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Car Culture

As melhores músicas inspiradas por carros e viagens – Parte 1

Nós já vimos os melhores clipes com carros e as melhores músicas para ouvir dirigindo. Agora é hora de conhecermos as músicas inspiradas por carros, viagens, pela vida na estrada e aventuras ao volante. Está pronto? Pegue seus fones e venha conosco!

 

Beach Boys – 409

Vamos começar pela mais escancarada de todas: o 409 do título é exatamente o que você está pensando, o Chevy Big Block de 409 pol³ (ou 6,7 litros). A música foi escrita por Brian Wilson e Mike Love e pelo produtor Gary Usher, que se inspirou em sua paixão pelos hot rods.

A letra fala sobre um cara que guarda suas economias para comprar um hot rod equipado com o 409 e se torna o rei das pistas, sempre com o melhor tempo graças ao seu hot de quatro marchas com diferencial Positraction e, claro, o motor 6.7. O motor era um dos mais potentes na época (1962), equipado com um carburador de corpo quádruplo e 350 cv originais — podendo chegar facilmente a 400 cv na versão com dois carburadores quádruplos (o dual quad da letra).

A música começa com o ronco de um motor, mas diferentemente do que se espera, não é o ronco do 409 Chevrolet, e sim um 348 do Chevy Bel Air do produtor Gary Usher, que era equipado com três carburadores duplos. A gravação foi feita na rua, em frente à casa de Brian Wilson.

 

Johnny Cash – One Piece At A Time

Quando um operário da indústria automotiva não pode comprar um daqueles belos Cadillac que ele passa a vida ajudando a construir, ele decide roubar um carro para si. Mas não como você está imaginando — afinal, roubar um carro de seis metros da própria fábrica não é algo simples de se fazer. O que ele faz é roubar uma peça por vez para não dar bandeira, e montar o carro aos poucos em sua garagem.

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Essa é a sinopse da “novela” country de Wayne Kemp, imortalizada na voz de Johnny Cash. Segundo a história, o processo de acúmulo de peças e construção do carro levou 24 anos — na música o cantor fala que começou em 1949 e terminou em 1973. O resultado, obviamente é um Cadillac bastante esquisito, com câmbio de 1953 e motor de 1973, e peças que não encaixam direito. Uma verdadeira ode à vontade de ter um carro: 24 anos, de peça em peça.

 

Samy Hagar – I Can’t Drive 55

A música é americana e de 1984, mas poderia muito bem ser brasileira de 2015. Ela é simplesmente um protesto hard rocker (quase poser) de Sammy Hagar contra o limite de velocidade imposto pelo National Maximum Speed Law, que proibia os estados americanos de adotar limites superiores a 55 milhas por hora (88 km/h, análogo ao nosso limite de 90 km/h).

A inspiração veio quando o futuro vocalista do Van Halen foi parado por um policial a 62 milhas por hora (100 km/h) em uma rodovia de quatro pistas totalmente vazia e levou uma multa. O guarda teria dito: “multamos qualquer um acima de 60 mph” e Sammy respondeu “Não consigo dirigir a 55 mph”.

O que Sammy Hagar fez? Empurrou na cara das autoridades seu riff de guitarra superprocessado e solos fritadores de escala, gritando em alto e bom som que “não consegue dirigir a 90 km/h” sua Ferrari 512BB. Se quiser, pode adotá-la como o “Melô do Radar”.

 

Ministry – Jesus Built My Hotrod

Embora a letra não tenha relação literal com hotrods, a pegada frenética da música soa como um passeio alucinado em alta velocidade. Além disso, a letra também é desconexa entre os versos, cantada por um Gibby Haynes (do Butthole Surfers) embriagado. A conexão com os carros está na inspiração de Al Jourgensen — o líder da banda — para todo esse volume, velocidade e barulho da música — além é claro, do título.

Jourgensen passou a infância ao lado de seu padrasto nas pistas de corrida americanas, pois o cara era mecânico de ninguém menos que Dan Gurney! Jourgensen relembra de ter assistido à Indy 500 de 1965 dos pits, onde seu padrasto estava trabalhando e, segundo suas palavras, não foi a corrida que o impressionou, mas sim o ronco dos carros absurdamente alto. “Eu tinha 6 ou 7 anos e foi o barulho dos carros da Indy que me levaram à música, pois o som era tão alto que eu não conseguia acreditar. E o Ministry é a banda mais barulhenta do planeta. Até os caras do Motorhead me disseram isso, então acho que está confirmado”.

 

Jan & Dean – Dead Man’s Curve

O que acontece quando o proprietário de um Jaguar E-Type desafia um Corvette Stingray para um racha perto de uma curva de 90 graus na Sunset Boulevard? A música “Dead Man’s Curve”, da dupla Jan & Dean. Ela conta a história deste racha do ponto de vista de um participante, o motorista do Stingray — e termina com o narrador contando suas últimas memórias ao médico que o atende após o acidente.

Dead_Man's_Curve

Fato curioso 1: o músico Jan Berry (uma das metades da dupla) sofreu um acidente na mesma Sunset Boulevard com seu Corvette Stingray três anos depois, em 1966, e quase morreu. Fato curioso 2: dead man’s curve é uma gíria americana para curva fechada, tipo hairpin.

 

Madness – Driving In My Car

Na metade dos anos 1980 os skazeiros do Madness enveredaram para uma pegada mais pop, com direito a um ótimo cover de “It Must Be Love” e à chicletuda “Our House”. Driving in My Car foi um dos hits dessa fase. A letra é praticamente um Project Car completo: conta desde a compra, a restauração e a curtição. O carro é um Morris 1959 “comprado em Primrose Hill de um cara do Brasil”, que foi consertado no tempo livre — teve balancins e bobina trocados, mas ainda bate pino — e agora é motivo de diversão, ainda que uns motoristas babacas estacionem colados e a polícia implique com os pneus “meia-vida”.

