Edição diária: 20/06/2019
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Car Culture

Camaro Vengeance: motor de Corvette Z06 e o visual mais sinistro do planeta

Se colocarmos as palavras “muscle car” e “maldade” na mesma frase, é bem provável que o primeiro carro de que lembrarmos seja o Dodge Charger 1968, com sua dianteira com faróis ocultos, postura invocada e, se o dono fosse esperto, o V8 Hemi 426 com dois carburadores quádruplos e 430 cv. Acontece que se incluirmos carros modificados na história, há grandes chances de o título cair sobre um grande rival, repaginado para seguir a receita do pro-touring com visual sem frescura. Conheça o Camaro Vengeance!

Muscle cars de visual sinistro não são exatamente raros — na verdade, é uma das escolas mais comuns quando se trata de customização dos bons e velhos carrões esportivos americanos. Contudo, por uma ou outra razão, alguns se destacam. Carros que de fato te deixam com medo de olhar pelo retrovisor e percebê-los cada vez mais perto e, ao mesmo tempo, inspiram admiração e respeito.

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Carros como este Chevrolet Camaro 1967 (do primeiro ano!) modificado e preparado por um cara que se identifica como “MrVengeance” no fórum de carros modificados StreetFighters ou “MisterTotem2” no YouTube. Trata-se de um projeto iniciado em 2007 que levou quatro anos para ficar pronto e, desde então, ficou conhecido como um dos pro-touring mais macabros do planeta. E ele merece o título.

Aparentemente o objetivo do criador do Camaro Vengeance era provar que um pro-touring não precisa ser um carro chamativo, reluzente, cheio de componentes agradáveis ao olhar (embora não vejamos problema algum com isso).

Refrescando sua memória: pro-touring é uma escola de modificação de muscle cars que envolve preparar o motor e fazer alterações significativas na suspensão e no conjunto de freios, rodas e pneus. Normalmente são adaptados sistemas de suspensão traseira independente e adotadas rodas maiores e pneus modernos — tudo para transformar os carros em verdadeiros devoradores de curvas.

Diversos pro-touring já apareceram por aqui, mas nenhum deles é como o Camaro Vengeance. É um carro todo preto-fosco com detalhes em fibra de carbono e uma discreto par de faixas adesivas preto brilhante (nem ouse falar “black piano” perto desse carro!) em cada um dos para-lamas dianteiros e… that’s it.

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Visualmente o Vengeance traz inspiração nos carros de competição da época em que foi fabricado (só olhar as rodas, inspiradas nas clássicas Minilites, ou o spoiler dianteiro que lembra as peças usadas nos carros da Trans-Am); mas também do mundo militar e aeronáutico. É só olhar para as tampas e válvulas do motor, de uma tosqueira proposital tão escancarada que fica legal, e dotados de inscrições com fonte do tipo estêncil que dizem “LS7” (já chegamos lá).

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Por dentro, a mesma coisa: o que se vê é um pequeno volante de visual esportivo (que quase destoa do conjunto, mas gosto é subjetivo), painel com chaves que parecem ter vindo de um caça e o console central que, na verdade, é uma caixa de munição (e é retirado para os eventuais track days), tudo pintado de preto fosco, bancos concha e gaiola de proteção completa (projetada por ele mesmo). Não há rádio e nem janelas — só redinhas de proteção, como nos carros de corrida. Espartano e matador.

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Ao abrir o capô, você dá de cara com as já citadas tampas de válvulas. Por baixo delas, um V8 LS7 construído sobre um bloco virgem usando componentes escolhidos a dedo. O bloco foi encomendado direto com a GM Performance e recebeu cabeçotes de alumínio usinado em CNC, virabrequim, bielas e válvulas de admissão em titânio, válvulas de escape recheadas com sódio (não esquentam com tanta facilidade e, por isso, são mais eficazes), além de um comando exclusivo, de graduação bem agressiva.

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E qual é a potência? Boa sorte procurando — não conseguimos encontrar em lugar algum. Contudo, considerando que o motor é muito parecido com o que equipa o Corvette Z06 da geração passada, produzido de 2006 a 2013, podemos esperar algo acima dos 500 cv e 65 mkgf de torque. O câmbio é um Borg-Warner T56, manual de seis marchas, retrabalhado pela RPM Motorsport. Three pedals, baby!

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Como já dissemos, em um pro-touring o acerto de suspensão é tão importante quanto o motor ou até mais — o que talvez explique a relativa falta de informações sobre o LS7. De qualquer forma, a suspensão também é bem interessante e, quando falamos “acerto”, queremos dizer a instalação de um sistema totalmente novo — amortecedores ajustáveis do tipo coilover nos quatro cantos, incorporados a um chassi Art Morrison com componentes de Corvette.

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Fechando o “chão” do carro estão as rodas de 19×11 polegadas na dianteira e inacreditáveisl 19×14 polegadas na traseira — exigindo pneus de 275 mm de largura na dianteira e absurdos 345 mm na traseira. A rodas, aliás, foram usinadas em alumínio billet e fabricadas por uma empresa californiana chamada NewGen Wheels. Os freios são da Willwood e usam discos de 14 polegadas na dianteira (é o diâmetro da roda do seu popular) e 12 polegadas na traseira, com pinças de seis e quatro pistões respectivamente.

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Desde que ficou “pronto” (entre aspas porque pronto, pronto mesmo, um projeto nunca fica) o Camaro Vengeance se tornou um dos mais famosos pro-touring do mundo e até se envolveu em controvérsias: Mr Vengeance acusou, em maio de 2013, os produtores de “Transformers: A Era da Extinção” (Transformers: Age of Extinction, 2014) de ter se copiado seu Camaro na hora de desenhar a versão antiga do Bumblebee.

Vengeance apontou várias características semelhantes: a faixa na dianteira (amarela em vez de fibra de carbono), o spoiler dianteiro, as rodas e o aspecto geral. De fato, são bem parecidos:

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Não ficou claro como o caso terminou (ou se terminou), mas o fato deu ao Vengeance ainda mais notoriedade — afinal, não é todo dia que seu carro inspira um filme de Hollywood, não é mesmo?

[ Fotos: Mr-Totem.com, SouthrnFresh.com ]

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