A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Pergunta do dia

Carros dos anos 90: quais são os modelos que estão se tornando objeto de colecionador?

Dizem que a moda é cíclica, e que se repete a cada 20 anos. Com isto, em 2016, estaríamos estilísticamente, revisitando o auge da década de 1990. E o que isto tem a ver com carros?

Ora, é simples. É natural que, quando a moda assuma alguma tendência, outros aspectos culturais a acompanhem. Faz parte do ser humano. Assim, não estamos apenas vestindo jeans e flanela. Também estamos ouvindo Nirvana e Guns n’ Roses, jogando games de 16 e 32 bits, assistindo desenhos da infância no Youtube (ou nas madrugadas do Cartoon Network) e no caso dos entusiastas, idolatrando como nunca os automóveis da década de 1990.

O fenômeno fica ainda mais evidente nas redes sociais, porque quem está na internet é justamente quem cresceu na década de 1990 e, não raro, passa o dia no Facebook ou no Twitter exalando nostalgia.

windows_95_friends_660w.0

Guia do Windows 95 com Chandler e Rachel de Friends: não se fica mais anos 90 do que isto

É bem provável que você tenha gasto bons minutos assistindo a vídeos da Best Motoring International, procurando fotos de carros fabricados há vinte e poucos anos e vasculhando sites de classificados atrás de algum carro novo demais para ser antigo e velho demais para ser moderno. Aliás, você notou como eles têm ficado cada vez mais caros?

Se, em 2010, você começou a juntar dinheiro para comprar um Escort XR3 ou Kadett GSi, por exemplo, e estava bem perto de ter o suficiente, de repente percebeu que não estava mais tão perto assim. Até pouco tempo atrás, um exemplar bem cuidado podia ser encontrado por coisa de R$ 12 mil. Hoje em dia, pode se preparar para desembolsar de R$ 20 mil a R$ 25 mil. E tenha certeza: os preços vão continuar aumentando.

escort xr3 achados (13)

O mesmo acontece com um dos carros mais simbólicos da década de 1990: o Chevrolet Omega, especialmente na versão CD da primeira leva, com motor europeu de três litros.

A chegada do Omega ao mercado nacional, em 1992, foi bastante comemorada. Isto porque a Chevrolet, com o Opala, sustentava desde a década de 1970 o reinado entre os sedãs grandes. No entanto, ao longo da década de 1980, o ícone foi ficando para trás. Claro, o Opala foi lançado em 1968, e não podemos deixar de admirar sua longevidade.

Até mesmo o Monza, menor e mais moderno, porém de um segmento inferior, estava tomando seu espaço – aliás, o Monza foi o carro mais vendido do Brasil em 1985 e 1986. Só que ele também já estava ultrapassado quando os anos 1990 começaram. Era preciso fazer alguma coisa.

omega-diamond (1)

Por “alguma coisa”, entenda-se pegar um belo sedã da Opel e trazê-lo para cá. Nasceu, então o Omega. Ele tinha um moderno seis-em-linha de três litros e 165 cv vindo da Alemanha, desenho muito mais moderno que o do Opala, suspensão independente na traseira e construção em monobloco que formava uma célula de sobrevivência, protegendo seus ocupantes. O acabamento do interior era impecável, os itens de conforto eram abundantes e o carro ainda era capaz de chegar aos 100 km/h em 9,5 segundos, com máxima de 210 km/h.

Apesar de tudo, o Omega já estava na segunda metade de sua vida quando veio para o Brasil. Na Europa, ele havia sido lançado em 1986 e passado por uma reestilização. Em 1994, quando o Omega ainda estava curtindo seu reinado por aqui, o Velho Mundo ganhou a segunda geração do modelo — que só começou a ser importada para o Brasil cinco anos mais tarde.

chevrolet_omega_3

Mas voltando à primeira geração, o Omega foi o responsável por colocar a Chevrolet de volta na frente entre os sedãs. Foi um verdadeiro sucesso de vendas e, ao longo dos anos, conquistou uma base grande e leal de fãs, que até hoje o consideram o melhor carro já fabricado no Brasil. Tanto que, a exemplo de outros ícones noventistas, vem acumulando preço nos últimos anos. Um bom Omega CD 3.0 custa, hoje, pelo menos R$ 25 mil.

E se você acha que isto só acontece no Brasil, saiba que não é o caso. Temos uma aposta entre os estrangeiros: o Honda NSX.

autowp.ru_honda_nsx_64

Lançado em 1990, o NSX causou uma excelente impressão ao aliar design e desempenho próximos aos dos supercarros, com praticidade e confiabilidade dos automóveis mais comuns da Honda, como o Civic e o Accord.

Na década de 1990, o NSX utilizava um V6 de três litros e 274 cv, montado em posição central-traseira (mas deixando espaço para um porta-malas!), acoplado a uma caixa manual de cinco marchas ou automática de quatro marchas. Era um motor robusto, confiável e de manutenção descomplicada, e ainda era capaz de levar o esportivo de 0 a 100 km/h em menos de seis segundos – desmpenho comparável às Ferrari de entrada da época, como a 348.

O NSX foi atualizado e ganhou um motor de 3,2 litros em 2002 – três anos antes de ser descontinuado. Sendo um carro relativamente decente, ele ainda não “pegou preço”. Você não vai vê-lo em um leilão da Bonhams, por exemplo. Mas isto é questão de tempo.

honda_nsx_eu-spec_11

O que a gente quer saber, indo direto ao ponto, é o seguinte: tal qual o Omega e, futuramente, o NSX, queremos saber: que carros são verdadeiros ícones noventistas e estão se tornando (ou vão se tornar em breve) itens de coleção? 

Matérias relacionadas

Que carro atualmente barato deve se tornar um futuro clássico?

Gustavo Henrique Ruffo

Quais são as suas metas automotivas para 2014?

Juliano Barata

Qual é seu game de corrida favorito da era 32-64 bits?

Dalmo Hernandes