 

War – Low Rider

Quem conhece a cultura dos EUA sabe que a Califórnia — e todo o oeste americano — foi formada por uma mistura étnica muito variada, que inclui chineses, irlandeses, afro-americanos, mexicanos, ingleses e ameríndios. Nos EUA cada grupo étnico costumava ser bastante unido, diferente da miscigenação geral que temos no Brasil, por isso nos anos 1970 a cultura “Low Rider” foi exportada do México para a Califórnia e resultou em uma cena muito forte.

Também por isso, em 1975 a banda War, formada por integrantes de várias etnias e famosa por sua fusão de rock, funk, jazz, ritmos latinos, R&B e reggae, encontrou nesse cenário uma inspiração para aquele que talvez seja seu maior hit: “Low Rider”. A música se tornou um hino chicano e levou os carros com suspensão hidráulica ao conhecimento do grande público.

Ao longo dos anos ela ganhou status cult e se tornou um símbolo popular — especialmente depois de aparecer na introdução do primeiro filme de Cheech Marin e Thomas Chong “Up In Smoke” (ainda que um pouco acelerada para encaixar na cena). É impossível ouvir a música e não se imaginar dando um giro em um Impala com a traseira arrastada no chão, com o cotovelo apoiado na janela.

 

Janis Joplin – Mercedes-Benz

Você certamente já ouviu essa música cantada toda a capella pela hippie blueseira-rocker Janis Joplin. Embora ela tenha se inspirado a fazer a letra desta música após uma volta com o Mercedes-Benz de Bobby Womack (guitarrista da banda de Aretha Franklin e Sam Cooke), não se trata de um desejo da cantora e sim uma crítica ao consumismo (ainda que Janis dirigisse um Porsche 356 conversível com pintura personalizada).

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Nos versos ela pede a deus que dê a ela um Mercedes-Benz porque todos os amigos dela têm Porsche e ela precisa de algo melhor, afinal trabalha duro e sem a ajuda de ninguém. Foi a última música gravada pela cantora: Janis Joplin morreu três dias depois das sessões de estúdio.

 

Iggy Pop – The Passenger

Sim, é a música que Dinho Ouro Preto regravou com seus na-na-nas e uma letra traduzida para o português. Iggy Pop estava em Berlim fazendo sua trilogia alemã e se inspirou nas viagens noturnas (de carro, que fique claro) com seu amigo e produtor David Bowie pela S-Bahn, uma via expressa da capital alemã, para escrever a letra de “The Passenger”.

Na música ele simplesmente descreve a sensação de viajar tarde da noite e observar o mundo dentro daquela cápsula metálica que nos deixa imersos no ambiente e isolados do mundo ao mesmo tempo — algo na pegada do post Nightrun, que publicamos há alguns meses aqui no FlatOut. Se você curte dirigir à noite, é uma boa pedida usá-la como trilha sonora. A música está em Lust For Life, de 1977, um dos melhores álbuns (se não o melhor) de Iggy Pop.

 

Deep Purple – Highway Star

Comparar carros a mulheres é um recurso absurdamente manjado em 2015, mas em 1971 talvez fosse algo até subversivo — especialmente quando você trata ambos como símbolo de sua dominação e independência. É disso que Ian Gillan fala em “Highway Star”.

A letra começa falando sobre seu carro que tem “motor grande”, “pneus largos” e “vai quebrar a velocidade do som” e é um furacão selvagem” que faz dele a estrela da estrada. Depois vem a garota, que permanece colada ao cara em cada curva e tem controle total do seu corpo — o que nos leva a crer que ela é uma gata curvilínea que está adorando andar ao lado do cara em um carro realmente rápido. Infelizmente, na época os clipes musicais ainda eram bastante primitivos — não havia o conceito atual, com uma linguagem própria — e por isso só podemos imaginar qual é o carro que Ian Gillan pensava ao escrever a letra.

A propósito: ela foi escrita em um ônibus, quando um jornalista perguntou sobre o processo de composição das músicas do grupo. Ritchie Blackmore sacou um violão e Ian Gillan improvisou a letra sobre a base rítmica. Mais tarde eles refinaram a letra e semanas depois a música estava gravada e pronta para estourar.

 

Beach Boys – Little Deuce Coupe

Outra música dos Beach Boys que fala diretamente sobre um carro é “Little Deuce Coupe”, que é o apelido do Ford B 1932, o de três janelas. Como em 409, a letra conta as aventuras de um cara e seu hot rod equipado com embreagem de competição, câmbio de quatro marchas no assoalho e motor Flathead “ported, relieved, stroked and bored”! 

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Quando semáforo abre, ele dispara de um jeito que você nunca viu, e chega a ser difícil controlar o carro, que destraciona nas quatro marchas e é capaz de fazer um Thunderbird parecer estar parado. Esse é o Little Deuce Coupe dos Beach Boys.

 

Wilson Picket – Mustang Sally

“All I wanna do is ride around, Sally / Ride, Sally, ride”. Você já ouviu esses versos antes. Trata-se do hit de Mack Rice imortalizado na voz de Wilson Picket que conta a história de uma mulher chamada Sally que dirige pela cidade com seu Mustang 1965. Embora a letra tenha sido interpretada inicialmente como a história de uma mulher promíscua, ela na verdade é uma canção quase feminista, retratando uma mulher independente, dirigindo sozinha um carro fodástico e que era um símbolo de status na época.

 

Sua música preferida sobre carros ficou de fora? Então deixe sua sugestão nos comentários para fazermos a segunda parte desta lista!

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