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Auto Skulpturen Park: a incrível coleção de carros escondida no coração de uma floresta na Alemanha

Não faz muito tempo que postamos aqui uma coleção de fotos de cortar o coração: diversos carros de corrida abandonados, alguns em estado decrépito e outros que pareciam prontos para acelerar de novo. O carro da foto acima não está em uma situação muito diferente, mas há um detalhe essencial: ele não foi abandonado e, na verdade, faz parte de uma coleção. Conheça o Auto Skulpturen Park, no vale de Neander, centro da Alemanha.

O Auto Skulpturen Park é o orgulho da vida de Michael Fröhlich, que já foi piloto de corridas, filósofo, estilista e artista plástico, mas acabou construindo uma reputação como restaurador e negociador de carros clássicos. Ele é conhecido no meio como um cara que consegue rastrear e comprar qualquer automóvel que você quiser, desde que tenha como pagar por seus serviços.

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Foto: Extraordinary Car Collections

Foi exatamente o que ele fez para si mesmo durante boa parte da década de 1990: descobriu, rastreou e comprou diversos carros antigos – alguns deles, cheios de histórias para contar. Todos tinham algo em comum: foram fabricados em 1950, ano em que Fröhlich nasceu. “São como meus irmãos”, ele contou em uma entrevista ao site alemão Spiegel em 2009.

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Foto: Dirk Thomas

Mas em vez de guardá-los impecavelmente cuidados em uma garagem adequada, os carros ficam parados no coração de uma floresta dentro da propriedade de Fröhlich, em uma área demarcada por uma cerca, próxima à sua casa. É como um museu particular, fechado ao público – para visitar e, quem sabe, tirar algumas fotos, é preciso entrar em contato com ele preenchendo este formulário e, se tudo correr bem, agendar uma visita com o próprio Michael como guia.

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Fotos: Extraordinary Car Collections

Aparentemente foi exatamente isto que fizeram os fotógrafos Arnoud e Ard op de Weegh, do site Extraordinary Car Collections, além do alemão Dirk Thomas. As fotos que ilustram esta matéria estão entre as únicas imagens recentes da coleção de Michael, e são uma bela demonstração do significado que o colecionador atribui a seu “museu” a céu aberto: mostrar que não há criação feita pelo homem que possa resistir incólume à força dos quatro elementos. “A natureza é mais forte que a tecnologia, e é isto o que eu mostro aqui”, diz Fröhlich em seu site oficial.

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Fotos: Dirk Thomas

De fato, dá para ver que o tempo não foi gentil com os clássicos de todas as partes do mundo espalhados pela propriedade de Michael – modelos históricos, como um Porsche 356 e um Jaguar XK120 de corrida, um Fusca e uma Kombi (claro), um Jeep Willys e até um Goggomobil, um dos mais famosos microcarros alemães.

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Foto: Dirk Thomas

Há também carros da Austin e da Buick, os Citroën 4CV (conhecido por aqui como “Rabo Quente”) e Traction Avant (o primeiro carro a popularizar a tração dianteira), além de alguns exemplares de marcas mais obscuras – como a alemã Industrieverband Fahrzeugbau, ou simplesmente IFA – entre modelos da Plymouth, da Opel ou da Buick.

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Foto: Dirk Thomas

Na verdade, as fotos mostram que toda a propriedade de Michael tem um ar de abandono. Sua casa é grande e luxuosa graças às boas condições de vida que seu atual emprego lhe dá, mas no meio de um pátio com folhas caídas e árvores mal cuidadas, parece um grande mausoléu – o que é apropriado para um lugar que abriga aquele que é praticamente um cemitério de carros.

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Foto: Extraordinary Car Collections

Os entusiastas em geral não apreciam muito o “museu” de Fröhlich. Vez ou outra as fotos de seus carros circulam pela internet, quase sempre recebidas por comentários de gente que o chama de egoísta, e que considera seus carros abandonados um verdadeiro sacrilégio – ainda mais sabendo que alguns dos carros estavam em perfeitas condições de uso quando foram levados para a floresta.

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Foto: Dirk Thomas

O museu só foi aberto uma vez: em 2000, na data do aniversário de 50 anos de Fröhlich. Na ocasião, fotógrafos, equipes de TV e entusiastas em geral, que viram 50 carros à mercê das forças da natureza: deteriorados e oxidados, parcialmente enterrados no chão e até presos embaixo de árvores, que não se importaram em amassar tetos e quebrar vidros para crescer.

Desde então, não há notícia de quaisquer outras exibições públicas – talvez porque Michael Fröhlich queira evitar que qualquer visitante ceda ao impulso que certamente todos teríamos: resgatar qualquer um destes carros e colocá-lo na estrada novamente.

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