Edição diária: 20/06/2019
FlatOut!
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Cinco álbuns de música com carros na capa para você ouvir dirigindo

Dia destes, nós aqui no QG do FlatOut estávamos discutindo sobre álbuns com carros na capa. Quais são as obras mais importantes? Qual seria um álbum com um carro na capa obrigatório para quem curte música e carros? São bons discos ou só são legais por causa da capa?

Decidimos, então, montar uma pequena coletânea de, bem, álbuns com carros na capa. Eu, Dalmo Hernandes, me encarreguei de selecionar alguns, e estabeleci pequenos critérios: o carro precisa ser o tema principal da capa, e precisa ser uma representação minimamente realista de um automóvel que existe no mundo real. Não precisava ser exatamente uma foto, mas precisava ser um carro de verdade, reconhecível como tal.

Eu fui o típico adolescente rebelde que deixou o cabelo crescer no ensino médio para mostrar ao mundo todo que ouvia rock pesado. Felizmente o tempo passa, a gente descobre novos sons e acaba enriquecendo nosso repertório – ou ao menos eu sou grato por isto. Pois há muita música boa no mundo, feita em todos os países, de todos os estilos. E há muitos ótimos discos com carro na capa.

Esta lista é curta, mas preza mais pela qualidade do que pela quantidade. Se você tem os ouvidos abertos para todo tipo de combinação de notas, certamente vai encontrar aqui algo que te agrade. E sinta-se convidado a compartilhar seu álbum favorito com um álbum na capa: quem sabe se daqui não sai mais uma lista?

 

Chris Rea – Auberge, 1991

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Que coisa mais gearhead que um álbum com um Caterham Seven na capa? Pois não foi uma escolha meramente estética: Chris Rea, um dos músicos mais conhecidos do Reino Unido, é verdadeiramente entusiasta. O Caterham Super Seven da capa, pintada por Alan Fearnley, conhecido por suas pinturas de temática automobilística.

O chamado Blue Seven habitou a garagem de Rea desde que foi fabricado, em 1987, e suas participações em eventos automotivos pela Inglaterra com o carro inspiraram Rea nas letras de algumas das canções de Auberge, 11º álbum da carreira de Rea, lançado em 1991. O Seven também aparece no clipe da faixa título, “Auberge”.

O som de Chris Rea é classificado como “album-oriented rock”, ou seja, um estilo de rock suave e fácil de ouvir, pronto para tocar nas rádios. No entanto, Auberge e o trabalho anterior, The Road to Hell, de 1989, são cheios de guitarras tocadas com slides acompanhadas da voz rouca de Rea, que começou sua carreira na década de 1970 tocando blues. A levada clássica é perfeita para pegar a estrada.

 

Kavinsky – OutRun, 2013

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Falamos recentemente do retro/synthwave aqui no FlatOut, estilo musical baseado em sintetizadores que pega emprestada toda a estética oitentista e dá a ela uma roupagem ligeiramente mais contemporânea. Dito isto, o barato é celebrar o passado, e isto inclui os carros dos anos 80.

OutRun, primeiro álbum full-length do DJ francês Kavinsky, é um dos mais importantes do gênero. A Ferrari Testarossa na capa não está ali à toa: o nome do álbum é inspirado pelo arcade da Sega, que te deixava pilotar qualquer carro desde que fosse uma Testarossa conversível vermelha. Foi uma homenagem direta à cultura dos anos 80, que transparece no conceito do álbum: a história de um rapaz que bate sua Testarossa em 1986 e retorna vinte anos depois, em 2006, como um zumbi que produz música eletrônica.

A atmosfera retrô está na capa do álbum, na produção e nos videoclipes. No vídeo de “ProtoVision”, o single principal de OutRun, Kavinsky interpreta o zumbi-DJ ao volante de uma Testarossa e, honestamente, não dá para escutar este disco sem desejar um esportivo oitentista para acelerar em uma estrada à noite.

 

Teenage Fanclub – Grand Prix, 1995

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O Teenage Fanclub era uma banda escocesa que já estava na ativa desde 1989. Seu terceiro Bandwagonesque, de 1991, foi o álbum que revelou para o mundo seu rock de garagem inspirado pelos Beach Boys e outras bandas de surf music californianas, porém com guitarras mais agressivas e uma cozinha mais marcada e dançante. Os caras conquistaram até os norte-americanos com o som.

