Beleza selvagem: a magia da arrancada em super slow motion

Dalmo Hernandes 15 agosto, 2014 56
Beleza selvagem: a magia da arrancada em super <i>slow motion</i>

Puxadas de arrancada das categorias mais altas frequentemente levam menos de 9 segundos. Tudo isto quer dizer que a arrancada é um esporte rápido, brutal e barulhento, certo?

Certo! E é disso que os fãs gostam! Mas existe um jeito de apreciar a arrancada com um olhar totalmente diferente — um olhar oposto à velocidade: o super slow motion, onde a velocidade e a brutalidade dão lugar ao silêncio (uma música dramática também ajuda) e à atenção aos detalhes. O vídeo abaixo, feito pela própria NHRA (National Hot Rod Association), nos dá uma bela amostra do que estamos falando — com um tempero a mais: fogo!

Isso por que as arrancadas são um esporte perigoso, também, e o vídeo da NHRA focou este lado do esporte, mostrando em câmera lenta todos os detalhes de falhas mecânicas, explosões, incêndios e acidentes. Se as cenas impressionam em câmera lenta, imagine como foi para os envolvidos — pilotos, fiscais e equipe — no momento em que aconteceram, em frações de segundo!

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Mas não é preciso um compilado de acidentes para que um vídeo de arrancada em slow motion seja divertido e interessante de se assistir. Muita coisa acontece naqueles segundos de aceleração extrema, e até mesmo antes de o carro deixar sua posição na largada. O vídeo abaixo ilustra isto perfeitamente, transformando uma puxada de alguns segundos em um balé de pouco mais de um minuto.

Repare nas explosões de cada um dos cilindros do V8. Em super slow motion, dá até para ver a ordem de ignição do motor — algo que, pessoalmente, leva uma fração de segundo

Um dos aspectos mais legais de um vídeo de arrancada em slow motion é notar os pneus enrugando. Isto acontece porque, como os slicks de arrancada são feitos para alto desempenho em retas, e não curvas. Além de serem mais macios, eles são calibrados com bem menos pressão (em média 7 psi, ou seja, quatro vezes mais baixa do que a de um pneu de rua) e a estrutura por baixo da borracha — a carcaça — é feita para torcer e acumular energia potencial elástica, o que dá aquela aparência enrugada na parte inferior dos flancos dos pneus. Além disso, o efeito acaba aumentando a área de contato da banda de rodagem com o asfalto, e as duas coisas acabam melhorando a tração na hora da largada.

(A propósito, fizemos um especial com 15 fatos insanos sobre dragsters de arrancada que você pode conferir aqui!)

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Agora, esse tipo de coisa só pode ser percebido em toda sua glória caso o vídeo seja realmente capturado em slow motion — não funciona se você simplesmente reduzir a velocidade de reprodução de um vídeo qualquer.

Um vídeo em slow motion de verdade é capturado a uma quantidade maior de frames por segundo (FPS). Quanto mais frames (quadros) na captura, mais detalhes da ação poderão ser vistos quando o vídeo for exibido em velocidade reduzida, porque mais detalhes foram registrados na captura e podem ser vistos com fluidez. “Câmera lenta” é um termo equivocado, na verdade, porque para capturar um vídeo em slow motion você precisa de uma câmera muito rápida.

E elas não são invenções tão recentes. O vídeo abaixo, feito na década de 70, por exemplo, tem cenas capturadas a 1.000 frames por segundo:

Hoje em dia existem câmeras muito mais rápidas, capazes de capturar imagens em até 10.000 frames por segundo e produzir pequenas obras de arte em slow motion de verdade. E isto vale até para um esporte rápido e intenso como a arrancada.