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As peruas mais legais que você pode comprar no Brasil – parte 1: clássicas e anos 90

As peruas zero-quilômetro estão a um passo de se tornar história no lado de cá do Atlântico, substituídas na preferência do consumidor médio por SUVs, crossovers e até mesmo algumas picapes médias. Nós, entusiastas, poderíamos sofrer muito mais com isso… não fossem pelas peruas usadas, que oferecem muitas opções interessantes.

Perguntamos aos leitores, há alguns dias, quais eram estas opções, e agora temos a primeira parte da lista com as respostas. Dividimos as peruas em categorias, de acordo com o preço e o ano de fabricação: clássicas, anos 90, modernas e premium. Vamos começar com os dois primeiros grupos.

Clássicas

Chevrolet Marajó

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Foto: Marcos Acosta

Sugerida por: Gean Motta

Se o Chevrolet Chevette é o carro de tração traseira para as massas, a Marajó é sua versão station wagon. Com duas portas e proporções bem acertadas, é um carro muito charmoso e relativamente acessível. Relativamente porque, recentemente, os melhores exemplares já vêm passando por uma valorização considerável – se antes era possível encontrar um exemplar bem conservado e original por cerca de R$ 7.000, hoje menos de R$ 10.000 não te compram uma boa Marajó. É um carro de mecânica simples e versátil, daqueles que funcionam muito bem como primeiro clássico ou project car e, em cidades pequenas, é até viável utilizar uma Marajó no dia-a-dia.

 

Chevrolet Caravan

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Sugerida por: Old Drunkard

“Irmã maior” da Marajó, a Caravan é a versão perua do Opala e, para alguns, é até um carro mais interessante – a traseira mais pesada torna sua dinâmica mais previsível nas curvas. É possível encontrá-la em diversas versões, com motor de quatro cilindros e 2,5 litros ou seis cilindros e 4,1 litros, sempre com tração traseira.

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A Caravan é um daqueles carros cujo preço é definido pelo estado de conservação, antes do ano de fabricação ou mesmo da versão: uma boa Caravan, seja uma básica, uma SS da década de 1970 ou uma Diplomata das antigas, dificilmente custa menos de R$ 20 mil. Não é impossível, claro, encontrar um bom exemplar por um preço mais em conta, mas isto está ficando cada vez mais difícil.

 

Volkswagen Variant II

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Sugerido por: nós mesmos

Representando os air cooled, temos a Variant II. A primeira geração da Variant, variação da VW Typ 3 alemã lançada em 1969, foi a carroceria mais bem sucedida da família, que também contava com o sedã 1600 e o cupê fastback TL. Mas nós ficamos mais balançados por sua sucessora, a Variant II.

Lançada em 1977, a Variant II era 20 cm maior que a anterior, e tinha um projeto bem mais interessante: a suspensão dianteira era do tipo McPherson e a traseira, com braços semi-arrastados – um arranjo bem mais eficiente comparado ao da antecessora, que compartilhava com o Fusca as lâminas de torção na dianteira e braços oscilantes na traseira. Além disso, ela tinha visual muito bem acertado (lembrava uma Brasilia alongada), ampla área envidraçada e espaço interno para lá de razoável. Por causa da nova suspensão, o porta-malas dianteiro também comportava mais bagagem. O motor era um boxer arrefecido a ar igual ao da Brasilia, porém com comandos de válvulas mais agressivos e 57 cv, sendo suficiente para acelerar até os 100 km/h em 19 segundos.

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Produzida por apenas quatro anos (saindo de linha em 1980, prestes a ser substituída pela Parati de primeira geração), a Variant II não é um carro muito comum, mas também não é tão procurado como os Volks contemporâneos. Ainda dá para encontrar um bom exemplar por menos (às vezes, bem menos) de R$ 10 mil.

 

DKW Vemaguet

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Sugerido por: Juliano Barata

A perua Vemaguet só começou a ser chamada assim em 1962, mas já era produzida desde 1956 pela DKW-Vemag, empresa brasileira que produzia os carros alemães da DKW sob licença e, de início, com 54% de componentes nacionalizados.

Com duas portas suicidas, carroceria sobre chassi e motor dois tempos, a perua foi lançada como Universal, mesmo nome usado na Alemanha, e também com o mesmo motor: um três-cilindros dois-tempos de 896 cm³ e 38 cv, que ficava na dianteira, assim como a tração. Era um arranjo mecânico bem diferente do que se costumava ver na época, o que proporciona uma experiência de condução bem diferente em relação a virtualmente qualquer outro carro clássico. A começar pelo cheiro do óleo misturado ao combustível, como é comum em motores dois-tempos.

Não é muito comum encontrar exemplares da perua DKW-Vemag à venda – geralmente o preço fica em qualquer lugar entre R$ 8.000 e R$ 30.000. Como estamos falando de um carro raro e definitivamente clássico, mesmo carros que precisam de muito trabalho para se tornarem minimamente apresentáveis não saem por menos do que isto.

