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Challenger Hellcat vs. Tesla Model S P85D: a revanche do muscle car sobre o míssil elétrico

Quando você compra um Tesla Model S, o sedã elétrico produzido em Fremont, na Califórnia, ou em Tilburg, Holanda (nesse caso, em regime CKD), o que você leva para casa é um elegante sedã familiar que, apesar de ser um carro totalmente elétrico, tem um visual relativamente “comum” – é bonito e moderno, sem dúvida, mas não há nada nele que grite “ei, eu sou um carro elétrico, vejam só, eu não queimo petróleo!”

E, para muita gente, este é um ponto positivo – o Model S parece um carro normal e anda como um carro normal, exceto pelo ronco do motor (ou melhor, a falta dele) e o fato de todo o torque do motor elétrico estar disponível a partir de zero rpm. Isto mesmo, logo de cara o Model S despeja todo o seu torque no asfalto, garantindo aceleração comparável à de um superesportivo.

Isto é especialmente verdade quando falamos do Model S P85D. Trata-se da versão topo de linha do Model S, e a mais potente delas: enquanto o Model S “básico”, com baterias de 60 kWh, é equipado com um motor elétrico no eixo traseiro capaz de entregar o equivalente a 302 cv, o P85D traz um dois motores: um no eixo traseiro, com 470 cv, e outro no eixo dianteiro, com outros 121 cv. Caso você esteja se perguntando, o “P” significa Performance e o “D”, Dual motor, enquanto o 85 quer dizer que o carro tem baterias de 85 kWh.

That’s right: 691 cv, que recebem a ajuda de nada menos que 94,9 mkgf de torque instantâneo, ainda a transferência de força tão abrupta faça os dinamômetros mostrarem números ainda mais absurdos. Que tal 595 mkgf, como já mostramos aqui?

É o bastante para que o Model S chegue aos 100 km/h em 3,2 segundos, com máxima limitada a 250 km/h – tudo isto com autonomia estimada em mais de 400 km com uma carga e consumo de energia equivalente a 40 km/l de combustível.

São números para lá de respeitáveis que abrem inúmeras possibilidades de comparação (como no vídeo acima, em um pega ilegal com um Aventador). É aí que entra o Dodge Challenger Hellcat na história.

Não faz muito tempo que todo mundo (nós, inclusive) ficou boquiaberto quando a Dodge finalmente anunciou a potência de seu novo Challenger topo de linha: 717 cv vindos de um V8 Hemi de 6,2 litros supercharged, que tornaram o Hellcat não apenas o Dodge produzido em série mais potente da história (na frente do Viper!), mas o muscle car produzido em série mais potente de todos os tempos. E um dos mais torcudos, também, com 89,9 mkgf de torque indo direto para as rodas traseiras através de uma caixa manual Tremec de seis marchas (há também a opção por um câmbio automático de oito marchas, mas você não quer isso, quer?). Assim, foi questão de tempo até que o dono de um Tesla Model S P85D e o proprietário de um Challenger Hellcat decidissem acertar as diferenças na dragstrip. E foi exatamente isto o que acontecem em janeiro deste ano.

Durante um evento em Palm Beach, na Flórida, um Tesla Model S cinza e um Dodge Challenger Hellcat verde protagonizaram uma das arrancadas mais comentadas de 2015: o motorista do Hellcat perde tempo na largada enquanto o Model S P85D dispara à sua frente. Sabendo que era uma corrida perdida, o piloto do Challenger então decide concluir a puxada queimando pneus. Não foi um dia muito bom para ele. O Tesla, no entanto, quebrou o recorde no quarto-de-milha para carros elétricos naquele dia, virando 11,6 segundos a 184,4 km/h.

Tesla_Model_S_P85D_Insane_Mode_Wide

Não é de se estranhar, visto que, como você talvez já saiba, o Model S vem equipado com um botão que ativa o “Insane Mode”. Ao ativá-lo (o menu da gigantesca tela multimídia no console central realmente diz “insane”), você tem acesso a toda a força de aceleração do Model S P85D. A potência é despejada toda de uma vez, provocando um belo solavanco – e algumas reações bastante empolgadas de quem nunca experimentou 1,2G de aceleração instantânea dentro de um carro:

Mas a gente conhece o potencial do Hellcat. Na verdade, todos conhecem – o muscle car é capaz de virar o quarto-de-milha em 10,86 segundos equipado com pneus de arrancada legalizados para as ruas. Com os pneus originais ele é um pouquinho mais lento, mas não menos impressionante: 11,2 segundos. O que aconteceu, então, na arrancada em janeiro?

Houve um claro vacilo na largada: para se ter uma ideia, o Tesla levou apenas 1,6 segundo para percorrer 18 metros, enquanto o Hellcat precisou de dois segundos a mais graças a uma largada ruim. De acordo com os caras da Street Car Drags, que organizaram o evento, era a primeira vez do dono do Challenger ao volante do carro em uma arrancada.

Desde então, como conta a Road & Track, o dono do carro jurou revanche e tomou algumas providências para que outro vacilo daqueles não ocorresse novamente. Além de praticar muito, ele trocou os pneus originais por um jogo de Nitto 555R de medidas 305/35 na traseira – bem maiores que os 275/40 originais. Para mostrar que estava pronto, o cara até publicou no fórum Hellcat.org um vídeo de si mesmo virando o quarto-de-milha em 10,8 segundos a 204 km/h durante um evento em fevereiro. Fora os pneus novos atrás, o carro continua 100% original.

Então a revanche aconteceu. Não foram divulgadas informações a respeito da data ou do local, mas o vídeo foi ao ar no YouTube no último sábado (4). O que acontece? Veja por si mesmo:

O resultado é apertado, mas o Hellcat vence desta vez – depois de, no meio do caminho, alcançar e ultrapassar o Tesla que, graças ao torque instantâneo, consegue uma breve vantagem na largada. No fim das contas, o resultado dos dois carros é bem mais próximo que na primeira vez: enquanto o Hellcat vira 11,08 segundos a 202,6 km/h, com o-18 metros em apenas 1,70 segundo, o Model S consegue 11,92 segundos a 180,4 km/h.

Isto prova de uma vez por todas que carros movidos a gasolina são superiores? Bem, não. É uma evidência, porém, de que há mais nos carros elétricos do que o apelo do consumo de combustível – eles também podem empolgar, e dar origem a embates como este. Nós? Só estamos aguardando uma possível melhor de três…

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