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Camaro Z/28 e Mustang Shelby GT350R se enfrentam na estrada e na pista – qual o melhor super muscle car?

Se, entre os entusiastas, há aqueles que são verdadeiramente passionais a respeito de seus carros favoritos, estes caras são os fãs de muscle cars. E não dá para discutir que o grande duelo entre os esportivos americanos com motor V8 é mesmo entre o Chevrolet Camaro e o Ford Mustang. Hoje, mais um capítulo desta saga se desenrola, e os protagonistas são o Camaro Z/28 e o Mustang Shelby GT350R — atualmente, as variações mais selvagens de ambos os modelos que se pode comprar.

Quem colocou os dois para brigar foram os caras da Motor Trend, no mais novo episódio da série Head 2 Head. Como de costume, primeiro os carros aceleram na estrada, e depois o tira-teima é realizado na pista. Qual dos dois será o mais competente ao rodar em vias públicas? E o mais veloz na pista? Faça sua aposta e aperte o play!

Primeiro, vamos conhecer os desafiantes. Ou relembrar, no caso do Camaro: sua versão Z/28 foi apresentada em março de 2013 e usada para apresentar o facelift do Camaro de quinta geração. No entanto, seu verdadeiro objetivo era mostrar que um muscle car pode sim ser competente na pista, e não apenas em linha reta. E a Chevrolet não mediu esforços para fazer tudo direitinho.

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Começando pelo motor: trata-se de um LS7 de sete litros, 511 cv e 66,5 mkgf de torque. O small block com deslocamento de big block é um motor bastante simples, com comando no bloco e virabrequim cruzado, mas ronca muito alto e tem uma generosa curva de torque — o pico chega às 4.750 rpm —, sendo capaz de levar o Camaro Z/28 até os 100 km/h em 4,4 segundos.

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Com amortecedores especiais, buchas e molas mais rígidas e novas barras estabilizadoras (lembrando que o Camaro de quinta geração tem suspensão traseira independente), o Z/28 é ridiculamente ágil e, ao mesmo tempo, muito aderente — nesta parte, graças aos enormes pneus 305/30 montados nas rodas de 19 polegadas (que são, feitas de alumínio forjado, são mais leves e ajudam a reduzir a massa não-suspensa). Sem falar nos freios, que são tão fortes que podem fazer as rodas girarem em falso dentro dos pneus.

Jason Cammisa, o apresentador do quadro, rasga elogios ao Z/28: além do ronco do LS7, o Camaro tem uma agilidade surpreendente para seu tamanho. A caixa de direção é bastante direta, o carro aponta imediatamente e com decisão para a direção desejada e não há qualquer sinal de rolagem na carroceria.

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No entanto, há alguns pecados que, justiça seja feita, são fruto da idade (afinal, trata-se da quinta geração, que foi lançada em 2007): os materiais do interior são de qualidade apenas razoável e sobra plástico áspero por todo canto. Sem falar na visibilidade limitadíssima que se tem do lado de fora, por causa do tamanho das janelas. Prós e contras pesados, Cammisa diz que o Z/28 é a referência neste teste, e que a missão do Mustang é, no mínimo, ser um carro como ele.

O GT350R, contudo, tem o tempo a seu favor. A sexta geração do Mustang está fresquinha e basta olhar para ela para notar que a evolução em relação ao modelo anterior foi notável. E não falamos apenas da estética, mas de diversos aspectos técnicos.

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O mais notável deles é, sem dúvida, o sistema de suspensão independente na traseira, adotado pela primeira vez depois de cinco décadas com o bom e velho eixo rígido. Este, assim como o interior muito mais refinado, é comum a todo Mustang.

O GT350R, no entanto, traz muito mais coisas para comentar: seu V8 de 5,2 litros tem um projeto muito mais moderno que o V8 427 do Camaro — comando duplo nos cabeçotes, virabrequim plano (como nos motores italianos, que permite uma faixa de rotações muito mais ampla) e capacidade para entregar 533 cv a 7.500 rpm (o limite de giro é  8.200 rpm). Naturalmente, o torque é um tanto mais baixo: 59,3 mkgf que aparecem a 4.750 rpm. De qualquer forma, acredite: ele consegue roncar ainda mais alto que o motor do Chevrolet.

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Na estrada, o Ford Mustang exibe um comportamento tão preciso quando o Camaro — com um grande diferencial: a direção fornece muito mais feedback e sensibilidade. Uma das maiores críticas de Cammisa ao Camaro foi justamente neste ponto: a direção elétrica não transmite ao motorista as condições de aderência ou as irregularidades do piso. Claro, ela é muito rápida e eficiente, mas te faz se sentir jogando videogame. Isto não acontece com o GT350R, que te comunica tudo o que está acontecendo com a suspensão, com os pneus e com a dianteira do carro. Ponto para o Ford.

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Mas e na pista? Mantendo a tradição, é o excelente Randy Pobst quem assume o controle. Os dois carros são levados para o circuito de Chuckwalla Valley, na Califórnia, com seus 4,5 km de extensão. Levando ambos os carros ao limite, a diferença entre ambos os carros fica mais evidente: o Camaro prova que é realmente rápido, e a resposta imediata do torque é realmente impressionante. A suspensão mostra que foi, de fato, pensada para a pista — conforto definitivamente não é seu forte, mas o carro fica plantado no chão o tempo todo e, mais uma vez, surpreende por sua agilidade.

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Acontece que o sistema de direção mais comunicativo do Mustang  — em determinado momento, Pobst diz que seu peso e comunicatividade são comparáveis ao de um sistema hidráulico — torna a experiência de guiá-lo muito mais envolvente e, por que não, divertida. A suspensão não é tão dura quanto no Chevrolet, mas o GT350R definitivamente não é mais lento nas curvas por conta disto. A carroceria rola um pouco mais, claro, mas os amortecedores são tão bem calibrados que esta rolagem é muito discreta e não prejudica a desenvoltura do muscle car nas curvas.

O tempo de ambos os carros fala por si: 1:59,03 para o Camaro Z/28; 1:57,87 para o Mustang Shelby GT350R — uma diferença de 1,16 segundo.

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Na arrancada, a situação foi parecida: o Mustang cumpriu o quarto-de-milha em 12,1 segundos a 192,4 km/h, enquanto o Camaro fez o mesmo em 12,3 segundos a 186,8 km/h. Além da potência extra, neste caso o Mustang tem a seu favor pneus ainda mais largos (305/30 na dianteira e 315/30 na traseira), a capacidade de subir de giro mais rápido e, claro, quase 80 kg a menos na balança: 1.684 kg contra 1.760 kg.

Considerando que o Chevrolet Camaro Z/28 — ao menos como o conhecemos — está em vias de sair de linha, dá para dizer que a diferença entre ambos não é tão grande assim. O Mustang é indiscutivemente mais moderno, mas o Camaro 2017 está aí. E a gente tem certeza de que a Chevrolet não vai dormir no ponto com o novo Z/28.

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Enquanto este momento não chega, porém, uma coisa é certa: temos uma nova referência.

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