 

Anos 90

Volkswagen Parati GTi

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O Gol GTi 16v, lançado em 1997, é um verdadeiro ícone e sem dúvida a versão mais desejada da segunda geração do Gol. Agora, se você quiser mais espaço para a bagagem, pode optar por uma Parati GTi, que tem a mecânica idêntica – ou seja, um motor de dois litros com cabeçote de 16 válvulas produzido na Alemanha, capaz de entregar 145 cv a 6.250 rpm e 18,5 mkgf de torque a 4.750 rpm. Visualmente, ela também tem os mesmos detalhes: a bolha no capô, as rodas de 15 polegadas com desenho exclusivo e o discreto pacote aerodinâmico. Por dentro, painel com conta-

Sendo um carro bastante raro, a Parati GTi só tende a valorizar daqui para a frente – e já é difícil encontrar um exemplar por menos de R$ 20 mil, mesmo que não esteja impecável. E isto pode ser um problema: por mais que a base do motor seja bastante similar aos outros da família AP, não bastava que o cabeçote fosse de 16 válvulas quando isto ainda era novidade no mercado brasileiro: ele também era exclusivo dos GTi, o que podia tornar a manutenção problemática para quem estava esperando algo parecido com qualquer outro Volks da época.

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É por causa disso, também, que é preciso tomar cuidado para não levar para casa uma Parati GTi que sofreu negligência por parte de algum dos donos anteriores.

 

Chevrolet Suprema

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Sugerido por: Felipe Monteiro

Perua do Omega, a Suprema é uma versão mais espaçosa daquele que, para muitos, foi o melhor carro que a indústria automotiva brasileira produziu. Com mecânica confiável e eficiente, muito espaço interno, acabamento caprichadíssimo e recursos de vanguarda, como injeção multiponto sequencial e célula de sobrevivência em caso de impacto, o Omega não conseguiu o apelido de “Absoluto” à toa. A Suprema trazia tudo isto e ainda levava 540 litros de bagagem.

É possível encontrar a Suprema com motor de quatro ou seis cilindros. O primeiro era o consagrado Família II 2.0 ou 2.2, enquanto o segundo podia ser o seis-em-linha alemão de três litros e 165 cv, ou o 4.1, evolução do motor do Opala, com 168 cv. Recomenda-se a versão de topo CD, de seis cilindros, para ter a experiência completa: o bom desempenho do motor, aliado à suspensão para lá de bem acertada, garante uma dinâmica estável e segura, além de agilidade maior do que se espera de um carro tão grande. Além disso, são os carros mais recheados, com computador de bordo, ar-condicionado, revestimento de veludo e direção assistida. Já a GLS, de quatro cilindros, pode andar menos, mas o motor é robusto e confiável, com peças em abundância.

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O problema é que foi-se o tempo de encontrar uma boa Suprema por menos de R$ 15 mil: se você quiser um exemplar em bom estado, prepare-se para gastar pelo menos R$ 10 mil a mais.

 

BMW Série 3 E36

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Sugerido por: nós mesmos (de novo)

Enquanto o sedã do BMW Série 3 E36 teve algumas opções de motor diferentes no Brasil, a versão Touring foi oferecida no Brasil com o ótimo seis-em-linha de 2,8 litros do 328i ou com o 2.5  323i. Com comando duplo no cabeçote (variável em admissão e escape), o 2.8 entrega 193 cv a 5.300 rpm e 28,6 mkgf de torque a 3.950 rpm, suficientes para levar a perua até os 100 km/h em 7 segundos, com máxima de 240 km/h. O 2.5  produz pouco menos, 170 cv e 24,9 mkgf que levam a perua aos 100 km/h em 8,3 segundos e à máxima de 230 km/h.

É preciso lembrar que, como é o caso qualquer BMW importado na década de 1990, a perua 328i sofreu uma desvalorização muito grande nas duas décadas seguintes, o que significa que alguns exemplares inevitavelmente caíram em mãos negligentes – procure um carro de procedência comprovada.

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Também é bastante difícil encontrar um E36 Touring com menos de 100 mil km rodados, o que é uma má notícia para quem tem medo de alta quilometragem. No entanto, com a manutenção básica em dia, é uma perua bastante robusta. Os melhores exemplares estão custando entre R$ 25 mil e R$ 30 mil.

 

Ford Escort SW

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Sugerido por: AstolphoGM6

O visual elegante da perua do Escort ficou datado com o passar dos anos, mas ainda estamos falando de um carro bastante atraente, bem equipado e com excelente acabamento, como era padrão da Ford na época. O espaço interno é generoso, bem como a capacidade do porta-malas, que acomoda 460 litros de bagagem até o encosto do banco traseiro.

Estão disponíveis dois motores: o 1.8 16v Zetec, de 115 cv, e o 1.6 8v RoCam de 95 cv. O primeiro, apesar de mais potente, não é a melhor escolha: sua manutenção é mais dispendiosa e as peças, mais escassas. O motor 1.6 8v, igual ao do Ka XR, é suficientemente esperto para a proposta do carro e só saiu de linha definitivamente em 2014, o que significa que seus componentes são mais fáceis de serem encontrados. Além disso, houve uma versão a álcool (não-flex) que pode ser interessante em cidades onde o combustível vegetal é mais barato.

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Mas talvez o argumento do preço seja o mais forte: um Escort SW razoável custa, em média, R$ 8.000. Com R$ 12.000 (e alguma procura) você consegue descolar um exemplar praticamente impecável.

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