Chassi 00001: este é o primeiro Chevrolet Corsa fabricado no Brasil

Dalmo Hernandes 12 dezembro, 2016 0
Chassi 00001: este é o primeiro Chevrolet Corsa fabricado no Brasil

Parece que nosso amigo Alexandre Badolato anda se especializando em encontrar marcos históricos da indústria automotiva brasileira. Primeiro foi o último dos Opala. Depois, o último Opala cupê e, mais recentemente, o último dos Opala SS. Agora, ele encontrou o primeiro Corsa fabricado no Brasil (o fato de serem todos Chevrolet é coincidência). Esta é sua história!

Em 2016, alguns entusiastas comemoraram o fim da produção do Chevrolet Classic, o Corsa sedan, último elo da fabricante aquela que, para muitos, foi sua era de ouro: a década de 1990, quanto praticamente a linha inteira da Chevrolet do Brasil era composta de modelos da Opel rebatizados. Mas isto também significa que ele era um dos carros mais ultrapassados que se podia comprar zero-quilômetro no Brasil e, mesmo equipado com os obrigatórios airbags e freios ABS, já estava mesmo merecendo o descanso.

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Quando o Corsa foi lançado, porém, a história era bem diferente. Há 22 anos, as formas arredondadas e modernas, o interior bem acabado e até ergonômico para seu tamanho, e o motor 1.0 da versão Wind, de entrada, que trocava o costumeiro carburador por um sistema de injeção eletrônica (monoponto, é verdade) conquistaram o público logo de cara. Eram só 50 cv, mas o carro era econômico, silencioso, bem construído e prático. A demanda era tanta que o Corsa era vendido com ágio.

De qualquer forma, ainda em 1994, o Corsa ganhou a versão GL, que tinha um motor de 1,4 litro com injeção monoponto e 60 cv. Naquele ano, também foi lançada a versão esportiva GSi, que tinha um motor 1,6 litro com cabeçote de 16v e 108 cv – e custava o triplo do Corsa Wind, versão de entrada. Dois anos depois, enquanto o GSi saía de linha, o motor 1.0 passava a ter injeção multiponto (MPFI, multipoint fuel injection) e 60 cv, enquanto o motor 1.4 foi substituído por um 1.6 com injeção multiponto e 92 cv.

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O primeiro exemplar fabricado pela Chevrolet foi um Corsa Wind básico. Ele saiu da linha de produção 21 de setembro de 1993, como modelo 1994 – e, como o Alexandre observa, é o ano-modelo que conta para os colecionadores. E foi de um colecionador que Alexandre comprou o Corsa. Mas como o carro foi parar nas mãos deste colecionador? É a história que ele conta neste vídeo.

Tudo começa mais ou menos na época em que este Corsa foi fabricado, no início da década de 1990. A Chevrolet tinha a intenção de abrir um museu em São Caetano do Sul em um espaço cedido pelo governo municipal na Avenida Presidente Kennedy, próxima à prefeitura da cidade.

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Na época, a Chevrolet alardeou bastante o projeto, distribuindo até mesmo suvenires como tijolos da “pedra fundamental” do museu e levando alguns dos carros de seu acervo para a praça, onde ficavam em exposição. Alexandre, que na época trabalhava em São Caetano, conta que depois a praça foi coberta por tapumes com imagens da história da Chevrolet.

Esta situação se estendeu por alguns semanas e, para a surpresa geral, o local jamais viu um único tijolo das obras. Um dia, então, a praça voltou a ser só uma praça, pois a Chevrolet desistiu de construir o museu e devolveu o espaço para a prefeitura. No fim das contas, os carros que seriam expostos no Museu da Chevrolet em São Caetano do Sul acabaram cedidos ao Museu de Tecnologia da Ulbra, em Canoas/RS, inaugurado em 2002. Eles se juntaram ao acervo particular do reitor da Universidade Luterana do Brasil, e ficaram por lá até 2009, quando o museu foi fechado.

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Com o fechamento do museu, considerado um dos acontecimentos mais tristes da história do antigomobilismo no Brasil, a Chevrolet pegou os carros de volta – eles haviam sido cedidos em regime de comodato, ou seja, um empréstimo gratuito por tempo indeterminado.

Naquele mesmo ano, a Chevrolet colocou os carros a leilão a fim de levantar fundos – para quem não lembra, o ano de 2009 foi marcado por uma grave recessão nos EUA, o que acabou também afetando a filial brasileira. O acervo foi leiloado entre as concessionárias e o Corsa foi arrematado pela Primarca, de São Caetano do Sul. Depois de passar um tempo exposto no showroom da loja, o Corsa foi comprado por um colecionador amigo de Alexandre – que, agora, é o dono do carro, que faz parte do acervo de seu museu.

O Corsa tem pouco mais de 12.000 km no hodômetro, sendo que a maioria deles certamente foi acumulada em testes. O carro está imaculado, especialmente do lado de dentro – por fora, apresenta algumas manchas na pintura, que provavelmente foram causadas por umidade no local onde o carro foi armazenado. Curiosamente o mesmo aconteceu com o primeiro exemplar nacional do Omega.

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De qualquer forma, trata-se de um belo pedaço de história sobre rodas. Especialmente considerando que, neste ano, o Corsa de segunda geração encerrou sua história de 23 anos no Brasil.