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Projetos Gringos

Bloodhound SSC: conheça o carro feito para passar de 1.600 km/h

A ideia de dirigir um carro em alta velocidade fascina o ser humano desde a invenção do automóvel, no fim do século 19. Hoje, quase um século e meio depois, já quebramos a barreira do som sobre quatro rodas há 17 anos. Agora, o objetivo é outro: passar dos 1.600 km/h (1.000 mph), e o carro para isto já está sendo feito: O Bloodhound SSC.

“SSC” significa supersonic car. O projeto foi anunciado por Richard Noble e Andy Green — o primeiro, engenheiro e o outro, piloto da Força Aérea real britânica. O que ambos têm em comum é o fato de dividirem o recorde mundial de velocidade em terra por 29 anos. O primeiro foi Richard Noble que, ao volante do carro a jato Thrust2, chegou aos 1.018 km/h.

Em 1997 foi a vez de Andy Green: com o ThrustSSC, ele chegou aos 1.228 km/h, quebrando a barreira do som em terra pela primeira vez. Isto aconteceu no dia 15 de outubro de 1997, exatamente 50 anos e um dia depois de Chuck Yeager quebrar a barreira do som pela primeira vez na atmosfera terrestre, com o avião a jato Bell X-1

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Então, é natural que o projeto do Bloodhound esteja nas mãos destes dois homens.

A construção das primeiras maquetes começou em fevereiro de 2009. O carro usa uma estrutura de fibra de carbono — o monocoque — na dianteira. Nela, vai o piloto, deitado com os pés para a frente. Na traseira, uma estrutura de alumínio billet e titânio, parecida com a das aeronaves supersônicas, na parte superior. Na parte inferior, um chassi de alumínio abrigará o motor auxiliar e o subchassi para a suspensão.

 

A estrutura posterior abrigará os motores: um motor a jato e o motor auxiliar a combustão. De início, considerava-se um V12 como motor auxiliar, mas agora está aparentemente decidido que será um V8 de Fórmula 1 projetado em 2010. Já o motor a jato foi fabricado pela Rolls-Royce. Capaz de entregar 57.000 cv, o motor gerará um empuxo de 9 toneladas quando colocar o carro em movimento.

Há, ainda, um terceiro propulsor — um foguete híbrido de 12.440 mkgf de torque. Primeiro, o motor a jato levará o carro até 480 km/h. Depois, o foguete assumirá a responsabilidade de dar o impulso até os 1.609 km/h — 1.000 mph. O motor de F1? Ele na verdade é uma bomba de combustível de 800 cv para o foguete. Com tudo montado, o carro de 13,47 metros de comprimento pesará cerca de 7.800 kg.

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O carro será, mais uma vez, pilotado por Andy Green. Para aguentar as forças gravitacionais às quais será submetido, ele está treinando em um avião supersônico. A razão é simples: durante o impulso, o sangue do corpo de Green irá para a cabeça. Na frenagem, para os pés — e ele poderá perder a consciência neste processo. Voar de ponta-cabeça em um avião supersônico reproduz estas condições e o dá mais resistência.

Falando em freios, recentemente foram revelados os freios do Bloodhound SSC. Por trás das rodas de alumínio forjado de 36”, que pesam 95 kg cada — e vão girar a até 10.000 rpm, submetendo-se a forças de 50.000 G no centro da roda. A equipe do Bloodhound calculou exatamente a distância total do percurso para que as distâncias de aceleração e frenagem sejam idênticas — como a velocidade será medida em duas tentativas, isto evitará que se precise rebocar o carro para o local de partida — vai ser só virá-lo para o outro lado e acelerar de novo.

O carro vai parar usando freios a ar e para-quedas, mas serão os freios a disco que vão garantir que o carro freie no ponto exato. Para tal, os freios serão ativados em sequência: a 1.287 km/h, serão os freios a ar. Depois, aos 965 km/h, os para-quedas. Por fim, os freios a disco entrarão em ação aos 320 km/h.

O recorde será medido no deserto de Hakskeen Pan, na Ágrifrica do Sul. “Por que não Bonneville?”, você deve ter se perguntado. Porque o sal é muito duro e é preciso uma superfície mais macia, como a areia, para garantir que o carro acelere e freie de forma segura.

O que se sabe é que a pista terá 19 km de extensão — o suficiente para garantir que o carro chegue aos 1.600 km/h em 55 segundos e esteja totalmente parado no exato ponto onde a pista acaba.

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Os primeiros testes em terra estão previstos para começar em 2016. Até lá, muita coisa no projeto pode mudar — afinal, eles estão trabalhando com cálculos e testes em terra, e experimentando diferentes soluções para conseguir seu objetivo: quebrar o recorde anterior por uma margem de 33% — a maior da história.

Se depender da experiência dos caras, apostamos que eles vão conseguir. E, mesmo que não consigam, a principal razão para que o projeto seja levado a cabo é inspirar toda uma nova geração de cientistas e engenheiros a buscar soluções inovadoras para melhorar a vida da humanidade. E que melhor maneira de conseguir isso do que pilotando um carro a mais de 1.600 km/h?

[ Fotos: Divulgação ]

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