O álbum seguinte, Thirteen, de 1993, foi produzido pela própria banda e é visto como uma “mancha” em sua discografia. Foi com Grand Prix, de 1995, que o Teenage Fanclub recuperou seu público. O disco de treze faixas era certeiro desde a primeira faixa, About You, até a última, Hardcore/Ballad, sem deixar o pique cair. Equilibrando uma parede de guitarras com uma levada acessível, quase pop, os caras estouraram no Reino Unido e foram elogiados unanimemente pela crítica mundial.

Quem não conhecia a banda ficou encantado pela capa: o nome do álbum escrito em letras “cromadas”, um fundo branco, e um monoposto preto de Fórmula 1 com o nome da banda na asa dianteira. E quem ouviu, curtiu.

O carro era o Symtek S941, usado pela efêmera equipe Symtek, que só competiu em 1994 e 1995, disputou 20 corridas e não pontuou em nenhuma. Talvez a banda tenha se interessado pelo patrocínio da MTV, ou talvez a Symtek tenha se interessado pela ideia de divulgar seu nome no álbum de uma banda do momento. Fato é que Grand Prix é um clássico do rock alternativo noventista.

 

Black Keys – El Camino, 2011

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O Black Keys é uma das dezenas de bandas modernas a serem chamadas de “a salvação do rock”. E eles fazem muito com pouco: na verdade, trata-se de um duo formado por Dan Auerbach (guitarra e vocais) and Patrick Carney (bateria) que começou em 2001 gravando em um porão e produzindo seus próprios discos, mas que em 2010 começou a ganhar reconhecimento com Brothers, seu sexto trabalho. É claro que, ao vivo, os caras têm uma banda de apoio, mas Auerbach e Carney são o núcleo criativo do Black Keys.

El Camino, de 2011, foi seu sucessor, e foi ainda mais aclamado que o antecessor. Você provavelmente já ouviu Lonely Boy ou ou Gold on the Ceiling, os dois carros-chefes do play. E deve ter reparado que o carro na capa não é um El Camino.

Trata-se de uma piada interna com a Plymouth Grand Voyager que a banda usava no início do anos 2000 em suas turnês pelos EUA, que eles chamavam de El Camino. A minivan vendida entre 1984 e 1990 definitivamente não era empolgante como uma picape derivada de um muscle car, mas tinha espaço e era fácil e barata de manter. Além disso, protagonizou uma das capas de discos mais icônicas dos últimos dez anos.

 

Kraftwerk – Autobahn, 1974

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Se você acha que o retrowave é revolucionário pelo modo como mescla carros e música eletrônica, é porque não conhece Autobahn, do Kraftwerk. Só que eles não foram pioneiros apenas e misturar música eletrônica com carros, mas também da música eletrônica em geral.

Formado no fim dos anos 1960, o quarteto foi um dos precursores do chamado Krautrock, música experimental com origens no rock progressivo, porém com estruturas minimalistas, menos guitarras e mais sintetizadores e instrumentos “estranhos” ao rock, como violinos e gaitas, muito popular na Alemanha. Ao longo dos anos, o Kraftwerk foi investindo cada vez mais nos sintetizadores e se tornou um dos grupos pioneiros da música digital.

Autobahn, de 1974, sem dúvida é o álbum que transformou os quatro alemães em gigantes. Com batidas sincopadas, levadas atmosféricas, frénéticas e robóticas, e uma capa icônica, o disco é um dos trabalhos obrigatórios para qualquer um que queira se aprofundar na música eletrônica.

A letra da faixa-título é uma pequena ode ao ato de dirigir, muito bela em sua simplicidade repetitiva:

Estamos dirigindo pela auto-estrada
Na nossa frente há um vasto vale
O Sol está brilhando com com raios cintilantes
A pista da estrada é uma trilha cinza
Faixas brancas, laterais verdes
Agora estamos ligando o rádio
Do alto-falante soa:
Estamos dirigindo pela auto-estrada

E a capa transmite exatamente o que a letra quer dizer: uma auto-estrada alemã, um Fusca e um Mercedes-Benz 280SE, grama verde, asfalto cinza, o sol e os vales. No retrovisor, uma foto do grupo. Estética perfeita. A arte é obra de Emil Schult, colaborador de longa data do Kraftwerk, e co-autor da letra de Autobahn. Agora tudo faz sentido.

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