Edição diária: 17/06/2019
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Project Cars Project Cars #58

Colocando a tração nas rodas certas: o Mazda 626 de Maximilian Bretschneider

Meu nome é Maximilian Bretschneider, tenho 27 anos, nasci em Porto Alegre e moro em uma cidade vizinha, bacharel em Design e fanático por carros japoneses dos anos 90. E este é meu mazda 626 1999 GLX, que agora traciona no eixo traseiro, depois de 11 meses de trabalho.

Em dezembro de 2010, eu havia reunído dinheiro, com ajuda de meus pais, para comprar meu primeiro carro. O primeiro carro que seria meu, não aquele primeiro carro da família que a gente dirige antes de ter o próprio carro. Seria um carro sob meus cuidados, do meu gosto, que me acompanharia ao trabalho, faculdade e passeios. Por isso, ele precisava ter mecânica confiável (trabalhando, estudando e namorando em cidades todas que ficavam a 40km ou mais de Porto Alegre), bom rendimento de combustível e alguns confortos para quem passava 5.000km ou mais na estrada, mensalmente.

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Minha decisão em adquirir um Mazda se espelhava no currículo do meu pai que curtiu bem os esportivos nacionais que teve: Opala, Chevette, Passat Pointer GTS, entre outros. Eu nasci em 1987, e ao contrário de muitos leitores, não tive o prazer de ter contato na infância com Puma, Opala, Fusca e outros. Lá em casa eu cresci com japoneses. A abertura de mercado fez meu pai, que também adorava tecnologia, se voltar para os japoneses: Civic VTi, Civic EX Coupé, Corolla, Eclipse, Galant V6, Mazda MX-3 e, por fim, vieram os 626. Tivemos nada menos que quatro mazda 626 um após o outro (modelos 92-97, inclusive um 626 GT azul marinho). Teve um Dodge Avenger 1995 também, mas a mecânica era quase toda do Galant então a gente conta ele como japonês de coração.

Ao olhar nos sites de classificados encontrei esse 626 1999, o último modelo de 626 importado pelas concessionárias antes de cessarem suas atividades no Brasil. Depois de checar com fornecedores a disponibilidade de peças (que, são compartilhadas em numero pequeno com a versão anterior do carro), batemos o martelo. Por R$ 20 mil, adquiria uma máquina de 19 kgfm de torque, 135 cv e 1150kg, de único dono, chave reserva, manuais e cerca de 70 mil km no odômetro. Com a necessidade de deslocamento diária e mensal enorme, o câmbio automático caiu como uma luva.

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A Mazda é famosa por fazer carros voltados ao motorista e com foco na experiência de dirigir, utilizando-se de um princípio das artes marciais que diz que o cavalo e o cavaleiro devem ser um só, em japonês: Jinba Ittai. E, como aprendi nos primeiros meses dirigindo o carro, isso não era só propaganda: o sedã era rápido, o câmbio automático respondia com trocas precisas (meu chassis veio equipado com o Sports AT , o mesmo que equipava o Familia Sport20 na Nova Zelândia, mas, vamos deixar as surpresas que encontrei na desmontagem no próximo post…) mesmo tendo apenas quatro marchas. A direção hidráulica é bem direta (para quem não teve a oportunidade de dirigir um carro destes ainda, esses sistemas hidráulicos são mais “duros” que os habituais) e a suspensão, que vem de fábrica bem firme e 30 mm mais baixa que a média dos nacionais, encaixava bem o carro nas curvas enquanto os discos nas quatro rodas garantiam a frenagem.

A necessidade de deslocamentos longos diários me fez conhecer bem o comportamento do carro, sua mecânica e desempenho, e, tinha a sorte de ter mecânicos amigos que executaram as funções de chefe-de-oficina na época em que a concessionária estava ativa. Estes senhores ainda possuiam equipamentos, contatos e, o banco de dados, confirmando todas as revisões até o ultimo dia de atividade da finada Open Motors. Estes, foram de grande auxílio mais tarde, me deixando consultar todo o tipo de manual técnico, part numbers, esquemas elétricos. A vontade de iniciar um projeto de preparação aumentava a cada conversa com mecânicos, cada visita aos fórums, cada artigo do Speedhunters, The Chronicles, Jalopnik ou Daily Driven lido e foi aí que encontrei aquele “probleminha”.

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O 626 tinha tração dianteira, e minha grande vontade era ter um carro de drift! Eu estava longe de São Paulo , onde as equipes de drift já se organizavam, e os custos de comprar um segundo carro, prepará-lo e mantê-lo (impostos, combustível e manutenção em dobro? mesmo com um carro econômico, pesa) seriam desconfortáveis.

Além disso, com tração traseira e pelo preço do 626 (a grana que eu teria vendendo ele e comprando outro, a manutenção pra deixar o “futuro” carro em dia…) eu tinha a opção de Chevette, Opala ou Omega. Os dois primeiros sem os confortos que eu estava tão acostumado e não abriria mão para uso diário e as altas quilometragens (toda a eletronica embarcada, a segurança do sistema de freios e suspensão moderno, ar-condicionado…). O último, um bom carro, mas um pouco pesado (no meu ponto de vista).

Eu poderia aleijar um Subaru, mas demandaria mão de obra também, e não é tão fácil quanto parece. Eu poderia não dar a mesma sorte na compra de outro carro e acabar comprando um carro “sem dono”, com muita manutenção por fazer ou com problemas mecânicos que o 626 não apresentou. E, definitivamente, não queria um trailer queen.

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Depois de muito ponderar, pesquisar e calcular, bati o martelo: iria construir o que, até onde meu conhecimento vai, será o primeiro 626 1999 de tração traseira! A caça das peças, no Brasil e no mundo, a montagem e a preparação, eu conto nos próximos posts. Até mais.
Por Maximilian Bretschneider, Project Cars #58

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