Audi TT RS: como anda a nova geração do monstrinho de cinco cilindros?

Dalmo Hernandes 22 setembro, 2016 0
Audi TT RS: como anda a nova geração do monstrinho de cinco cilindros?

Apesar de compartilhar da excelente plataforma do VW Golf, o Audi TT jamais teve o respeito que merece por suas qualidades dinâmicas, sendo mais lembrado por seu design. O que não é totalmente injusto, visto que o visual marcante, especialmente da primeira geração, sempre foi um de seus pontos fortes.

Isto dito, a situação muda quando se trata do Audi TT RS. Como o nome revela, esta é a versão mais apimentada do TT, existente desde a segunda geração. Lançado em 2009, o Audi TT RS tinha um cinco-cilindros turbo de 2,5 litros com comando duplo no cabeçote, 20 válvulas e turbo, bom para 360 cv e 47,4 mkgf de torque. E ele ainda tinha câmbio manual de seis marchas e tração integral quattro. Era um belo esportivo, capaz de chegar aos 100 km/h em quatro segundos cravados, com máxima de 276 km/h.

Só que a gente sabe que todo bom carro pode ficar ainda melhor. Sendo assim, quando o Audi TT chegou a sua terceira geração, em 2014, a expectativa ao redor da versão RS era gigantesca. O novo Audi TT RS foi apresentado em abril deste ano, no Salão de Pequim, na China. Agora, começaram a surgir as primeiras avaliações na gringa. Será que as expectativas foram cumpridas? É o que a gente vai descobrir agora!

A boa notícia é que o Audi TT RS ainda tem um cinco-cilindros turbo de 2,5 litros e tração integral, que agora entrega nada menos que 400 cv. A notícia nem tão boa assim: a Audi decidiu substituir o câmbio manual de seis marchas pela caixa de dupla embreagem S-Tronic, de sete marchas, que na geração anterior era opcional.

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É uma mudança que nos deixa um pouco tristes, claro, mas também era inevitável por todas aquelas razões que você já deve saber (trocas mais rápida, algumas frações de segundo a menos no fim da volta, este tipo de coisa). No entanto, a impressão geral dos veículos especializados é que o carro melhorou tanto em diversos aspectos que simplesmente não faz sentido reclamar da falta de um pedal de embreagem.

Para começar, o aumento de potência do motor não foi conseguido através de uma simples reprogramação eletrônica. O cinco-cilindros foi completamente retrabalhado. O bloco agora é de alumínio e o virabrequim é mais leve, assim como outros componentes como o cárter e a bomba de combustível. O resultado é um motor 25 kg mais leve.

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O cabeçote também foi revisado, e agora o motor tem comando variável nas válvulas de escape, injeção direta e multiponto e a pressão do turbo foi elevada de 1,25 para 1,35 bar. Com isto, a potência agora é de 400 cv a 5.850 rpm, enquanto o torque subiu para 48,9 mkgf a baixíssimas 1.700 rpm. É o bastante para ir de 0-100 km/h em 3,5 segundos, com máxima de 280 km/h, de acordo com a Audi.

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No papel, é tudo muito bonito. Mas, para a britânica Evo, a Audi conseguiu tornar o Audi TT RS um esportivo capaz de encarar até mesmo caras como o Porsche 718 Cayman, de motor central-traseiro. Nós já andamos no 718 Cayman S e podemos dizer que isto é um belo elogio.

Na primeira vez que você afunda o acelerador com o escapamento esportivo bem aberto, é difícil não se apaixonar pelo TT RS. Um som auto e complexo preenche a cabine, e a nota muda de um rosnar profundo para algo mais estridente à medida que as rotações sobem até as 7.000 rpm. O cinco-cilindros produz um grito de guerra muito distinto, e a Audi consegue torná-lo perfeito.

Na primeira aceleração, já não há dúvida do quanto este pequeno cupê é assustadoramente rápido. No entanto, dá para sentir que a potência é totalmente contida, com o sistema quattro aproveitando cada um dos 400 cv. Ele é cheio de energia e, ao menos em piso seco, esta energia toda é bem utilizada, sem que se sinta qualquer deslizamento entre a borracha e a estrada. Esta talvez seja a maior decepção, porque nas saídas de curva o TT simplesmente se agarra e vai.

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Isto se deve, em parte, ao novo recurso que permite ajustar o sistema de tração integral (que é vendido como quattro, mas na verdade é um Haldex) para distribuir o torque entre as rodas dianteira e traseira de acordo com as condições de pilotagem. No modo Auto, esta divisão é feita, bem, automaticamente, sendo que na maioria do tempo 80% do torque vão para o eixo dianteiro. Se quiser que seja sempre assim, escolha o modo Comfort. Se quiser levar mais força para as rodas traseiras, o modo Dynamic é seu amigo. E se comporta muito bem, de acordo com a Car and Driver americana, que testou o carro no circuito espanhol de Jarama.

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O TT RS se mostra capaz e seguro na pista. Com 59% do peso sobre as rodas dianteiras, a traseira sequer ameaçou escapar, ainda que seja possível provovar um pouco de rotação com o trail braking ou aliviando o pé do acelerador no meio da curva. Mas, depois de apenas três voltas, a temperatura dos pneus dianteiros estava muito mais alta do que a dos pneus traseiros. Apesar desta clara indicação sobre qual extremidade do carro estava sendo mais absusada, a longa experiência da Audi com tração integral evitou qualquer tipo de saída de frente. Mas ainda dá para dançar com o RS no limite da mesma forma que se faz com um bom carro de tração traseira.

Dito isto, a suspensão é bastante dura em uso diário, como observa o Top Gear:

O RS é 10 mm mais baixo que o TT comum, e vem com duas opções: um sistema passivo de série, e um sistema opcional de amortecedores magnéticos que é ajustável pelo Drive Select. No modo Dynamic, é extremamente firme, mas mesmo no modo Comfort o carro se mostra inquieto e telegrafa as irregularidades da pista de forma bastante severa.

Por outro lado, o interior é muito bem equipado e bem construído. Ainda de acordo com o Top Gear:

Os materiais são excelentes e há muita tecnologia, com o famoso Virtual Cockpit do TT ganhando um enorme conta-giros no centro – e uma escala de cores nas rotações mais altas que atua como a shift light de um carro de corrida – assim como a possibilidade de conectar-se a um aplicativo de smartphone que grava tempos de volta caso você leve seu RS para um circuito. A lista de opcionais também é boa, incluindo um sistema de som Bang & Olufsen com 12 alto-falantes, volantes com diferentes revestimentos em Alcantara e bancos esportivos com couro de excelente qualidade.

Não precisamos de muito mais para nos convencer, esta é a verdade. O TT RS deverá ser mostrado no Salão do Automóvel em São Paulo/SP, que acontece em outubro, e chegar às lojas no mês seguinte.