio de sete marchas; e R$ 3,6 mil pelo modelo Comanche, com rodas de aro 29, suspensão dianteira e traseira e guidão de aço-carbono.

 

Porsche

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Disponíveis apenas lá fora, infelizmente, estão as bikes da Porsche. De visual minimalista, com freios a disco e câmbio de 20 marchas, as bikes custam entre US$ 3.699 (R$ 14,5 mil, em conversão direta) pelo modelo básico, com quadro de alumínio hidroformado; e US$ 8.299 (R$ 32,7 mil) pelo modelo RS, que usa fibra de carbono no quadro, guidão, mesinha e canote do selim. Ambas têm rodas de 29 polegadas.

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O mais bacana é que o visual é funcional, tipicamente alemão, e os nomes das bikes são inspirados nas versões do 911 — básico, S (intermediária) e RS (topo de linha).

Ah, e existe também o modelo RX, com rodas de 26 polegadas, pneus mais gordos e garrudos e visual com apelo mais “aventureiro”.

 

Ferrari

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Além de fabricar, no Brasil, bicicletas licenciadas pela Chevrolet e pela Renault, a Colli também distribui oficialmente no Brasil as bikes da Scuderia Ferrari. O modelo mais básico, uma mountain bike com quadro de alumínio, é surpreendentemente barata para um produto licenciado com a marca do cavallino rampante: R$ 2.000.

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No entanto, também há modelos que nem de longe são básicos. O mais caro deles é uma mountain bike com quadro feito totalmente de fibra de carbono, câmbio de 27 marchas e freios a disco. Pesando apenas 12 kg, a bike custa R$ 15.890.

 

Lamborghini

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Em 2013, a Lamborghini firmou uma parceria com a suíça BMC, uma das melhores fabricantes de bicicletas do mundo (e vencedora do Tour de France em 2011) para comemorar os 50 anos da marca com uma edição limitada de 50 bicicletas. A BMC Impec Automobili Lamborghini é uma speed com quadro de fibra de carbono moldada por robôs, acabamento em amarelo e preto fosco.

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A bike usa rodas, câmbio e freios Campagnolo, pneus Continental e acabamento do selim e das manoplas com couro Lamborghini — exatamente o mesmo usado nos superesportivos da marca. O preço? US$ 32 mil, ou cerca de R$ 126 mil em conversão direta. Detalhe: todas foram vendidas.

 

McLaren

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Séries limitadas de bicicletas com grifes de supercarros parecem estar na moda. Em 2014, a McLaren firmou uma parceria com a Specialized para lançar a S-Works McLaren Tarmac. Apenas 250 exemplares desta bike com visual inspirado no supercarro 12C foram feitos e vendidos no mundo todo, esgotando-se ainda naquele ano.

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De acordo com a Specialized, a McLaren não colaborou apenas com a marca e o design — eles também ajudaram a aperfeiçoar o quadro de carbono a fim de reduzir seu peso em 10% em relação às S-Works “comuns”. Câmbio de 11 velocidades, freios e-brake na dianteira e na traseira, rodas de 40 raios com rolamento de cerâmica e selim com trilhos de carbono são só algumas de suas características. Detalhe: ela foi vendida no Brasil, custando nada menos que R$ 75 mil.

 

Mercedes-Benz e AMG

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Em seu portifólio de lifestyle, que inclui vestuário, acessórios e miniaturas de seus carros, a Mercedes-Benz também oferece duas bicicletas. A primeira é uma trekking com garupa; câmbio de 27 marchas, dínamo e freios a disco hidráulicos da Shimano, suspensão dianteira com curso de 63 mm e quadro de fibra de carbono, pesando apenas 15 kg.

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A outra é uma mountain bike que também traz quadro de fibra de carbono, porém é equipada com suspensão dianteira e traseira com trava, câmbio de 30 marchas e peso de 12,9 kg. Infelizmente, ambas não são distribuídas no Brasil de forma oficial.

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A AMG, divisão de alto desempenho da Mercedes, também tem sua bike, que foi apresentada em abril de 2015. Inspirada pelo AMG GT, a Rotwild GT S é uma MTB com quadro de carbono, câmbio Shimano XTR e rodas de fibra de carbono de 29 polegadas e freios a disco desenvolvidos para competições. A Rotwild GT S teve 100 unidades fabricadas, todas vendidas a € 9.990 (R$ 44 mil em conversão direta).

 

Audi

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Ainda falando de marcas alemãs, chegamos à Audi Sport Racing Bike. Fabricada no Japão pela Toray, temos certeza de que ela é a bicicleta mais leve desta lista: com quadro, rodas, garfo, guidão e mesa em fibra de carbono (a mesma usada nos superesportivos e carros de corrida da Audi), ela pesa apenas 5,8 kg no total, sendo que o quadro sozinho tem peso de apenas 790 gramas. Para se ter uma ideia, bikes de competição — usadas por ciclistas profissionais para ultrapassar os 100 km/h no asfalto — pesam entre 6 e 8 kg.

Como de costume entre as bikes de ponta inspiradas por superesportivos, a Audi Sport Racing Bike tem tiragem limitada — só 50 unidades, a um preço de US$ 20 mil (R$ 78 mil em conversão direta) cada uma.

 

 

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