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Bugatti La Voiture Noire: a impressionante homenagem de R$ 47 milhões ao Type 57SC Atlantic

Depois de alguns teasers, foi revelado hoje no Salão de Genebra o aguardado tributo ao Bugatti Type 57SC Atlantic – considerado um dos carros mais bonitos já feitos na história. Conforme era de se esperar, ele foi feito com base no Bugatti Chiron, e seu conjunto mecânico é virtualmente idêntico ao de qualquer outro Chiron. Mesmo que a expressão “qualquer outro” não se aplique a nenhum Bugatti – eles são exclusivos por natureza.

Mas o La Voiture Noire, estrela da companhia no Salão de Genebra, consegue ser ainda mais: só existe um no mundo, feito sob encomenda de um entusiasta que permanece anônimo, e não haverá outro igual. Nunca.

O Bugatti La Voiture Noire, que serve como forma de comemorar o 110º aniversário de Jean Bugatti, é o que acontece quando você, presumivelmente, tem uma conta bancária de saldo impublicável e é apaixonado pelo Type 57SC Atlantic – a ponto de encomendar um Bugatti moderno inspirado nele. Mais precisamente, no exemplar nº 57453, que foi um dos quatro exemplares construídos entre 1936 e 1938.

Equipado com um oito-em-linha de 3,3 litros supercharged de 200 cv, o carro foi usado por Jean Bugatti, autor do design do Atlantic e filho de Ettore Bugatti, até meados de 1937, quando foi dado de presente ao piloto Robert Benoist por ter vencido as 24 Horas de Le Mans naquele ano. Meses depois, Benoist decidiu presentear outro amigo, o também piloto William Grover-Williams, com o carro.

Quando William mudou-se para a Inglaterra, pouco antes de estourar a Segunda Guerra Mundial, o Atlantic foi devolvido à fábrica da Bugatti na França. De lá, ele desapareceu em algum momento entre 1939 e 1941, presumivelmente enquanto estava sendo transportado a um local seguro. Nunca mais se soube dele – sequer há a certeza de que o carro não foi destruído durante a Guerra.

Pois bem: o La Voiture Noire (“O Carro Preto” em francês) apresentado em Genebra é um tributo ao carro de 1936, mas não é um projeto retrô. Como ele usa o gigantesco Chiron como base, seria inviável construir um novo monobloco para dar ao carro formas que remetessem ao Type 57SC Atlantic. Em vez disso, a Bugatti decidiu-se por espalhar referências a ele na carroceria.

A mais visível delas certamente é a “barbatana” no teto, que nasce na tampa traseira e segue até o bico do carro. No Type 57SC, a barbatana era herança do primeiro protótipo, que tinha carroceria de magnésio e, por isso, não podia ser soldada, apenas rebitada. O Type 57SC de produção tinha carroceria de alumínio, mas manteve a barbatana por questões de estética. No La Voiture Noire, o elemento foi trazido para 2019 e é iluminado por LEDs em toda sua extensão.

A carroceria, claro, é preta – a fibra de carbono com trama finíssima recebeu acabamento de verniz escurecido translúcido. O efeito é melhor percebido de perto, sendo quase impossível de notar nas fotos.

A cor preta prevalece nos aparatos aerodinâmicos dos para-choques, nas saias laterais e nas grades, sendo quebrado apenas pelas pinças de freio azuis e pelos raios prateados das rodas – que parecem invadir os pneus graças à pintura prata nos mesmos. Esta solução dá ares de conceito ao La Voiture Noire.

A carroceria conserva boa parte das proporções do Chiron, mas sua identidade visual é distinta. A dianteira parece inspirada pelo Bugatti Divo no formato dos para-choques e também dos faróis, que são compostos de inúmeros LEDs protegidos por uma moldura fumê, bem no topo dos para-lamas. O “C” formado pela carroceria nas laterais é mais fechado e irregular que no Chiron.

Já a traseira tem um visual mais simples se comparada à do Chiron e do Divo, no que diz respeito à quantidade de elementos– apenas uma fina tira de LEDs vermelhos acompanhando a borda superior da face traseira, e uma gigangesca tela preta que toma conta da região. O para-choque traseiro, na prática, é um enorme difusor, e traz seis ponteiras de escape ovais uma ao lado da outra. De acordo com a Bugatti, o número de saídas é um tributo ao motor de 16 cilindros, mas ainda estamos tentando entender qual é a relação matemática…

Curiosamente, o interior do carro não foi mostrado – talvez ele ainda esteja idêntico ao do Chiron. Aliás, como dissemos, o conjunto mecânico original foi mantido intocado. Ou seja: o W16 quadriturbo de oito litros entrega 1.500 cv e 163,1 mkgf de torque, levados às quatro rodas por uma caixa de dupla embreagem e sete marchas. É o suficiente para ir de zero a 100 km/h em 2,5 segundos, com velocidade máxima limitada eletronicamente em 420 km/h.

De acordo com a Bugatti, o La Voiture Noire custou a seu proprietário nada menos que € 11 milhões – em conversão direta, são cerca de R$ 46,9 milhões.

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