Circuito de Ebisu: onde os carros de drift levantam voo

Dalmo Hernandes 23 março, 2016 0
Circuito de Ebisu: onde os carros de drift levantam voo

A gente já falou do circuito de Ebisu aqui no FlatOut duas vezes: quando falamos sobre o Supercar Sound Festival, evento que reúne centenas de superesportivos e seus donos, que ficam apreciando o ronco das máquinas; e quando mostramos o Ebisu Drift Matsuri, um festival de dois dias seguidos onde os participantes podem, caso aguentem, ficar 36 horas deslizando de lado pelas pistas do complexo.

Porque sim, Ebisu é, na verdade, um complexo com nove pistas, sendo sete circuitos tradicionais e dois skidpads. O complexo foi projetado principalmente para competições de drift, tanto que seu projeto é assinado por um piloto — Nobushige Kumakubo, que há quinze anos compete na D1 Grand Prix, principal categoria de dorifuto no Japão. Ele teve a sorte de nascer em uma família rica, dona de uma vasta porção de terra na prefeitura de Fukushima, no Japão, e isto possibilitou que ele desenhasse e construísse aquilo que muitos chamam de “o paraíso dos drifters”.

ebisu-complexo

Aliás, a própria organização de Ebisu refere-se ao complexo como um “parque temático para carros”, pois, além das competições de drift, são disputadas corridas de longa duração, realizados track days e até time attacks em uma touge artificial. Os eventos de drift são tão populares que centenas de carros se juntam no Drift Matsuri, por exemplo — e, como já contamos aqui, é possível encontrar pacotes de viagem que incluem passagens, hospedagem e despesas com o evento. Alguns até fornecem um carro prontinho para deslizar de lado — que você precisa devolver depois, obviamente.

O circuito mais famoso é o de Minami (Sul), onde são realizadas as provas do D1 Grand Prix. Ainda existem os circuitos de Nishi (Oeste), Kita (Norte) e Higashi (Leste); o circuito Drift Land, usado em aulas de drift; e os dois skidpads, The Touge e “KuruKuru Land”. Mas é em Minami que fica o ponto mais famoso de Ebisu: uma curva à esquerda que, por causa de uma ligeira variação de relevo, faz com que os carros decolem ao passar por ela deslizando de lado. O resultado? Fotos e vídeos que, invariavelmente, são épicos. Saca só:

Este é Daigo Saito, um dos maiores pilotos de drift do Japão (que atualmente faz suas derrapagens controladas ao volante de um Lamborghini Murciélago) durante a quinta etapa do D1 Grand Prix em 2010. Os comentaristas japoneses que o digam: eles reagem com uma empolgação tão grande que chega a ser engraçado. Por outro lado, se estivéssemos lá, provavelmente também ficaríamos em êxtase.

Saito realmente curte saltar na curva do circuito Sul — olha só este outro vídeo, desta vez de dentro do carro. A magia acontece por volta dos 5:15:

E se você acha que os drifters profissionais são os únicos capazes de decolar enquanto praticam sua arte, dá uma olhada neste drift train feito por entusiastas:

Não é à toa que, ao menos três vezes por ano, cerca de 500 entusiastas peregrinam até Ebisu para experimentar a sensação de voar de lado com o carro. E, se você quer saber como é a sensação de fazê-lo, talvez o vídeo abaixo — que inclui tomadas onboard e de fora do carro — possa dar uma ajudinha à sua imaginação.

Agora, que fique bem claro: não esqueçamos que Ebisu tem, ao todo, nove circuitos diferentes. O circuito Leste, por exemplo, também é muito bom para a prática do drift, como bem demonstra Keiichi Tsuchiya, o eterno Drift King, em seu famigerado Toyota AE86 preparado:

No mini-documentário Back 2 Basics, lançado no YouTube há alguns dias, é possível explorar outros lados do circuito. No Japão, Ebisu é praticamente uma meca para os entusiastas do automobilismo — um verdadeiro polo de cultura automotiva onde não há espaço para rixas motivadas por preferências pessoais diferentes. Quem quiser uma experiência, vai para a touge — que se parece muito com uma subida de montanha de verdade. Quem ainda não domina a técnica, pode tomar aulas. E quem não tem carro pode assistir tudo, conversar com os pilotos e aproveitar bastante.

E o circuito fica aberto praticamente o ano todo. É possível até mesmo fechar uma de suas pistas por um dia inteiro para curtir com os amigos — basta saber com quem conversar… e pagar o quanto for preciso. Será que é tão difícil conseguir algo parecido por aqui?